Diante do avanço da violência de gênero e do conservadorismo, a escola é apontada como espaço central para formar valores de igualdade, respeito e combater o machismo.
Por Professora Francisca – de São Paulo
Mais uma vez a escola é chamada a atuar para mudar a sociedade. Como sempre acontece numa sociedade tão conservadora como a brasileira. Agora, em pleno século XXI, somos chamadas a agir contra a tragédia dos feminicídios porque os homens se acham no direito de pôr fim às nossas vidas para satisfazer o seu ego troglodita.

Com o advento da extrema-direita ao poder, o que certamente deteriorou ainda mais a situação de vida das mulheres, dos LGBTs+, da população negra, enfim da classe trabalhadora.
Como disse Lênin, “o fascismo é o capitalismo em decadência”, mas eles vendem caro essa decadência. E a extrema-direita tem ascendido em várias parte do mundo como resposta à crise do sistema.
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E como todo mundo já sabe, o impacto de toda crise do capital recai com mais força sobre as mulheres. E com o avanço da internet e das redes sociais, a violência contra as mulheres crescem exponencialmente com a misoginia sendo defendida abertamente em muitas plataformas sem nenhuma criminalização.
Por isso, como resposta, é necessário aprofundar o debate para a criação de uma educação antimachista, que desconstrua estereótipos de gênero e defenda o respeito e a igualdade de gênero.
É essencial um novo currículo com uma nova prática pedagógica que coloque as questões de gênero com mais profundidade e respeito à humanidade.
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Educação sexual sem tabus, com respeito à faixa etária das crianças e jovens e o debate amplo, geral e irrestrito das questões podem começar a mudar mentalidades e com isso construir um mundo onde o respeito ao diferente prevaleça.
A sociedade
Mas esse trabalho não deve se restringir à educação formal. É necessário envolver toda a sociedade contra a cultura do estupro, contra todo tipo de violência e, para isso, é fundamental acabar com a ideologia do patriarcado, que insufla a misoginia por uma necessidade do capitalismo em criar inimigos para se manter vigente.
E somente uma educação para a igualdade de direitos de todas as pessoas pode colocar em voga uma cena de paz e de respeito. Muito importante iniciar o combate à violência de gênero dentro das escolas, dando os mesmo espaços e condições de desenvolvimento para as meninas. Inclusive nas aulas de esporte, onde a diferença de tratamento entre os sexos é mais visível.
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Dessa forma, as meninas precisam ter as mesmas condições de protagonismo que os meninos para mostrar seus talentos. São ações necessárias para que as meninas tenham mais segurança e os meninos aprendam a respeitá-las como gostam de ser respeitados. Contra qualquer tipo de violência ou discriminação.
Professora Francisca, é diretora da Secretaria de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, da Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE), secretária-adjunta de Finanças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e diretora da CTB-SP.
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