Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Dezenas de crianças palestinas foram mortas na Cisjordânia, diz Unicef

Setenta crianças palestinas foram mortas na Cisjordânia desde janeiro de 2025, com 93% das mortes atribuídas a forças israelenses. A ONU pede medidas imediatas.

Terça, 12 de Maio de 2026 às 14:13, por: CdB

Segundo a ONU, o mês de março registrou o maior número de palestinos feridos por colonos israelenses em pelo menos 20 anos.

Por Redação, com RFI – de Genebra

Setenta crianças palestinas foram mortas na Cisjordânia desde o início das operações israelenses em janeiro de 2025, denunciou nesta terça-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo a agência da ONU, as forças israelenses foram responsáveis por 93% das mortes.

Dezenas de crianças palestinas foram mortas na Cisjordânia, diz Unicef | Na foto, uma moradora palestina do campo de refugiados de Nur Shams caminha com uma criança ao lado de soldados israelenses
Na foto, uma moradora palestina do campo de refugiados de Nur Shams caminha com uma criança ao lado de soldados israelenses

– As crianças estão pagando um preço intolerável em razão da intensificação das operações militares e dos ataques de colonos realizados em toda a Cisjordânia ocupada, inclusive em Jerusalém Oriental – declarou o porta-voz do Unicef, JamesElder, durante entrevista coletiva em Genebra. 

– Entre janeiro de 2025 e hoje, ao menos uma criança palestina foi morta, em média, a cada semana na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém sob controle israelense. Isso representa 70 mortes nesse período – acrescentou. Segundo ele, outras cerca de 850 crianças ficaram feridas no mesmo intervalo, a maioria atingida por balas.

Segundo a ONU, o mês de março registrou o maior número de palestinos feridos por colonos israelenses em pelo menos 20 anos. Elder citou casos de crianças “feridas por balas, esfaqueadas, espancadas e atingidas por spray de pimenta”. 

O porta-voz indicou ainda que, nos quatro primeiros meses do ano, mais de 2.500 palestinos, incluindo 1.100 crianças, foram deslocados na Cisjordânia – número que supera o total de deslocamentos registrados em todo o ano de 2025. Dados recentes mostram também que 347 crianças palestinas estão atualmente em detenção militar israelense por supostas infrações ligadas à segurança, um patamar que não era registrado havia oito anos. 

ONU quer “medidas imediatas” .

O Unicef pediu às autoridades israelenses que “tomem medidas imediatas e decisivas para impedir que outras crianças palestinas sejam mortas ou mutiladas” e apelou para que “Estados com influência usem seu peso para garantir o respeito ao direito internacional”. 

A violência aumentou de forma significativa na Cisjordânia desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do grupo islâmico palestino Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023. Em janeiro de 2025, o Exército israelense lançou uma “operação antiterrorista” voltada principalmente a campos de refugiados palestinos na Cisjordânia.

Sanções da UE

A União Europeia chegou a um acordo na segunda-feira para sancionar colonos extremistas israelenses responsáveis por atos de violência contra palestinos na Cisjordânia. A medida foi adotada sem ampliar, porém, as sanções contra Israel, apesar da pressão de vários Estados-membros. 

O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu denunciando a “falência moral” do bloco. 

As sanções preveem o congelamento de bens na União Europeia e a proibição de entrada no bloco. Elas estavam bloqueadas havia meses por um veto da Hungria e ainda precisam ser formalmente aprovadas pelos 27 países-membros. O acordo inclui também sanções contra dirigentes do grupo islâmico palestino Hamas, igualmente paralisadas até então pelo veto húngaro relacionado às medidas contra os colonos extremistas. 

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