Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 2026

BC liquida empresa financeira ligada ao escândalo do Master

Banco Central decreta liquidação da Reag Trust, investigada por inflar patrimônio do Banco Master e suspeita de ligação com o PCC, em meio à Operação 'Compliance Zero'.

Quinta, 15 de Janeiro de 2026 às 20:33, por: CdB

A liquidação foi decretada um dia depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar a segunda fase da operação ‘Compliance Zero’, que apura a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O Banco Central (BC) decretou, nesta quinta-feira, a liquidação da Reag Trust, instituição investigada por participar de suposta ciranda financeira que inflava artificialmente ativos do Banco Master com o uso de fundos de investimento. A empresa financeira também é suspeita de elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

BC liquida empresa financeira ligada ao escândalo do Master | Mansur dirige a Reag Investimentos
Mansur dirige a Reag Investimentos

A Reag tinha R$ 352 bilhões sob administração em novembro, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). No ranking de administradoras, ela aparece na 11ª posição no país.

A liquidação foi decretada um dia depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar a segunda fase da operação ‘Compliance Zero’, que apura a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.

 

Gestora

Essa nova etapa da investigação teve como alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a parentes dele e a empresários, incluindo Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-dono da Reag – gestora investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado.

Após a operação da PF, a defesa de Mansur disse que não teve acesso a investigação, mas que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Mansur deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração da Reag em setembro de 2025 para conter crise de credibilidade depois da operação ‘Carbono Oculto’.

A Reag foi um dos alvos do ato deflagrado pela PF para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no mercado financeiro. Na ocasião, a Reag negou conexão com o PCC.

 

Sistemas

“Desde o início das apurações relacionadas à ‘Operação Carbono Oculto’, a Reag tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo informações, documentos e acesso aos seus sistemas sempre que solicitado”, diz a companhia, em nota.

No ato em que determinou a liquidação da Reag, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, nomeou como liquidante a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo, tendo como responsável técnico Antonio Pereira de Souza.

A instituição hoje é denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e se enquadrada no segmento S4 (porte inferior a 0,1% do PIB), representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema financeiro nacional.

 

Medidas

Em nota, o BC disse que a liquidação foi motivada “por graves violações às normas” que regem as atividades das instituições que integram o sistema financeiro.

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, disse a autoridade monetária, em nota pública divulgada nesta manhã.

A liquidação ocorre quando o BC avalia que a situação financeira da firma é insustentável. Assim, o funcionamento da instituição é interrompido e a empresa é retirada do sistema financeiro nacional. Com a decisão, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis.

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