Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2026

Bombardeio russo corta calefação de prédios em Kiev

Um ataque russo em Kiev cortou a calefação de mais de 5.600 prédios, enquanto temperaturas caem a -14°C. Entenda as consequências e reações.

Terça, 20 de Janeiro de 2026 às 13:59, por: CdB

Moscou lançou 339 drones de combate de longo alcance e 34 mísseis no ataque noturno, segundo a Força Aérea de Kiev.

Por Redação, com CartaCapital – de Kiev

Um ataque russo na madrugada desta terça-feira deixou mais de 5,6 mil prédios residenciais em Kiev sem calefação, enquanto as temperaturas na capital ucraniana rondavam os -14°C.

Bombardeio russo corta calefação de prédios em Kiev | Registro em Kiev em 20 de janeiro de 2026, após um grande ataque russo
Registro em Kiev em 20 de janeiro de 2026, após um grande ataque russo

O bombardeio com centenas de drones e mísseis matou pelo menos um homem de cerca de 50 anos perto da capital.

Jornalistas da agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP) em Kiev ouviram sirenes de ataque aéreo e explosões enquanto os sistemas de defesa ucranianos respondiam aos drones e mísseis.

Marina Sergienko, uma contadora de 51 anos que se abrigou em uma estação de metrô no centro da cidade, está convencida de que os ataques russos têm um objetivo claro.

– Desgastar as pessoas, levar as coisas a um ponto crítico, até que não haja mais forças, quebrar nossa resistência – disse Sergienko à AFP sobre a série de ataques que deixaram milhões de pessoas no escuro e no frio nas últimas semanas.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, criticou duramente o presidente russo, Vladimir Putin.

– O criminoso de guerra Putin continua travando uma guerra genocida contra mulheres, crianças e idosos – disse ele.

O ministro afirmou que as forças russas atacaram a infraestrutura energética durante a noite em pelo menos sete regiões e instou os aliados da Ucrânia a reforçarem seus sistemas de defesa aérea.

– O apoio ao povo ucraniano é urgente. Não haverá paz na Europa sem uma paz duradoura na Ucrânia – declarou ele nas redes sociais.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sugeriu que poderia faltar ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, para lidar com as consequências do ataque.

No entanto, ele deixou em aberto a possibilidade de participar da reunião de líderes mundiais na estação suíça, caso os acordos com os Estados Unidos sobre um possível apoio financeiro e de segurança pós-guerra estejam prontos para ser assinados.

Sem calefação

A Rússia lançou aproximadamente 339 drones de combate de longo alcance e 34 mísseis no ataque noturno, informou a Força Aérea de Kiev.

Zelensky afirmou que a Ucrânia não recebeu um carregamento de munição para sistemas de defesa aérea até o dia anterior ao ataque.

Na madrugada de 9 de janeiro, a Rússia realizou um de seus piores ataques à rede elétrica de Kiev desde a invasão do país, há quase quatro anos.

Esse ataque deixou metade da capital sem calefação e muitos moradores sem eletricidade por dias, sob temperaturas congelantes.

As escolas permanecerão fechadas até fevereiro e a iluminação pública foi reduzida em uma tentativa de conservar energia.

– Após este ataque (na madrugada de terça-feira), 5.635 prédios residenciais estão sem calefação – anunciou o prefeito, Vitali Klitschko, no Telegram.

Grande parte de Kiev também ficou sem água encanada, acrescentou.

– Quase metade de Kiev está sem eletricidade neste momento – confirmou a vice-ministra das Relações Exteriores, Mariana Betsa.

Ataques a outras regiões

Outras regiões da Ucrânia, como Odessa (sul), Rivne (oeste) e Vinnytsia (centro-oeste), também sofreram bombardeios em suas infraestruturas energéticas durante a noite, segundo autoridades locais.

A empresa estatal de energia Ukrenergo anunciou cortes emergenciais de energia para estabilizar o sistema.

Na região de Rivne, mais de 10 mil residências ficaram sem eletricidade, informou a administração regional.

A Rússia bombardeia o sistema energético da Ucrânia desde o início da invasão. Kiev considera isso uma tentativa de minar a moral e enfraquecer a resistência ucraniana.

O Kremlin afirma que ataca apenas instalações militares ucranianas e culpa Kiev pela continuação da guerra por se recusar a aceitar suas exigências.

O Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra dois oficiais militares russos de alta patente pelos ataques à rede elétrica da Ucrânia. Segundo o tribunal, isso constitui um crime de guerra contra civis ucranianos.

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