Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

Duas coisas da campanha de agora

Por Luciano Siqueira – Da mesma forma que futebol se ganha dentro do campo, cabe entender que os índices divulgados são um retrato do momento. Agora, é ver para crer; lutar para vencer.

Sexta, 16 de Outubro de 2026 às 09:41, por: CdB

Da mesma forma que futebol se ganha dentro do campo, cabe entender que os índices divulgados são um retrato do momento. Agora, é ver para crer; lutar para vencer.

Por Luciano Siqueira – de Brasília

Uma coisa acontece não apenas comigo, que vivo a sexta década de militância ativa, mas com muita gente envolvida de corpo e alma na batalha deste segundo turno: entre a intenção e o gesto, o aprendizado das formas de luta no tempo presente.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato ”Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais” na Avenida Paulista, em São Paulo – SP

Primeiro, a consciência de que nunca estamos sozinhos. A todo instante, o celular ligado nos incomoda, mas ao mesmo tempo também funciona como uma janela para mundo.

Como assim?

Ora, sem sair da minha pequenina biblioteca, enquanto trabalho “falo” com muita gente e “ouço” outras tantas, sem prejuízo do que estou fazendo.

Ontem à noite, quantas pessoas participaram do evento pela reeleição de Lula na Praça de Casa Forte, no Recife? Quinhentas, 1 mil ou 2 mil?

Dezenas de milhares!

Pois muita gente ligou o celular e difundiu vídeos em self, ao vivo, direto no Instagram ou WhatsApp. Centenas ou mais.

“Ah, bem que poderíamos estar agora na periferia!”, alguns disseram.

Respondi de pronto: “Estamos, ora!”

Sim, também estávamos em contato com pessoas de áreas populares da cidade e até do interior, em tempo real, desde que integrantes de nossas listas.

Recife

Por exemplo: dos meus 16 anos de vice-prefeito no Recife, meu número no celular (que tornei público e jamais mudou) funcionou como acesso direto de muita gente que me ligou ou encaminhou mensagens a propósito de problemas da cidade ou da sua rua.

Passados quase oito anos, prosseguimos em contato.

Nada substitui o diálogo olhos nos olhos, é verdade; mas também por via digital vivemos emoções mútuas e compartilhamos angústias e esperanças e solidariamente nos fazemos parte da mesma luta.

Agora há uma espécie de explosão de vídeos nas redes, factuais ou opinativos. Predominam peças improvisadas, tecnicamente sofríveis, mas plenas de convicção e sinceridade. Convincentes.

Bem ao espírito de Glauber Rocha: “uma câmera à mão e uma ideia na cabeça”.

A outra coisa tem a ver com pesquisas de intenção de voto. Além dos institutos DataFolha e Quest, que por serem contratados pela Rede Globo são muito mais conhecidos do que os demais cinco ou seis.

Talvez nunca os números tenham estado na mente das pessoas, alimentando ansiedade e esperança.

Da mesma forma que futebol se ganha dentro do campo, cabe entender que os índices divulgados são um retrato do momento; importa identificar tendências.

Nestes de dias que nos restam, além do empate técnico, considerando todas as pesquisas, com ascensão gradual das intenções de voto em Lula, fatos de enorme repercussão – como a aprovação no Senado da alteração da jornada de trabalho 6×1 – jogam água para o nosso moinho.

Agora, é ver para crer; lutar para vencer.

 

Luciano Siqueira, é médico membro do Comitê Central do PCdoB e secretário nacional de Relações Institucionais, Gestão e Políticas Públicas do partido, foi deputado estadual em Pernambuco e vice-prefeito do Recife.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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