Rio de Janeiro, 27 de Janeiro de 2026

A atribuição de Tarcísio e Feder faz mal para a educação e para a saúde

Por Professora Francisca  – Não acreditei que o governador Tarcísio de Freitas com o seu secretário da Educação, o empresário Renato Feder, pudessem fazer pior.

Terça, 27 de Janeiro de 2026 às 10:22, por: CdB

Não acreditei que o governador Tarcísio de Freitas com o seu secretário da Educação, o empresário Renato Feder, pudessem fazer pior.

Por Professora Francisca – de São Paulo

No ano passado escrevi um artigo sobre a questão da atribuição de aulas no ensino oficial do estado de São Paulo e disse que era a pior atribuição da nossa história. Peço desculpas. Errei. Porque não acreditei que o governador Tarcísio de Freitas com o seu secretário da Educação, o empresário Renato Feder, pudessem fazer pior.

A atribuição de Tarcísio e Feder faz mal para a educação e para a saúde | Renato Feder e Tarcísio de Freitas
Renato Feder e Tarcísio de Freitas

Pois bem. Fizeram. Conseguiram se superar no que há de pior na questão do desrespeito aos profissionais da educação do estado. A atribuição deste ano não é simplesmente a pior da história. É muito mais prejudicial do que isso.

Essa atribuição desrespeita qualquer critério de inteligência e trata as professoras e os professores com um total desrespeito à dignidade humana. O estado de São Paulo despreza a educação pública para beneficiar os tubarões da educação, que financiam campanhas eleitorais de quem os favorece.

Tarcísio de Freitas sabe disso e mantém Feder na Secretaria porque ele atende os interesses eleitoreiros do governador fascista. Desde o início esse governo vem cortando verbas da educação pública e de todas as políticas sociais, inclusive as de segurança e as de cuidados com as mulheres.

Nem mesmo a realização de um concurso público foi capaz de tirar da mente deles a visão puramente empresarial da educação. Vendem escolas, passando dinheiro público para empresas privadas, que, assim, só ganham e a educação só perde em qualidade e os profissionais perdem em condições de trabalho, que em nosso estado são as piores possíveis: são desumanas.

O concurso público não serviu nem para a efetivação dos profissionais que eles chamam de “temporários” e têm contratos vis, sem nenhum direito trabalhista e podem ser demitidos a qualquer momento, sem nenhuma explicação.

Criaram um sistema de avaliação autoritário que deixa nas mãos de diretoras e diretores de escolas — que, por melhores que sejam, são humanos — a avaliação de acordo com critérios subjetivos.

Os concursados

Nós lutamos pela efetivação de todos os concursados aprovados até o preenchimento de todas as vagas necessárias para suprir a demanda. Queremos gestão democrática, com amplo diálogo com todas e todos, uma avaliação criteriosa, objetiva e democrática.

Precisamos de condições de trabalho que nos propiciem aprimorar as nossas aulas, com jornada justa, com a possibilidade de ser feito tudo na escola. Queremos escolas bem estruturadas, salas de aula ambientadas e sem superlotação. E também uma atribuição justa, transparente, honesta e eficiente.

Como Feder gosta de usar semáforo de trânsito para torturar professoras e professores, dou cartão vermelho para eles, nem sequer amarelo, porque no futebol quem apela sem medidas recebe cartão vermelho.

Eles conseguiram piorar o que já estava péssimo e fazem a pior atribuição de aulas da história do estado. A atribuição de Tarcísio e Feder faz mal para a educação e para a saúde.

 

Professora Francisca, é diretora da Secretaria de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, da Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE), secretária-adjunta de Finanças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e diretora da CTB-SP.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

Edições digital e impressa