Rio de Janeiro, 17 de Março de 2026

Astrônomos detectam sinal de laser a 8 bilhões de anos-luz

Astrônomos detectam um sinal de laser natural a 8 bilhões de anos-luz, um dos eventos mais energéticos já registrados, revelando segredos sobre a formação de galáxias.

Terça, 17 de Março de 2026 às 14:24, por: CdB

Um dos eventos mais energéticos desse tipo já registrados, segundo os cientistas.

Por Redação, com Xataka – de Washington

Astrônomos detectaram um poderoso sinal cósmico vindo de um objeto localizado a cerca de 8 bilhões de anos-luz da Terra. O fenômeno, observado com o radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, pode ajudar os cientistas a compreender melhor como galáxias se formam, evoluem e colidem ao longo do universo.

Astrônomos detectam sinal de laser a 8 bilhões de anos-luz | Sinal de laser vindo do espaço profundo surpreende cientistas
Sinal de laser vindo do espaço profundo surpreende cientistas

O sinal foi captado por uma equipe internacional de pesquisadores da Universidade de Pretória. Segundo os cientistas, trata-se de um dos eventos mais energéticos desse tipo já registrados.

“Laser natural”

A radiação detectada vem de um sistema de galáxias em fusão chamado HATLAS J142935.3–002836. Quando galáxias colidem, enormes nuvens de gás são comprimidas, o que provoca intensa atividade molecular. Esse processo pode gerar emissões amplificadas de micro-ondas.

Os especialistas classificam o fenômeno como um megamaser de hidroxila, uma espécie de “laser natural” no espectro de rádio. Esses masers cósmicos são extremamente brilhantes e podem ser milhões ou até bilhões de vezes mais luminosos do que fenômenos semelhantes observados em regiões menores do espaço.

De acordo com os pesquisadores, a intensidade do sinal detectado é tão grande que ele pode até pertencer a uma categoria ainda mais rara chamada gigamaser, um tipo ainda mais poderoso de emissão cósmica.

Lente gravitacional

A observação só foi possível graças a um fenômeno previsto por Albert Einstein conhecido como lente gravitacional. Nesse processo, a gravidade de uma galáxia situada entre a Terra e o objeto distante curva o espaço-tempo e funciona como uma espécie de lente cósmica, amplificando a luz ou as ondas emitidas.

Isso permitiu que o sinal extremamente distante chegasse à Terra mais forte e detectável pelos radiotelescópios.

Os pesquisadores acreditam que essa técnica poderá revelar centenas ou até milhares de outros sistemas galácticos em colisão, permitindo estudar melhor como essas fusões moldaram o universo ao longo de bilhões de anos.

Essas colisões são comuns na história cósmica. Inclusive, a Via Láctea deve colidir com a galáxia de Andrômeda em cerca de 5 bilhões de anos. Apesar do impacto parecer dramático, os cientistas afirmam que estrelas e sistemas planetários raramente se chocam diretamente, embora a aparência das galáxias mude completamente após a fusão.

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