Planos de Merz para a Ucrânia incluem mais ajuda militar e produção conjunta de drones. “Se a Rússia não for detida, mais cedo ou mais tarde voltará sua máquina de guerra contra nós”, afirmou.
Por Redação, com DW – de Kiev
A Rússia atingiu outra importante ponte em Kiev neste domingo, pouco depois de o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, chegar à capital ucraniana ainda na manhã para uma visita surpresa.

As sirenes de alerta aéreo soaram repetidamente por toda a capital ucraniana, inclusive enquanto Merz se reunia com o presidente Volodymyr Zelensky na Academia Nacional de Ciências, que havia sido atingida por um drone russo na segunda-feira.
Zelensky disse a Merz que os moradores de Kiev estavam enfrentando “noites e dias terríveis” devido aos ataques incessantes.
– Podemos ver neste lugar toda a total falta de sentido desta guerra – observou Merz. “Esses ataques bárbaros contra a população civil da Ucrânia precisam parar. São crimes de guerra cometidos diariamente aqui.”
Segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, o ataque deste domingo danificou a pista da Ponte Norte, uma das várias ligações entre as partes leste e oeste da cidade sobre o rio Dnipro que vêm sendo repetidamente alvejadas nos últimos quatro dias.
Mais cedo, sirenes de alerta aéreo haviam sido acionadas devido à aproximação de drones da cidade.
A visita de Merz ocorre apenas algumas horas depois de o Ministério das Relações Exteriores da Rússia ter advertido diplomatas estrangeiros e outros visitantes a evitarem a capital ucraniana, especialmente instalações militares e prédios governamentais.
– A responsabilidade por quaisquer consequências negativas recai inteiramente sobre aqueles que ignorarem este aviso – dizia um comunicado, que afirmava que os ataques russos eram respostas a “atos terroristas das Forças Armadas da Ucrânia contra a infraestrutura civil de nosso país”.
Alemanha
Merz está acompanhado pela ministra da Economia, Katherina Reiche, e por uma delegação de importantes representantes do setor econômico.
– Se a Rússia não for detida, mais cedo ou mais tarde voltará sua máquina de guerra contra nós – afirmou ele ao chegar de trem.
Espera-se que o premiê alemão anuncie um novo pacote de medidas de apoio à Ucrânia, incluindo mais 1 bilhão de euros (R$ 5,87 bilhões) em ajuda militar, além de 350 milhões de euros (R$ 2,06 bilhões) para reparos no setor energético.
Merz também deverá apresentar planos para a coprodução de drones interceptadores e mísseis de longo alcance tanto na Ucrânia quanto na Alemanha.
O alemão declarou que “a Ucrânia precisará de todo o nosso apoio nas próximas semanas”, à medida que o inverno se aproxima e os ataques russos se intensificam.
– Um quinto inverno de guerra está prestes a começar – disse ele. “A Rússia está bombardeando cidades, prédios residenciais e usinas de energia. Direi hoje ao presidente Zelensky: ‘Você pode contar com a nossa ajuda’.”
Drones
Segundo fontes do governo alemão citadas pelas agências inglesa de notícias Reuters e dpa, a produção de armamentos deverá concentrar-se no desenvolvimento e na entrega de milhares de drones capazes de interceptar os rápidos drones movidos a jato que vêm sendo cada vez mais utilizados pelas forças russas contra infraestruturas civis na Ucrânia.
Também se espera uma ampliação da produção de mísseis com alcance superior a mil quilômetros, reforçando a capacidade da Ucrânia de atingir alvos militares e logísticos muito além da linha de frente e dentro do próprio território russo.
Merz deverá enfatizar que a Alemanha também se beneficiará da cooperação ampliada, tanto em termos de sua própria defesa contra atividades híbridas russas quanto na geração de empregos e no desenvolvimento tecnológico.
O chanceler também deverá discutir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o progresso das reformas políticas na Ucrânia e o combate contínuo à corrupção.
Merz: “Se a Alemanha vacilar, a Ucrânia vacilará”.
A chegada de Merz a Kiev marca a quarta visita de um chanceler alemão à Ucrânia desde o início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.
Seu antecessor, Olaf Scholz, visitou o país duas vezes durante seus três anos de mandato, enquanto o próprio Merz esteve em Kiev pela primeira vez em maio de 2025, apenas quatro dias após assumir o cargo.
– Se nós, na Alemanha, vacilarmos, a Europa vacilará – disse ele na quinta-feira, após conceder o Prêmio Internacional da Paz da Vestfália à Otan e ao seu secretário-geral, Mark Rutte. “E, se a Europa vacilar, a Ucrânia vacilará.”
A Alemanha continua sendo o principal apoiador da Ucrânia, tanto militar quanto financeiramente.
No entanto, as eleições estaduais realizadas em setembro registraram avanços significativos de partidos que criticam os gastos com a Ucrânia: a legenda de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), na Saxônia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, e A Esquerda, de orientação socialista, em Berlim.
Em seu discurso de quinta-feira, Merz criticou em especial “a AfD e seus apoiadores russos” e prometeu à Ucrânia que a Alemanha não se deixaria dividir.