A empresa planeja investir cerca de US$ 22,8 bilhões em infraestrutura de IA durante 2026; A Intel e a AMD não conseguem atender à demanda atual por processadores exigida pelos data centers.
Por: Redação, com Xataka – de Pequim
A ByteDance, empresa controladora do TikTok, compra há muitos anos os processadores necessários para seus data centers da Intel e da AMD. Isso está prestes a mudar. A empresa chinesa decidiu que esse modelo chegou ao fim.

Segundo à agência inglesa de notícias Reuters, ela já está desenvolvendo seus próprios processadores para suportar sua infraestrutura de inteligência artificial (IA), em resposta a uma combinação de escassez de suprimentos e aumentos de preços que tornaram sua dependência de fornecedores externos insustentável.
Os aumentos não são insignificantes: a Intel e a AMD elevaram seus preços entre 10% e 35% trimestre a trimestre nos últimos meses, uma pressão considerável para uma empresa que planeja investir cerca de US$ 22,8 bilhões (aproximadamente R$ 115,7 bilhões) em infraestrutura de IA até 2026. No entanto, a causa subjacente não é apenas o preço.
O setor está passando por uma mudança estrutural na forma como a IA é utilizada, indo além da fase de treinamento massivo de modelos dominada por GPUs da Nvidia e entrando na era da inferência.
IA
Esse tipo de carga de trabalho exige muito mais das CPUs, que trabalham em conjunto com as GPUs e se tornaram o novo gargalo da IA. A consequência mais imediata desse cenário é a escassez de processadores que a Intel e a AMD não conseguem suprir.
De fato, a empresa liderada por Lip-Bu Tan alertou seus clientes chineses, ainda segundo a Reuters, que os prazos de entrega serão estendidos em até seis meses. E Lisa Su, CEO da AMD, afirmou que o mercado global de CPUs está sob pressão e que a situação não deve melhorar em curto prazo.
A estratégia da ByteDance envolve o desenvolvimento de duas arquiteturas em paralelo: uma baseada em Arm e a outra em RISC-V, o padrão de código aberto que a China adotou com grande interesse justamente por sua independência de licenças ocidentais.
Projetar duas variantes simultaneamente não é, de forma alguma, um sinal de indecisão: reflete a estratégia usual de grandes empresas de tecnologia de se protegerem antes de se comprometerem com a produção em larga escala de um produto específico.
A ByteDance vem contratando especialistas em chips desde 2022. Em 2024, firmou parceria com a Broadcom para projetar um acelerador de IA personalizado e fabricá-lo usando a litografia de 5 nm da TSMC, conhecido como SeedChip. A produção em massa está prevista para este ano. No entanto, a CPU que está desenvolvendo é uma peça diferente do quebra-cabeça: um processador de uso geral para servidores, não um acelerador especializado.
Mesmo assim, ambas as iniciativas apontam na mesma direção: visam reduzir a dependência de fornecedores externos em um contexto em que as restrições de exportação dos EUA e a volatilidade do mercado tornam essa dependência cada vez mais custosa.
Este momento também é relevante devido ao que está acontecendo na outra ponta do mercado. A Nvidia construiu seu domínio em GPUs, mas agora está entrando no mercado de CPUs com seus processadores Vera, com a intenção de capturar um mercado adicional de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão).
Em março, também apresentou um sistema de inferência desenvolvido com a tecnologia Groq, em uma clara tentativa de consolidar sua posição antes que a fragmentação do mercado de chips de IA erode sua participação. Em todo caso, a ByteDance continua dependendo da Nvidia para suas GPUs, embora já esteja jogando seu próprio jogo.