Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

As ruas, as redes e o almoço do domingo

Por Luciano Siqueira – Para virar o jogo no segundo turno, Lula precisa ampliar a mobilização nas ruas, disputar as redes e conquistar votos também nas conversas entre familiares e amigos.

Sexta, 09 de Outubro de 2026 às 09:05, por: CdB

Para virar o jogo no segundo turno, Lula precisa ampliar a mobilização nas ruas, disputar as redes e conquistar votos também nas conversas entre familiares e amigos.

Por Luciano Siqueira – de Brasília

Vencer é possível, desde que se articulem de modo eficiente sagacidade tática e mobilização social.

O comando nacional da campanha, pela voz do próprio Lula, considera erros e insuficiências do primeiro turno e os corrige para a nova fase da luta.

Carreata pró Lula em Belo Horizonte

O discurso do presidente tem sido correto, especialmente desde o momento em que bem articulou a defesa da soberania nacional com as políticas de governo e seus benefícios sociais.

Superou o discurso meramente economicista — o das chamadas “entregas” — e o politizou com clareza acessível ao povo.

Mas não foi o suficiente. Muitos fatores de ordem política e social imediatos possibilitaram que o candidato da extrema-direita conquistasse mais votos.

Difícil examinar a questão sob todos os aspectos ainda no curso da batalha, mas é razoável supor que levamos desvantagem na frente digital.

É possível reverter a correlação de forças nessa frente de luta? Completamente, não; mas podemos melhorar muito — sobretudo fazendo convergir as centenas de milhares de iniciativas militantes e espontâneas para um mesmo conteúdo e nas formas mais adequadas.

Big Techs

Mas não cabe a ilusão de que as Big Techs, que controlam as redes e as manipulam via algoritmos, deixem a coisa correr solta. Por todos os meios agem para possibilitar a vantagem do adversário.

As manifestações de massas — a exemplo das que ocorrem nos ambientes das Universidades — podem e devem crescer muito.

Alimentam as redes digitais e por elas são impulsionadas.

Ou seja, a luta nas redes e nas ruas!

Mais: fazer com que a luta pelo voto chegue ao almoço do domingo — esse momento em que familiares e amigos mais próximos se encontram.

Um quase-ritual de convivência e afetividade, quando se conversa sobre tudo e sempre há uma liderança natural: o pai ou a mãe, avô ou a avó, um jovem mais letrado e assim por diante.

Aí também flui a campanha, de modo natural e espontâneo, envolvendo milhões de eleitores. Quem sabe uma trincheira onde se possa motivar os que se abstiveram e ganhar os indecisos.

 

Luciano Siqueira, é médico membro do Comitê Central do PCdoB e secretário nacional de Relações Institucionais, Gestão e Políticas Públicas do partido, foi deputado estadual em Pernambuco e vice-prefeito do Recife.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

 

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