Segundo a ONU, o mês de março registrou o maior número de palestinos feridos por colonos israelenses em pelo menos 20 anos.
Por Redação, com RFI – de Genebra
Setenta crianças palestinas foram mortas na Cisjordânia desde o início das operações israelenses em janeiro de 2025, denunciou nesta terça-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo a agência da ONU, as forças israelenses foram responsáveis por 93% das mortes.

– As crianças estão pagando um preço intolerável em razão da intensificação das operações militares e dos ataques de colonos realizados em toda a Cisjordânia ocupada, inclusive em Jerusalém Oriental – declarou o porta-voz do Unicef, James Elder, durante entrevista coletiva em Genebra.
– Entre janeiro de 2025 e hoje, ao menos uma criança palestina foi morta, em média, a cada semana na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém sob controle israelense. Isso representa 70 mortes nesse período – acrescentou. Segundo ele, outras cerca de 850 crianças ficaram feridas no mesmo intervalo, a maioria atingida por balas.
Segundo a ONU, o mês de março registrou o maior número de palestinos feridos por colonos israelenses em pelo menos 20 anos. Elder citou casos de crianças “feridas por balas, esfaqueadas, espancadas e atingidas por spray de pimenta”.
O porta-voz indicou ainda que, nos quatro primeiros meses do ano, mais de 2.500 palestinos, incluindo 1.100 crianças, foram deslocados na Cisjordânia – número que supera o total de deslocamentos registrados em todo o ano de 2025. Dados recentes mostram também que 347 crianças palestinas estão atualmente em detenção militar israelense por supostas infrações ligadas à segurança, um patamar que não era registrado havia oito anos.
ONU quer “medidas imediatas” .
O Unicef pediu às autoridades israelenses que “tomem medidas imediatas e decisivas para impedir que outras crianças palestinas sejam mortas ou mutiladas” e apelou para que “Estados com influência usem seu peso para garantir o respeito ao direito internacional”.
A violência aumentou de forma significativa na Cisjordânia desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do grupo islâmico palestino Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023. Em janeiro de 2025, o Exército israelense lançou uma “operação antiterrorista” voltada principalmente a campos de refugiados palestinos na Cisjordânia.
Sanções da UE
A União Europeia chegou a um acordo na segunda-feira para sancionar colonos extremistas israelenses responsáveis por atos de violência contra palestinos na Cisjordânia. A medida foi adotada sem ampliar, porém, as sanções contra Israel, apesar da pressão de vários Estados-membros.
O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu denunciando a “falência moral” do bloco.
As sanções preveem o congelamento de bens na União Europeia e a proibição de entrada no bloco. Elas estavam bloqueadas havia meses por um veto da Hungria e ainda precisam ser formalmente aprovadas pelos 27 países-membros. O acordo inclui também sanções contra dirigentes do grupo islâmico palestino Hamas, igualmente paralisadas até então pelo veto húngaro relacionado às medidas contra os colonos extremistas.