Jubarte que ficou presa duas vezes no Mar Báltico segue praticamente imóvel sob as águas mesmo após operação para soltá-la de banco de areia.
Por Redação, com DW – de Berlim
O estado de saúde da baleia-jubarte que encalhou na semana passada na costa do Mar Báltico, na Alemanha, piorou nesta segunda-feira, segundo profissionais de resgate envolvidos na operação e o ministro de meio ambiente do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus.

A jornalistas, Backhaus informou que a baleia “mal se moveu” desde que se solou no domingo, após encalhar em um banco de areia na baía de Wismar pela segunda vez enquanto tentava chegar a águas mais profundas.
– São sinais de que a condição dela está piorando. A frequência de respiração diminuiu – disse o ministro.
Com a esperada subida da maré nesta segunda, a expectativa é de que a baleia tenha mais uma chance de se deslocar por conta própria rumo a águas mais profundas, em direção ao Mar do Norte e ao Atlântico. “Isso é melhor do que qualquer ação de resgate”, assegurou Franziska Saalmann, especialista da ONG Greenpeace envolvida na operação.
Especialistas até agora não conseguiram concluir com certeza se a baleia segue imobilizada em razão de seu estado de saúde fragilizado ou se é capaz de agir por conta própria em condições favoráveis.
O diretor acadêmico do Museu Oceanográfico Alemão, Burkhard Baschek, informou que o mamífero só se deslocou por menos de dois metros nas últimas 24 horas, apesar de ter tido uma janela de oportunidade com a movimentação da maré.
A pele do animal também está em más condições, com sinais de infecções secundárias, e ele tem restos de redes de pesca enroscados na boca.
Saalmann, do Greenpeace, disse que ele também estava menos responsivo aos estímulos de seus guardiões. “Quando tentamos reanimá-lo, batendo com nossos remos na água, ele mal reagiu”, observou, “Já não está mais fazendo nenhum ruído. Essa ausência de movimento e reação à nossa presença demonstra que está cada vez mais fraco.”
Caso a baleia-jubarte não se mova mesmo com a maré mais alta, as autoridades avaliarão outras opções.
Baschek disse que, caso o mamífero tenha uma chance clara e simples de escapar, mas não tenha condições de fazê-lo, talvez seja o caso de sacrificá-lo, para pôr fim a seu sofrimento. “Mas ainda não chegamos a esse ponto”, frisou. “Ainda achamos que vai dar certo.”
O ministro Backhaus garantiu que as autoridades não assistirão inertes à morte do animal: “Fazemos tudo que é razoável para ajudá-lo — com cuidado, coordenação e máximo respeito.”
Antes de encalhar pela segunda vez, o mamífero marinho de 13,5 metros havia passado cinco dias preso na baía de Lübeck, perto do balneário de Timmendorfer Strand, a cerca de 40 quilômetros de distância.
Agora apelidado de Timmy, o animal conseguiu se libertar do primeiro banco de areia na sexta‑feira, após dias de intensas tentativas de resgate. As equipes usaram equipamentos de terraplenagem para dragar um canal e permitir que o mamífero, preso também em uma rede de pesca, escapasse.
O drama do animal tem mobilizado autoridades, cientistas e ativistas, e atraiu grande atenção da mídia alemã.
Segundo autoridades alemãs, a baleia perambula sem rumo há cerca de quatro semanas pelo Mar Báltico.
Atlântico
Uma flotilha da polícia marítima alemã acompanha o mamífero e mantém outras embarcações afastadas. Há riscos de que o animal volte a ficar preso nas águas rasas da baía, afirmam os ambientalistas que acompanham o caso.
Grupos de conservação usaram botes infláveis para formar uma espécie de barreira e impedir que Timmy voltasse a entrar em águas rasas, tentando guiá‑lo para áreas mais profundas. A esperança dos socorristas era garantir que ele chegasse ao Oceano Atlântico, seu habitat natural.
Contudo, o caminho tem sido dificultado devido ao estresse do animal, que já está adoecido e cansado, e segue “ziguezagueando” no oceano. Segundo o Instituto de Pesquisa de Vida Selvagem Terrestre e Aquática, não foi possível fixar um dispositivo de rastreamento porque sua pele está muito doente.
Animal adoecido
No domingo, conservacionistas alemães e equipes de emergência se puseram a postos para atuar com velocidade caso o animal volte a encalhar, segundo o biólogo marinho do Greenpeace, Thilo Maack. “Ela precisa ser libertada rapidamente se quiser ter alguma chance”, afirmou.
Na última atualização de seu percurso, o animal foi visto deitado, aparentemente imóvel, soltando apenas ocasionalmente um jato de água para o alto, mas especialistas acreditam que, desta vez, não esteja encalhado. Dezenas de pessoas se reúnem no píer de Wismar na esperança de ver Timmy, cuja tentativa de voltar às águas profundas ganhou enorme repercussão na Alemanha.
Por outro lado, apesar de sua saúde comprometida, o estado nutricional da baleia ainda é considerado bom, indicou ao canal alemão ARD Stephanie Gross, do Instituto de Pesquisa de Vida Selvagem Terrestre e Aquática da Universidade de Medicina Veterinária de Hannover. Baleias‑jubarte podem sobreviver por semanas sem se alimentar.
Mar Báltico
De acordo com a Fundação Alemã para a Conservação Marinha, o Mar Báltico normalmente não abriga baleias de grande porte. A razão mais provável para o aparecimento do animal na área, segundo o Museu Oceanográfico Alemão, é que ela esteja seguindo cardumes de peixes em busca de alimento.
Também é possível que o ruído subaquático esteja afetando sua orientação. As baleias jovens, em particular, gostam de explorar seus arredores. Várias baleias-jubarte foram avistadas na região somente em 2025. Segundo a Fundação Alemã para a Conservação Marinha, belugas, narvais e baleias-minke também foram avistadas no Mar Báltico nas últimas décadas.
O biólogo marinho do Greenpeace, Thilo Maack, afirmou que a pesca é outro problema global para mamíferos marinhos. Estimativas sugerem que cerca de 300 mil baleias e golfinhos morrem em redes todos os anos.
Equipes de resgate conseguiram remover parte da rede do animal nos últimos dias. Mas, segundo Gross, uma parte ainda está presa em sua boca e não pôde ser retirada.