O longa-metragem intercala declarações e imagens da época com a execução das 10 faixas do disco.
Por Redação, com CartaCapital – do Rio de Janeiro
Lançado em 1976, o álbum Alucinação, o segundo da carreira de Belchior, completa 50 anos. Daquele inesquecível repertório de dez faixas — todas compostas pelo cantor e compositor cearense, falecido em 2017 —, mais da metade se transformou em clássico absoluto da música popular brasileira: Apenas um Rapaz Latino-Americano, Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais, Sujeito de Sorte, A Palo Seco e Fotografia 3 x 4.

O sucesso estrondoso e perene dessas canções não aconteceu por acaso. Elas traduzem com crueza a essência da vida comum, transbordando desejos de mudança, sonhos, conflitos existenciais e o peso de enfrentar a dura realidade.
Para celebrar esse marco, o documentário Alucinação (74 min., 2026), de Renato Terra, Marcos Caetano e Leonardo Caetano, une imagens que ecoam a franqueza e o realismo das letras do disco. O material é entremeado por declarações do próprio Belchior sobre suas composições e por depoimentos de figuras marcantes daquele turbulento Brasil dos anos 1970, sob a ditadura.
O filme faz sua estreia mundial na seção Première Brasil do Festival do Rio:
Segunda-feira 5 de outubro, às 16h30, no Cine Odeon (Praça Floriano, 7, Centro), sessão seguida de debate com a equipe do filme; e
Terça-feira 6 de outubro, às 21h15, no Cinesystem Botafogo (Praia de Botafogo, 316, Botafogo).
Brasil
Mais que um apanhado de sucessos, Alucinação funciona como uma narrativa sobre o Brasil vista sob a ótica singular de Belchior, costurando referências filosóficas, os dilemas da juventude, a experiência do migrante nordestino — condição que ele próprio vivenciou — e as dores do cotidiano. O inconformismo e a aspereza que marcam a poesia do artista guiam também a atmosfera do documentário.
As faixas do álbum se revelaram atemporais. O longa captura essa condição ao colocar em diálogo o som do disco e uma cuidadosa pesquisa visual ancorada na estética da década de lançamento. Adotar o formato de executar o álbum na íntegra eleva a experiência, valorizando a história contada e conduzindo o espectador a uma profunda reflexão embalada pela genialidade de Belchior.