Embora os italianos tenham sido localizados, as operações na caverna ainda não foram concluídas.
Por Redação, com ANSA – de Roma
Os corpos dos quatro mergulhadores italianos desaparecidos nas Maldivas foram encontrados no terceiro segmento de uma caverna próxima ao Atol Vaavu, informou o Ministério das Relações Exteriores da Itália nesta segunda-feira.

As Forças de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) anunciaram a localização dos corpos “durante uma operação conjunta conduzida pela Guarda Costeira das Maldivas, pela polícia e por mergulhadores estrangeiros”.
Embora os italianos tenham sido localizados, as operações na caverna ainda não foram concluídas. Segundo a mídia local, novos mergulhos estão programados para permitir a recuperação dos corpos.
Mais cedo, a equipe de mergulho Dan Europe retomou a operação para tentar recuperar os corpos que não retornaram à superfície após a expedição da última quinta-feira a uma caverna a 50 metros de profundidade.
Três mergulhadores finlandeses especializados em cavernas se juntaram aos esforços – Sami Paakkarinen, Jenni Westerlund e Patrik Grönqvist -, enquanto as autoridades locais e italianas aprofundam as investigações sobre a tragédia ocorrida em uma caverna marinha no atol de Vaavu.
Eles iniciaram os trabalhos após um briefing operacional realizado às 9h (horário local) e seguiram de barco, às 11h, para a região de Alimathà, onde ocorreu o acidente. Lá, encontraram os corpos da mergulhadora Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, o biólogo marinho Federico Gualtieri e a pesquisadora Muriel Oddenino.
A quinta vítima, o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, teve o corpo recuperado ainda na sexta-feira.
Para a operação, os especialistas utilizam equipamentos de alta complexidade, incluindo rebreathers — sistemas de respiração de circuito fechado —, mistura gasosa Trimix, composta por nitrogênio, hélio e oxigênio, além de scooters subaquáticas, que auxiliam na navegação em grandes profundidades.
Itália
As autoridades das Maldivas confirmaram que o grupo possuía as licenças necessárias para a expedição científica. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o porta-voz do presidente Mohamed Muizzu, Mohamed Hussain Shareef, afirmou que a autorização, válida entre 3 e 17 de maio, abrangia seis atóis diferentes, incluindo Vaavu, onde ocorreu o mergulho fatal.
Segundo Shareef, no entanto, a proposta apresentada pelos pesquisadores mencionava atividades entre zero e 50 metros de profundidade e não especificava mergulhos em cavernas submarinas. “O principal problema é que se tratava de um mergulho em caverna, e isso aparentemente não foi informado de forma específica”, declarou.
Ele ressaltou ainda que o limite de 30 metros previsto nas normas locais se aplica ao mergulho recreativo. “Pesquisadores podem propor mergulhos mais profundos, e não há legislação específica nas Maldivas que impeça isso”, afirmou.
As circunstâncias exatas da tragédia ainda são desconhecidas. Especialistas acreditam que os mergulhadores podem ter perdido a orientação dentro do complexo sistema de cavernas subaquáticas.
O biólogo marinho Roberto Danovaro, da Universidade Politécnica de Marcas, afirmou à agência italiana de notícias ANSA que o ambiente cavernoso provavelmente preservou os corpos. “As cavernas subaquáticas não são áreas de caça, e os corpos não costumam ser atacados pelas espécies que vivem nesses ambientes”, explicou.
De acordo com ele, a fauna adaptada à escuridão das cavernas marinhas é considerada inofensiva aos humanos e possui enorme valor científico. “Esses ambientes funcionam como registros naturais de longo prazo das mudanças climáticas”, destacou.
Danovaro acredita que o interesse científico pela fauna cavernícola pode ter motivado Montefalcone e sua equipe a explorar a região de Alimathà. “Ela tinha ampla experiência em mergulhos profundos e publicou estudos de relevância internacional. A hipótese mais plausível é que o grupo não tenha conseguido encontrar a saída da caverna”, avaliou.
Outro fator que preocupa os especialistas é a alta temperatura da água. Mesmo a 60 metros de profundidade, as águas das Maldivas podem ultrapassar 25°C, acelerando processos de decomposição.
Enquanto isso, cerca de 20 turistas italianos que estavam a bordo da embarcação “Duke of York” retornaram à Itália no domingo (17). Visivelmente abalados, alguns sobreviventes falaram rapidamente com a imprensa no Aeroporto de Malpensa. “Estamos muito abalados e cansados”, disseram.
Na Itália, a Promotoria de Roma abriu investigação para apurar eventuais responsabilidades e reconstruir os momentos que antecederam o acidente. As autoridades analisam protocolos de segurança, autorizações, registros técnicos e as condições em que a expedição foi conduzida.
Os advogados Antonello Riccio e Gianluigi Dell’Acqua, representantes da família de Gualtieri, pediram cautela nas conclusões preliminares. “Pedimos que não sejam feitas reconstruções precipitadas sem dados objetivos”, afirmaram em nota. Eles também destacaram que Gualtieri possuía treinamento e qualificação adequados para mergulho técnico avançado.
A investigação italiana deverá contar com cooperação internacional para acessar documentos e comunicações relacionadas à viagem. As autoridades locais já analisam celulares e depoimentos de participantes da expedição.
Em resposta ao caso, o Ministério do Turismo das Maldivas suspendeu a licença operacional da embarcação “Duke of York”.