Ministro da Defesa alemão diz que conflito não tem nada a ver com a Otan e que Berlim não tem planos de enviar navios para reabrir Estreito de Ormuz, apesar de pressão de Donald Trump por envio de ajuda.
Por Redação, com DW – de Berlim
O governo da Alemanha rejeitou explicitamente se envolver no conflito no Irã, após o presidente dos EUA, Donald Trump, pedir ajuda de países aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz.

– Não é nossa guerra, nós não a começamos – disse nesta segunda-feira, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius. Segundo o ministro, o conflito, que foi iniciado no final de fevereiro pelos EUA e Israel, não tem relação com a aliança militar da Otan.
– Queremos soluções diplomáticas e um fim rápido, mas mais navios de guerra na região certamente não contribuirão para isso – disse Pistorius. “O que é que (…) Donald Trump espera que um punhado de fragatas europeias façam no Estreito de Ormuz que a poderosa Marinha dos EUA não consiga fazer?”, questionou o ministro.
Mais cedo, um porta-voz do governo do chanceler federal alemão Friedrich Merz também fez declarações nesse sentido. “Esta guerra não tem nada a ver com a Otan. Não é uma guerra da Otan”, afirmou o porta-voz Stefan Kornelius. “A Otan é uma aliança defensiva, uma aliança para a defesa do seu território”, acrescentou.
Pedido de Trump
No sábado, Trump pediu assistência de países aliados e até da rival China para reabrir o Estreito de Ormuz, rota crucial do mercado global de energia, por onde passa 20% do petróleo produzido no mundo. O estreito, que fica diante da costa do Irã, foi declarado fechado pelo regime de Teerã após o início da ofensiva dos EUA e Israel e desde então vários navios foram atacados na região.
No domingo, foi a vez de Trump usar um tom mais ameaçador para conseguir assistência, afirmando que seus aliados da Otan enfrentariam um “futuro muito sombrio” caso se recusassem a ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz.
Especialistas têm apontado que os EUA parecem ter subestimado a capacidade de retaliação do Irã e a disposição do regime de lançar um bloqueio sobre Ormuz como forma de contrapressão. Desde o início do bloqueio, o preço do petróleo tem aumentado e diversos países do Golfo Pérsico se veem impedidos de exportar combustível.
Recusa de aliados
O apelo de Trump para que aliados enviem navios também já foi descartado pela França e Itália.
Falando ainda sobre a decisão do governo alemão de não participar, o porta-voz Kornelius disse que não haverá assistência enquanto o conflito persistir. “Enquanto essa guerra continuar, não haverá envolvimento, nem mesmo na opção de manter o Estreito de Ormuz aberto por meios militares”, disse Kornelius.
– Gostaria também de lembrar que os EUA e Israel não nos consultaram antes da guerra, e que Washington declarou explicitamente, no início da guerra, que a assistência europeia não era necessária nem desejada – acrescentou o porta-voz Kornelius.
Na eclosão do conflito, há pouco mais de duas semanas, o governo Merz se mostrou inicialmente mais aberto à ofensiva conjunta dos EUA e Israel, em contraste com outros países europeus, como a França ou a Espanha. Merz chegou a afirmar no início de março que ele e Trump “estavam na mesma página” sobre a necessidade de uma mudança de regime no Irã.
No entanto, à medida que o conflito começou a dar sinais de que pode se arrastar e os riscos econômicos começaram a ficar mais claros, Merz recuou e passou a se mostrar mais crítico, afirmando a líderes aliados que Trump não parece ter uma estratégia definida sobre como acabar com o conflito.