Em jogo: dois projetos de nação. É hora de dialogar com quem não votou em Lula ou Flávio no 1º turno, comparar os dois projetos, superar as abstenções e conclamar todos às urnas.
Por Railton Nascimento Souza – de Brasília
Trabalhadores e estudantes, vivemos um dos momentos mais desafiadores da história da nossa República. O Brasil está diante de um dilema crucial: continuar se firmando como liderança no Sul Global e na América Latina ou voltar a ser um pária internacional, um mero quintal do Império. A situação é gravíssima e exige de nós reflexão e ação.

O que está em jogo nesse segundo turno? Dois projetos de país.
De um lado, um país soberano, dono de suas riquezas, com ampla participação democrática dos trabalhadores e respeito aos seus direitos. Um país com desenvolvimento, prosperidade, salários valorizados e melhores condições de vida para homens e mulheres.
Do outro, um país colonizado pelos EUA, com o desmonte do Estado Democrático de Direito, agravamento da desigualdade e aumento da miséria. Retirada de direitos dos trabalhadores, desproteção dos mais pobres e avanço da degradação ambiental. Um país que voltará a ser desrespeitado internacionalmente.
Durante muito tempo, trabalharam para dividir o povo.
Desviaram nossa atenção daquilo que é essencial no debate político para polêmicas criadas artificialmente sobre costumes, moral, religião, gênero e sexualidade, colocando-nos do lado de lá e do lado de cá. Mas estamos todos do mesmo lado: queremos uma nação desenvolvida, com trabalho digno, saúde, segurança, educação pública de qualidade e boas condições de vida para nossa família, para nós e para nossos filhos.
O Brasil pode cair de novo nas mãos daqueles que tentaram um golpe de Estado.
Aqueles que tramaram o assassinato de autoridades, que desprotegeram a população durante a pandemia da Covid-19, dificultando o acesso a vacinas e provocando centenas de milhares de mortes evitáveis. Aqueles que zombaram do sofrimento de tanta gente.
Mas o Brasil pode seguir o caminho da prosperidade com Lula.
Lula já provou sua capacidade de trabalho e seu compromisso social com o desenvolvimento do país, com a democracia e com os direitos do povo. Na geopolítica, o Brasil voltou a ser protagonista no BRICS, articulando o Sul Global e defendendo um mundo multipolar. Não à toa, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar define o bloco como “a organização multilateral mais relevante da atualidade”, um espaço que constrói sistemas de pagamento alternativos ao dólar e dá voz a nações historicamente sem assento nas esferas de decisão internacional.
Ou cairá nas mãos de Flávio, da família Bolsonaro.
Que nunca fez nada pelo povo nem pelo trabalhador em toda sua carreira política. Ao contrário, mostrou-se uma pessoa não confiável que, depois de negar, teve provado que negociou 134 milhões de reais com um banqueiro que está na cadeia. Além disso, carrega em sua trajetória a sombra da ligação com as milícias, o mesmo grupo criminoso que domina territórios, extorque moradores e espalha violência em comunidades do Rio de Janeiro.
Brasil
E o que isso significa para o Brasil diante do mundo? Escobar é direto: “O Brasil tem tudo literalmente: petróleo, energia, terras raras e tudo o que o Império precisa. Com um clã avassalado e elites dependentes, o país cai de bandeja no colo deles”. Ou seja: nossas riquezas estratégicas seriam entregues sem resistência. Um governo Flávio teria postura submissa aos interesses dos EUA e de elites econômicas rentistas que só querem espoliar o povo, prejudicando interesses nacionais nas relações econômicas e políticas com outras nações.
E o que isso significa para o nosso futuro?
Significa que uma vitória bolsonarista não seria uma saída formal do BRICS, mas uma sabotagem por dentro. Como alerta Escobar, “vão começar a destruir os BRICS por dentro, incluindo a possibilidade de se autoexpulsarem ou reduzir o papel do Brasil a um mero membro ‘pro forma’”. Enquanto isso, outros países como Rússia e China seguirão construindo a arquitetura multipolar com ou sem o Brasil. O país corre o risco de se tornar “o outsider da história”, virando as costas para o desenvolvimento do Sul Global, da Afro-Eurásia e se trancando no quintal da Doutrina Donroe.
E não para por aí. Um governo Flávio significaria um domínio pleno dos EUA na América do Sul e uma pressão para se impor barreiras a gigantes chinesas atuantes no Brasil, com perda de peso decisório no Itamaraty e submissão às tarifas que Trump quiser impor. Escobar lembra ainda que a CIA atuou por décadas no Brasil, inclusive viabilizando financiamento para a expansão das igrejas fundamentalistas, e que esse investimento agora “está compensando” nas urnas para a direita e extrema-direita. A interferência estrangeira, inclusive nessas eleições, não é teoria da conspiração: é fato que exige investigação das autoridades brasileiras.
É hora de se posicionar publicamente e conclamar todos às urnas.
Conversar com as pessoas na sua família, no trabalho, escola ou universidade. É necessário que superemos as abstenções do primeiro turno, sobretudo da população com mais de 70 anos. Cada voto é essencial. Vamos impedir um futuro de grande sofrimento para o povo brasileiro e para as minorias sociais. Não podemos deixar que o Brasil se torne um vassalo, um quintal do Império, um pária internacional. Vamos juntos, com diálogo e esperança, construir um país mais justo, soberano e próspero para todos.
“A única luta que se perde é a que se abandona.” Encorajados pela força das manifestações estudantis, vamos à luta de cabeça erguida até a vitória!
Referências
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ESCOBAR, Pepe. O Brasil pode sabotar o BRICS por dentro em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Brasil 247 , [S. l.], 6 out. 2026. Entrevistas. Disponível em: https://www.brasil247.com/entrevistas/o-brasil-pode-sabotar-o-brics-por-dentro-em-um-eventual-governo-flavio-bolsonaro-diz-pepe-escobar/. Acesso em: 9 out. 2026.
ESCOBAR, Pepe. O Brasil tem tudo que o Império deseja e pode se tornar vassalo com Flávio Bolsonaro. Brasil 247 , [S. l.], 6 out. 2026. Entrevistas. Disponível em: https://www.brasil247.com/entrevistas/o-brasil-tem-tudo-que-o-imperio-deseja-e-pode-se-tornar-vassalo-com-flavio-bolsonaro-diz-pepe-escobar/. Acesso em: 9 out. 2026.
G1 . Crise de proporções ainda incalculáveis: como a imprensa internacional noticiou conversa de Flávio Bolsonaro e Vorcaro. G1 , [S. l.], 14 maio 2026. Mundo. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/14/crise-de-proporcoes-ainda-incalculaveis-como-a-imprensa-internacional-noticiou-conversa-de-flavio-bolsonaro-e-vorcaro.ghtml. Acesso em: 9 out. 2026.
GUEDES, Octavio. Valor pedido por Flávio Bolsonaro a Vorcaro equivale a 11% do total investido pelo governo do Rio no Banco Master. G1 , [S. l.], 19 maio 2026. Blog do Octavio Guedes. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/blog/octavio-guedes/post/2026/05/19/valor-pedido-por-flavio-bolsonaro-a-vorcaro-equivale-a-11percent-do-total-investido-pelo-governo-do-rio-no-banco-master.ghtml. Acesso em: 9 out. 2026.
OLIVA, Ayelén. Doutrina Donroe: como Trump vê a América Latina, segundo sua estratégia de segurança nacional. BBC News Brasil , [S. l.], 28 dez. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9vjl71kgnno. Acesso em: 9 out. 2026.
Railton Nascimento Souza, é professor de filosofia, presidente do PCdoB Goiânia, presidente da FitraeBC (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Brasil Central) e coordenador-geral da Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino).
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