Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Condenado à morte é solto após 41 anos e novo teste de DNA

Aos 71 anos, Douglas Stewart Carter foi libertado sob fiança em Utah após mais de quatro décadas no corredor da morte pela condenação no assassinato de Eva Olesen, ocorrido em 1985.

Terça, 29 de Setembro de 2026 às 11:49, por: CdB

Aos 71 anos, Douglas Stewart Carter foi libertado sob fiança em Utah após mais de quatro décadas no corredor da morte pela condenação no assassinato de Eva Olesen, ocorrido em 1985.

Por Redação, com OESP – de Washington

Após passar mais de 40 anos no corredor da morte, um homem de 71 anos foi solto nesta segunda-feira depois que novas análises de DNA indicaram que ele não tem ligação com o crime. Douglas Stewart Carter foi preso em 1985 pelo assassinato de Eva Olesen, tia de um chefe de polícia. A Justiça de Utah concedeu liberdade sob fiança a Carter, apesar da oposição da família da vítima. Ele terá de usar tornozeleira eletrônica enquanto aguarda um novo julgamento do caso.

Homem condenado a morte é libertado depois de 41 anos após novo exame de DNA

A Suprema Corte estadual determinou a realização de um novo julgamento no ano passado, citando má conduta de investigadores. Carter sustenta que é inocente e afirma que a confissão assinada foi obtida sob coação. Nenhuma prova material o ligava à cena do crime. Ainda assim, o júri o condenou, com base na confissão e no depoimento de duas testemunhas que disseram que ele, um homem negro, “se gabava” de ter matado Olesen, que era branca. As testemunhas voltaram atrás depois.

A análise de DNA recebida em 22 de setembro excluiu Carter como possível fonte do sangue encontrado em uma maçaneta e do material genético recolhido no cabo da faca usada para esfaquear Olesen, que também foi baleada. Na decisão, o juiz distrital diz que os resultados enfraquecem ainda mais a acusação contra Carter, mas que um júri ainda poderia concluir que ele matou Olesen.

O caso

Carter deixou a prisão no fim da noite de segunda-feira, vestindo camiseta branca e calça de moletom cinza, com os óculos pendurados no pescoço. O filho empurrava um carrinho com travesseiros, cobertores e os pertences do pai. Carter não falou com o pequeno grupo de jornalistas do lado de fora e entrou em um veículo com o filho e o advogado de defesa. O juiz o proibiu de ter qualquer contato com a família de Olesen.

Carter ficará em um hotel de estadia prolongada perto de Anger, que foi adotado por outra família ainda bebê e só soube da condenação anos depois, segundo o advogado de Carter, Neal Hamilton. Hamilton disse ainda que Carter precisará de terapia para lidar com o longo período de encarceramento.

– Se dependesse do estado de Utah, ele teria sido executado há 15, 20 anos, antes de descobrirmos a má conduta – afirmou Hamilton. O advogado pediu que a promotoria busque o arquivamento da acusação de homicídio qualificado que ainda pesa contra Carter. Um novo julgamento, com duração prevista de dois meses, estava marcado para o ano que vem, mas na semana passada os promotores do condado retiraram o pedido de pena de morte.

Ainda nesta segunda, o promotor do condado de Utah, Erwin Petilos, disse ao juiz que reavaliar a fiança era “necessário e justo”, enquanto o estado continua analisando as provas restantes do caso.

Nascido em Chicago, Carter morava com a mãe em Utah quando Olesen foi morta, em 27 de fevereiro de 1985. Documentos do tribunal indicam que a investigação se concentrou nele, suspeito de matar Olesen durante um roubo. Em abril daquele ano, Carter fugiu de Utah por acreditar que era suspeito em um caso de agressão sem relação com o assassinato, segundo os documentos. Foi capturado em junho em Nashville, no Tennessee, onde assinou uma confissão durante interrogatório conduzido por um detetive de Provo. Carter disse mais tarde que confessou falsamente depois de ser repetidamente ameaçado pela polícia.

Ele foi condenado à morte em um julgamento no qual a defesa não chamou nenhuma testemunha. Foi sentenciado novamente à morte após um novo julgamento, em 1992, e a Justiça de Utah rejeitou inúmeros recursos nos anos seguintes.

Testemunhas

A virada ocorreu em 2011, quando as duas testemunhas do julgamento original foram localizadas no México. Elas disseram que haviam sido orientadas a mentir no tribunal e que receberam dinheiro e presentes da polícia, que as instruiu a não revelar os pagamentos. Disseram também que policiais e promotores as ameaçaram, e ao filho delas, com deportação caso não incriminassem Carter.

Após mais de uma década de disputas judiciais, no ano passado, a Suprema Corte de Utah determinou novo julgamento, citando “múltiplos casos de má conduta intencional” por parte da polícia e de um promotor.

Uma análise de DNA das provas foi feita em cumprimento a essa decisão, e os promotores disseram que os resultados chegaram na semana passada.

O marido da vítima era suspeito.

Os advogados de defesa de Carter afirmam que testemunhas viram um homem branco fugindo da cena do crime e que um investigador suprimiu provas que apontavam para outros suspeitos, entre eles o marido da vítima, Orla Olesen. Segundo a defesa, os promotores estavam perto de apresentar denúncia contra o marido, mas um tenente da polícia de Provo pediu que não o fizessem, para poder continuar investigando. Pouco depois, Carter foi identificado como suspeito, de acordo com documentos do tribunal.

Orla Olesen, que morreu em 2009, disse à polícia que encontrou a mulher morta em casa, parcialmente despida e com as mãos amarradas às costas.

Theresa Olesen, nora de Eva Olesen, disse durante a audiência sobre a fiança, na segunda, que a família tem “sérias preocupações” com a soltura de Carter. “Meu Deus, nós esperávamos uma correspondência concreta”, disse ela, referindo-se à análise de DNA. “Isso não quer dizer que ele não esteve lá.”

– Só queremos justiça para Eva. E, se ele teve alguma participação, queremos que isso seja conhecido – finalizou.

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