Estudantes da UFRJ organizam paralisação e denunciam assédio, falhas no bandejão e crise estudantil.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) será palco de uma paralisação estudantil nesta terça-feira, organizada pelo Centro Acadêmico do Instituto de Física (Cafís). O ato está marcado para começar às 7h e terá mobilizações ao longo do dia em diferentes unidades da instituição, segundo informações dos estudantes ao jornal O Dia.

Segundo os organizadores, a manifestação busca denunciar uma série de problemas enfrentados pela comunidade acadêmica, incluindo denúncias de assédio, precarização do restaurante universitário, impactos da greve dos técnicos-administrativos e ausência de políticas de assistência estudantil.
A mobilização prevê concentração principal às 15h em frente à Reitoria, na Cidade Universitária, no Fundão, reunindo estudantes de graduação e pós-graduação de diferentes cursos.
Denúncias
Entre as principais reivindicações está a cobrança por respostas sobre denúncias de assédio envolvendo um professor do Instituto de Matemática.
De acordo com o Centro Acadêmico, estudantes registraram denúncias na Ouvidoria da universidade e também um boletim de ocorrência na Polícia Civil. No entanto, os alunos afirmam que o caso não teve andamento satisfatório.
A coordenadora do Cafís, Waleska Rocha, afirmou que uma das estudantes envolvidas decidiu abandonar o curso após os episódios denunciados.
– O caso gerou enorme mobilização entre os alunos, com manifestações, distribuição de panfletos e cartazes espalhados pelos corredores do instituto – relatou a estudante.
Ainda segundo ela, apesar de o professor ter sido afastado de uma turma, ele continuou ministrando aulas em outros horários, o que provocou novos protestos.
Problemas no restaurante universitário agravam crise.
Outro foco de reclamação dos estudantes envolve o funcionamento do restaurante universitário.
Alunos relatam falta frequente de alimentos, atraso nos pagamentos de funcionários terceirizados e episódios recorrentes de refeições servidas em condições inadequadas.
Segundo denúncias apresentadas pelo movimento, estudantes já encontraram larvas e outros objetos nas refeições servidas no bandejão.
Além disso, há registros de falta de talheres e períodos de desabastecimento, prejudicando principalmente alunos em situação de vulnerabilidade social.
Para muitos estudantes, a alimentação oferecida pela universidade representa a principal refeição diária.
Greve de técnicos afeta bibliotecas e bolsas.
A paralisação também destaca impactos da greve dos técnicos-administrativos, motivada por atrasos salariais.
Segundo os estudantes, desde o início do período letivo, em março, bibliotecas seguem fechadas, impossibilitando empréstimos de livros e restringindo espaços de estudo.
O movimento também denuncia problemas administrativos, como suspensão de matrículas, atraso no pagamento de bolsas e ausência de editais para concessão de auxílios estudantis.
De acordo com o Cafís, a Pró-Reitoria de Políticas Estudantis ainda não apresentou respostas efetivas às demandas dos alunos.
Paralisação
A programação da paralisação será descentralizada, com atividades organizadas por centros acadêmicos em diferentes cursos.
Entre as unidades envolvidas estão Escola de Belas Artes, Instituto de Geografia, Instituto de Física e outros campi da universidade.
Também estão previstos piquetes e atos em prédios localizados na Cidade Universitária, Praia Vermelha e no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS).
Segundo os organizadores, 98 cursos aderiram ao movimento.
A UFRJ foi procurada para comentar as denúncias e questionamentos apresentados pelos estudantes. Até a última atualização desta reportagem, não havia retorno oficial da universidade.