A liquidação foi decretada um dia depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar a segunda fase da operação ‘Compliance Zero’, que apura a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.
Por Redação, com Reuters – de Brasília
O Banco Central (BC) decretou, nesta quinta-feira, a liquidação da Reag Trust, instituição investigada por participar de suposta ciranda financeira que inflava artificialmente ativos do Banco Master com o uso de fundos de investimento. A empresa financeira também é suspeita de elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Reag tinha R$ 352 bilhões sob administração em novembro, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). No ranking de administradoras, ela aparece na 11ª posição no país.
A liquidação foi decretada um dia depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar a segunda fase da operação ‘Compliance Zero’, que apura a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.
Gestora
Essa nova etapa da investigação teve como alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a parentes dele e a empresários, incluindo Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-dono da Reag – gestora investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado.
Após a operação da PF, a defesa de Mansur disse que não teve acesso a investigação, mas que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Mansur deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração da Reag em setembro de 2025 para conter crise de credibilidade depois da operação ‘Carbono Oculto’.
A Reag foi um dos alvos do ato deflagrado pela PF para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no mercado financeiro. Na ocasião, a Reag negou conexão com o PCC.
Sistemas
“Desde o início das apurações relacionadas à ‘Operação Carbono Oculto’, a Reag tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo informações, documentos e acesso aos seus sistemas sempre que solicitado”, diz a companhia, em nota.
No ato em que determinou a liquidação da Reag, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, nomeou como liquidante a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo, tendo como responsável técnico Antonio Pereira de Souza.
A instituição hoje é denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e se enquadrada no segmento S4 (porte inferior a 0,1% do PIB), representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema financeiro nacional.
Medidas
Em nota, o BC disse que a liquidação foi motivada “por graves violações às normas” que regem as atividades das instituições que integram o sistema financeiro.
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, disse a autoridade monetária, em nota pública divulgada nesta manhã.
A liquidação ocorre quando o BC avalia que a situação financeira da firma é insustentável. Assim, o funcionamento da instituição é interrompido e a empresa é retirada do sistema financeiro nacional. Com a decisão, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis.