Contrariando quase todas as pesquisas de intenção de voto, o esquerdista Iván Cepeda, 63, aliado do presidente Gustavo Petro, ficou quase três pontos percentuais.
Por Redação, com Reuters – de Bogotá
Nem um mês separou o primeiro turno das eleições da Colômbia, no dia 31 de maio, do segundo, neste domingo. Mas foi tempo suficiente para deixar a população exausta.

— Tenho a impressão de que se trata mais de mensagens de ódio do que de debates lógicos. Isso afeta a convivência dentro do país. Em vez de debatermos, acabamos discutindo por um lado ou pelo outro. E quem não pensa da mesma forma é visto como inimigo — afirmou o arquiteto Diego Jaramillo, 27, de uma praça na zona central de Bogotá, na véspera da votação.
A fadiga é reflexo da fratura revelada na votação do final de maio. Contrariando quase todas as pesquisas de intenção de voto, o esquerdista Iván Cepeda, 63, aliado do presidente Gustavo Petro, ficou quase três pontos percentuais atrás de Abelardo de la Espriella, 47, que chegou a 43,7% dos votos válidos.
Pesquisa
Levantamentos feitos desde então mostram que a tendência se mantém. Ao longo dessas três semanas, o outsider de ultradireita rondou os 50% dos votos, cerca de sete pontos percentuais acima do senador, de acordo com uma pesquisa da empresa brasileira Atlas Intel.
O último levantamento, divulgado no dia 13 de junho, mostrava Espriella com 50,9% dos votos, Cepeda com 43,1% e nulos, brancos e indecisos com 5,9%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O clima lembra o das eleições de outros países da região nos últimos anos —praticamente metade da população apoiando um candidato e horrorizada por seus conterrâneos considerarem a opção contrária. Mas é inédito para os colombianos, que viram uma geração de dirigentes de esquerda ser praticamente dizimada pelo conflito armado de seis décadas no país antes de elegerem seu primeiro presidente progressista em 2022.
— Nas eleições deste ano sinto o desgaste de uma sociedade onde o adversário, seja de esquerda ou de direita, acaba se tornando quase um alvo militar, por assim dizer, não um alvo político — resumiu Jaramillo, que se considera de centro e, no segundo turno, vai votar em Cepeda.