Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

China busca transformar febre dos robôs em trabalho real

Mais de 300 empresas, em sua maioria nacionais, participam da Conferência Mundial de Robótica, que vai até domingo, apresentando mais de 2 mil itens em exposição e lançando mais de 150 produtos, segundo os organizadores.

Quarta, 19 de Agosto de 2026 às 14:40, por: CdB

Mais de 300 empresas, em sua maioria nacionais, participam da Conferência Mundial de Robótica, que vai até domingo, apresentando mais de 2 mil itens em exposição e lançando mais de 150 produtos, segundo os organizadores.

Por Redação, com Reuters – de Pequim

Fabricantes chineses de robôs exibiram máquinas ‌humanóides separando encomendas, embalando celulares e ajudando em tarefas domésticas em uma conferência realizada em Pequim nesta quarta-feira, buscando demonstrar uma mudança das exibições voltadas para o entretenimento do público para um uso comercial mais amplo.

Robôs chineses enfrentam desafio de provar utilidade

Mais de 300 empresas, em sua maioria nacionais, participam da Conferência Mundial de Robótica, que vai até domingo, apresentando mais de 2 mil itens em exposição e lançando mais de 150 produtos, segundo os organizadores.

O evento ocorre em meio a um aumento do interesse dos investidores em robôs humanóides, uma nova fonte potencial ⁠de crescimento industrial para a China e um campo de competição tecnológica com os Estados Unidos.

As ações da Unitree, a fabricante de robôs ‌humanóides mais conhecida da China, dispararam quase seis vezes na estreia na bolsa de Xangai nesta quarta-feira, depois que a demanda dos investidores de varejo pela operação foi superada em mais de 8.000 vezes.

Nvidia

Madison Huang, executiva sênior da Nvidia ‌e filha do presidente-executivo da fabricante norte-americana de chips, Jensen Huang, fez uma ‌visita sem aviso prévio ao evento, observando robôs executarem chutes voadores e coreografias de dança antes de parar em um ⁠estande da companhia para perguntar sobre seus sensores.

Huang, que atraiu curiosos da mesma forma que seu pai em visitas anteriores a Pequim, supervisiona o marketing das plataformas Omniverse e de robótica da Nvidia, softwares usados para simular e testar IA física — sistemas capazes de perceber e agir no mundo real.

Apesar das tensões geopolíticas e das restrições dos Estados Unidos à exportação de chips de IA mais avançados da Nvidia para a China, a visita da executiva destacou o papel dos fornecedores estrangeiros no esforço da China para desenvolver ‌robôs para suas empresas e residências.

A RealSense, fabricante norte-americana de sistemas de visão para robôs e uma das poucas expositoras estrangeiras na conferência, ‌afirmou que está estabelecendo parcerias de vendas na ⁠China à medida que o setor ⁠se desenvolve.

– Vemos a China como um mercado muito estratégico para nós – disse Mike Nielsen, diretor de marketing da empresa. “Ela está se tornando o centro ⁠da tecnologia humanóide.”

Robótica

Na cerimônia de abertura, Xin Guobin, vice-ministro da Indústria ‌e Tecnologia da Informação da China, afirmou ‌que a robótica se tornou “uma força importante” no desenvolvimento econômico e social do país, segundo reportagem da mídia local.

Os robôs chineses estão sendo cada vez mais testados em ambientes de logística, manufatura e serviços.

– Nossos cenários de aplicação mais comuns estão na logística – disse Zhang Dapeng, vice-presidente adjunto da Leju, empresa de robôs humanóides industriais, enquanto sua empresa demonstrava robôs movimentando e ⁠separando caixas e pequenos objetos.

Zhang disse que fábricas europeias e montadoras chinesas estão utilizando robôs da Leju para movimentar caixas e carregar componentes.

No estande da Robotera, um torso humanóide sobre uma base tripé com rodas classificava encomendas. Um representante da empresa disse que o robô estava sendo utilizado nas instalações logísticas dos correios da China desde o ano passado, utilizando o software de IA da Robotera.

Um representante de vendas disse que a Robotera possui mais de 100 ‌robôs de encomendas em 15 armazéns em todo o país.

Demonstrações

Nas proximidades, a DexForce demonstrava robôs humanóides embalando celulares em caixas em uma linha de montagem.Os robôs estão em operação desde o início deste ano em uma fábrica da Lens ⁠Technology, fornecedora chinesa de telas sensíveis ao toque e outros componentes para a Apple e Huawei, disse Nicole Yang, representante da DexForce.

Yang disse que as máquinas têm precisão operacional na ordem de milímetros e são capazes de detectar e corrigir erros, como um celular colocado de forma inclinada.

– Em teoria, os seres humanos são os mais hábeis – disse Yang. “Mas muitos trabalhadores nas fábricas não estão dispostos a realizar esse tipo de trabalho monótono.”

A Lumos Robotics já está usando robôs para automatizar a montagem de módulos-chave em sua fábrica e planeja introduzi-los na montagem final, disse o diretor executivo Yu Chao.

A X Square Robot, conhecida por seu foco em tarefas domésticas, busca ir além de testes curtos de serviços domésticos. A implantação mais longa durou um mês e a empresa está testando robôs em centenas de residências este ano antes da comercialização gradual no ano que vem, disse o cofundador Yang Qian.

Nielsen, da RealSense, disse que as empresas com mais chances de sucesso serão aquelas capazes de colocar robôs em ambientes de produção ativos, acrescentando que o rápido ciclo de desenvolvimento da China está pressionando os fornecedores a agirem mais rapidamente.

– Os ciclos de produto para robôs são mais próximos de seis a oito meses, e não de três a quatro anos – disse ele.

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