Rio de Janeiro, 23 de Junho de 2026

Violência contra idosos cresce e passa de 180 mil no ano passado

Estudo revela que a violência contra idosos cresceu em 2025, com mais de 180 mil denúncias, a maioria ocorrendo no ambiente familiar. Entenda os dados alarmantes.

Segunda, 22 de Junho de 2026 às 14:11, por: CdB

Levantamento revela aumento das denúncias em 2025 e mostra que a maioria das agressões ocorre dentro da própria casa das vítimas.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A violência contra a população idosa continua crescendo no Brasil e, mais uma vez, tem origem principalmente dentro do ambiente familiar, informa o diário conservador carioca O Globo. Dados atualizados do Mapa da Violência contra a Pessoa Idosa no Brasil, divulgado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) durante a semana do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, revelam que filhos e filhas seguem sendo os principais responsáveis pelas agressões registradas no país.

Violência contra idosos cresce e passa de 180 mil em 2025

O levantamento contabilizou 180.004 denúncias de violência contra idosos em 2025, número que supera o total registrado no ano passado, quando foram notificadas mais de 179 mil ocorrências. Entre os casos denunciados neste ano, 55% apontam filhos ou filhas como autores das agressões.

A pesquisa foi coordenada pela professora de Enfermagem da UFF, Alessandra Camacho, e analisou diferentes formas de violência praticadas contra pessoas idosas, incluindo negligência, abandono, violência psicológica, agressões físicas e abusos financeiros e patrimoniais.

Segundo a pesquisadora, o dado mais preocupante continua sendo a predominância das agressões dentro do próprio ambiente doméstico.

“O dado mais alarmante é que a maior parte das agressões continua ocorrendo na casa da própria vítima e sendo praticada pelos próprios filhos. O lar, que deveria ser um espaço de proteção, acaba se tornando um lugar de medo para muitos idosos”, afirma Alessandra ao Globo.

Dentro de casa

Os resultados reforçam uma realidade que especialistas vêm apontando há anos: a violência contra idosos costuma ocorrer longe dos olhos da sociedade e, muitas vezes, é praticada por pessoas próximas da vítima.

A residência da pessoa idosa permanece como o principal cenário das agressões, o que dificulta a identificação dos casos e contribui para a subnotificação. Além das agressões físicas, situações de negligência, abandono e violência psicológica seguem entre os registros mais frequentes.

Outro fator que preocupa os pesquisadores é o abuso financeiro. Muitos idosos são vítimas de apropriação indevida de aposentadorias, pensões e patrimônio por familiares ou pessoas responsáveis por seus cuidados.

Embora os números oficiais já sejam elevados, os responsáveis pelo estudo alertam que a realidade pode ser ainda mais grave. Isso porque grande parte dos episódios não chega ao conhecimento das autoridades por medo, dependência emocional, dependência financeira ou receio de romper vínculos familiares.

As mulheres e idosos mais velhos são as principais vítimas.

O estudo mostra que as mulheres continuam sendo as maiores vítimas da violência na terceira idade. Elas representam 63,44% das denúncias registradas em 2025.

Já em relação à faixa etária, os idosos com 80 anos ou mais concentram o maior percentual de notificações, respondendo por 24,01% dos casos.

Para os pesquisadores, o avanço da idade aumenta a vulnerabilidade devido à maior dependência física, cognitiva e emocional, fatores que podem facilitar situações de abuso e negligência.

Agressores

Uma das novidades identificadas pelo levantamento deste ano foi a alteração no perfil dos autores das agressões.

Pela primeira vez desde o início da série analisada, as filhas aparecem em número ligeiramente superior aos filhos entre os responsáveis pelos casos denunciados.

Embora a diferença seja pequena, os pesquisadores consideram o dado relevante por indicar mudanças nas dinâmicas familiares e nos contextos de cuidado da população idosa.

Sudeste concentra mais da metade dos registros.

A pesquisa também aponta desigualdades regionais na distribuição das denúncias.

O Sudeste lidera com ampla margem, concentrando 51,67% de todas as notificações registradas no país em 2025. Em seguida aparecem o Nordeste, com 20,67%, e o Sul, com 14,49%.

Os pesquisadores destacam que esses números podem refletir tanto o tamanho da população idosa dessas regiões quanto diferenças na estrutura de proteção social, na conscientização da população e nos mecanismos de denúncia disponíveis.

Niterói

Os dados ganham destaque especial em Niterói, município que possui uma das maiores proporções de idosos do Brasil.

Segundo o Censo do IBGE, 23,8% dos moradores da cidade têm 60 anos ou mais, o equivalente a mais de 114 mil pessoas.

Dentro da programação do Junho Violeta, campanha voltada à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa, a Prefeitura de Niterói promoveu na semana passada um evento no Caminho Niemeyer para debater estratégias de proteção, prevenção e fortalecimento da rede de atendimento.

Durante o encontro, especialistas chamaram a atenção para sinais que podem indicar situações de violência, como isolamento repentino, medo excessivo de familiares ou cuidadores, falta de cuidados básicos, lesões sem explicação aparente e movimentações financeiras consideradas atípicas.

O secretário municipal da Pessoa Idosa e Envelhecimento Saudável de Niterói, José Antonio Toro Fernandez, conhecido como Zaf, reforçou a importância da participação da sociedade na identificação e denúncia desses casos.

– Em caso de suspeita ou confirmação de violência, denuncie pelos canais competentes. Proteger a pessoa idosa é um dever de todos nós – afirmou durante o evento.

Desafio crescente com o envelhecimento da população.

O avanço do envelhecimento populacional brasileiro torna o combate à violência contra idosos um desafio cada vez mais urgente para gestores públicos, profissionais de saúde e órgãos de proteção social.

Especialistas defendem a ampliação de políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável, ao fortalecimento dos vínculos familiares, à assistência social e à orientação dos cuidadores, além da intensificação das campanhas de conscientização.

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