Na semana passada, Cepeda cobrou que Espriella renunciasse à nacionalidade norte-americana e esclarecesse se já trabalhou para agências de inteligência dos Estados Unidos.
Por Redação, com Reuters – de Bogotá
Senador colombiano e candidato nas eleições presidenciais colombianas, Iván Cepeda pretende recorrer à desobediência civil para se opor ao presidente eleito Abelardo de la Espriella, ultradireitista que venceu a eleição mais apertada da história recente daquele país sul-americano. Cepeda afirma que Espriella chega ao cargo sob questionamentos ligados à soberania nacional, especialmente pela dupla cidadania colombiana e norte-americana do presidente eleito.

— Espriella já enfrenta graves obstáculos para ser um presidente que defenda nossa soberania nacional. E, por isso, afirmamos que vamos recorrer à desobediência civil — afirmou o senador, em entrevista ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, neste domingo.
Na semana passada, Cepeda cobrou que Espriella renunciasse à nacionalidade norte-americana e esclarecesse se já trabalhou para agências de inteligência dos Estados Unidos. A suposta ligação com órgãos como DEA, FBI, Homeland Security ou CIA, no entanto, não foi comprovada.
Espriella derrotou Cepeda por cerca de 250 mil votos, depois de o candidato de esquerda reduzir no segundo turno uma diferença que havia sido de cerca de 600 mil votos na primeira rodada. Cepeda diz ter recebido 12,7 milhões de votos, resultado que, segundo ele, representa praticamente metade do eleitorado.
Resultado
O senador atribui parte da vitória do adversário a uma “interferência absolutamente direta” do governo dos Estados Unidos e ao apoio do presidente Donald Trump ao presidente eleito. Ao negar que estivesse falando em conspiração, Cepeda citou declarações do presidente Trump: “Fui eu quem influenciou a eleição do candidato Espriella na Colômbia”.
Cepeda também rejeita comparação com líderes que colocaram resultados eleitorais em dúvida sem apresentar provas. Ele lembra que concedeu entrevista coletiva em 24 de junho para aceitar o resultado.
— Nós não colocamos em dúvida o resultado eleitoral. O que estamos colocando em dúvida é que o presidente da Colômbia pode ser um presidente que, em determinadas ocasiões, respeite a Constituição colombiana e, em outras, respeite a Constituição de outro país — concluiu.