Ao menos duas pessoas morreram e 22 ficaram feridas no ataque desta manhã, segundo as autoridades municipais, em um dos ataques mais intensos.
Por Redação, com Reuters e CartaCapital – de Kiev
A Rússia bombardeou Kiev com ataques de drones nesta quarta-feira, atingindo infraestrutura ferroviária, depósitos e postos de combustível, poucas horas depois de o presidente Volodymyr Zelensky se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, para discutir esforços de paz.

Ao menos duas pessoas morreram e 22 ficaram feridas no ataque desta manhã, segundo as autoridades municipais, em um dos ataques mais intensos desde que a Rússia começou a atacar Kiev e áreas vizinhas nos últimos meses, utilizando drones a jato mais velozes e que voam em altitudes elevadas, o que os torna mais difíceis de interceptar.
Explosões foram ouvidas e nuvens de fumaça se espalharam sobre o centro da cidade.
– Esta é a vista das janelas da Delegação da UE hoje. Prédios nas proximidades estão em chamas – disse Katarina Mathernova, embaixadora da UE na Ucrânia, em uma postagem nas redes sociais.
Zelensky se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à margem da Assembleia Geral da ONU na terça-feira para discutir maneiras de conter o enorme déficit orçamentário da Ucrânia, causado pelo aumento dos gastos militares que o líder ucraniano atribuiu à escalada dos ataques aéreos russos.
Em sua reunião com Trump, Zelensky discutiu um possível cessar-fogo bilateral em alvos relacionados à energia e solicitou um aumento no fornecimento de mísseis de defesa aérea Patriot dos EUA para se defender contra uma esperada campanha russa no inverno contra a infraestrutura elétrica da Ucrânia. Nenhum acordo foi alcançado, segundo ele.
Zelensky disse estar pronto para “qualquer formato” de cessar-fogo no setor energético com Moscou, desde que a Rússia suspenda seus próprios ataques à infraestrutura da Ucrânia.
O Kremlin afirmou na quarta-feira que as condições para futuras negociações de paz com a Ucrânia ainda não estavam reunidas e que não havia planos para reuniões de alto nível.
Sanções
A União Europeia concordou, na terça-feira, em prolongar suas sanções contra a Rússia ao aceitar a contragosto, e apesar das críticas da Ucrânia, as exigências da França e de Luxemburgo, que conseguiram retirar dois oligarcas de sua lista restritiva.
A apenas algumas horas do prazo final, os representantes dos 27 países do bloco renovaram as sanções da UE contra cerca de 3 mil indivíduos e entidades acusados de apoiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
No entanto, dois oligarcas ficarão isentos: os empresários Alisher Usmanov (que também tem nacionalidade uzbeque) e Mikhail Fridman, informaram duas fontes diplomáticas à AFP.
A Letônia concordou em se abster para permitir o acordo, após se opor categoricamente à remoção dos nomes desses oligarcas, acrescentaram as fontes.
Usmanov, um magnata do setor de metais, e Fridman, um empresário do setor bancário, foram incluídos na lista de sanções pouco depois da invasão russa da Ucrânia em 2022 porque, segundo a UE, suas empresas proporcionam receitas importantes ao Kremlin.
A Ucrânia qualificou como “vergonhosa” e “injustificada” a isenção e instou os países do bloco a impor sanções nacionais contra eles.
– A decisão de retirar Usmanov e Fridman da lista é vergonhosa e injustificada. Moscou está feliz por ter obtido o que queria: um sentimento de impunidade, a humilhação da UE e a divisão entre os europeus – declarou o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga, nas redes sociais.
– Faço um apelo a todos os Estados-membros da UE para que anunciem desde já que imporão suas próprias sanções nacionais a esses dois indivíduos – acrescentou.
Entre reuniões na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a decisão é uma “concessão” ao Kremlin.
– Em um momento em que a Rússia executa ataques brutais contra nosso povo – e inclusive agora, durante a Assembleia Geral da ONU, os alertas de ataque aéreo continuam em muitas regiões devido aos drones e mísseis balísticos – os sinais sobre a suspensão das sanções para determinados oligarcas russos são autodestrutivas e contraproducentes – afirmou pelas redes sociais.
Embora oficialmente o governo francês justifique sua demanda de suspensão das sanções contra Usmanov por motivos de “segurança nacional”, segundo o Financial Times o pedido está vinculado a um possível acordo de libertação de cidadãos franceses detidos no Azerbaijão.
Por sua vez, Luxemburgo pede a retirada de Fridman da lista. O magnata reclama 15 bilhões de euros (US$ 17 bilhões, R$ 86 bilhões) do país por ter congelado seus ativos com base nas sanções da UE.
As autoridades luxemburguesas temem que, se apenas Usmanov for retirado da lista e não Fridman, isto conceda argumentos jurídicos favoráveis ao empresário na disputa judicial.
O objetivo da UE é prorrogar por três anos as sanções contra quase 3 mil pessoas e entidades vinculadas à guerra na Ucrânia.
‘Inaceitável‘
Para o chanceler ucraniano, a retirada das sanções contra empresários considerados próximos ao Kremlin “envia um sinal equivocado a Moscou em um momento em que a pressão deve aumentar”.
Zelensky agradeceu à Letônia por “manter a frente jurídica contra a guerra de agressão contra a Ucrânia”.
– Não foi uma decisão entre uma boa solução e uma ruim, mas entre uma ruim e uma muito pior – disse o primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs, sobre a oposição de seu país às isenções.
Logo após o anúncio do acordo, Kulbergs disse que a França tinha aceitado iniciar diálogos sobre a extensão de sua dissuasão nuclear à Letônia e sobre o aumento da presença de sua força aérea no país báltico.
A Rússia pediu, ao contrário, o fim das sanções contra todos os empresários russos.
– Consideramos que as sanções devem ser retiradas, tanto para Usmanov quanto para Fridman e para todos os empresários russos, assim como para todos os cidadãos russos – declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediu na segunda-feira aos países-membros que mantenham as sanções contra a Rússia pela guerra na Ucrânia.
– As sanções são um pilar central de nossa resposta à guerra russa” para impedir o financiamento do conflito, e “precisamos desta estabilidade – declarou Kallas a jornalistas durante a Assembleia Geral da ONU.
A lista da UE inclui sanções a figuras importantes como o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.