Líder em emplacamentos, modelo reúne motores flex, híbrido-leve e diesel para atender trabalho, rotina urbana e viagens
Por Sérgio Dias – de São Paulo
A transformação do mercado brasileiro de picapes passa pela ampliação das funções atribuídas a esse tipo de veículo. Modelos antes associados principalmente ao transporte de carga passaram a dividir espaço com automóveis usados diariamente nas cidades, em viagens e nas atividades familiares. A Fiat Toro chega à linha 2027 dentro desse cenário, com seis versões e três propostas de motorização, incluindo pela primeira vez o sistema híbrido-leve de 48 volts.

Os emplacamentos mostram o espaço ocupado pelo modelo nessa disputa. De janeiro a julho, a Toro registrou 31.700 unidades, mais que o dobro das 14.351 da Ram Rampage, segunda colocada no levantamento. Chevrolet Montana aparece com 10.215 registros, Renault Oroch com 6.452 e Ford Maverick com 2.614. A diferença coloca a renovação da Toro diante de um desafio particular: incorporar novas tecnologias sem abandonar os diferentes usos que sustentaram sua presença no mercado brasileiro.
A linha 2027 é formada por Endurance Flex, Freedom Flex, Volcano T270 MHEV, Ultra T270 MHEV, Volcano Diesel e Ranch Diesel. Volcano e Ultra passam a utilizar o sistema híbrido-leve associado ao motor Turbo 270, enquanto as duas configurações diesel mantêm o 2.2 turbodiesel de 200 cv e 450 Nm. Foi justamente a Ranch Diesel, equipada também com transmissão automática de nove marchas e tração 4×4, que avaliei.
Cidade e estrada
Minha experiência começou nas atividades cotidianas em São Paulo e avançou depois pelas rodovias do Estado. Passei por Atibaia, Campinas e Itatiba e também fui até Praia Grande, no litoral. Trânsito urbano, deslocamentos curtos, estradas e serra permitiram observar como uma picape capaz de transportar mais de uma tonelada se comporta quando boa parte de sua utilização não envolve carga.

Na cidade, os 4,954 metros de comprimento exigem atenção em garagens e vagas, característica inerente a um veículo desse porte. Direção com assistência elétrica, sensores e recursos eletrônicos ajudam nas manobras. A suspensão independente McPherson na dianteira e multilink na traseira também interfere diretamente nessa convivência, principalmente quando a caçamba está vazia.
Foi durante o Dia dos Pais que essa relação entre trabalho e utilização familiar apareceu de outra maneira. Eu estava com a Toro Ranch e meu pai pôde acompanhar alguns dos deslocamentos comigo. Bancos revestidos em couro, climatização, espaço da cabine, central multimídia de 10,1 polegadas e sistemas de assistência fizeram parte de uma situação cotidiana que pouco tem a ver com a imagem tradicional de uma picape destinada exclusivamente à carga.
Diesel mantém função
Nas rodovias, o motor 2.2 turbodiesel passou a mostrar por que continua presente mesmo com a chegada da eletrificação à linha. Os 450 Nm estão disponíveis a 1.500 rpm e ajudam principalmente nas retomadas e ultrapassagens. A transmissão automática de nove marchas administra o funcionamento do conjunto conforme velocidade e demanda de aceleração, sem exigir intervenções frequentes.

Nos deslocamentos por Atibaia, Campinas e Itatiba, valorizei justamente essa disponibilidade de torque e a possibilidade de percorrer distâncias maiores mantendo velocidade de cruzeiro. O consumo homologado pelo PBEV é de 10,5 km/l na cidade e 13,6 km/l em estrada. O tanque comporta 60 litros, combinação que reduz a frequência das paradas para abastecimento em viagens.
A ida até Praia Grande acrescentou descidas, subidas e alterações constantes de ritmo. A Ranch dispõe de seletor de tração 4WD, controle de descida e 198 mm de distância livre do solo com o veículo vazio. A proposta permite que o mesmo automóvel utilizado durante a semana em centros urbanos disponha de recursos adicionais quando encontra terrenos ou condições de aderência diferentes.
Tecnologia chega junto
Essa multiplicidade de funções também explica a presença crescente de sistemas eletrônicos nas picapes. A linha Toro 2027 passa a oferecer assistência ao motorista de série, com alerta de colisão e frenagem automática e assistente de permanência em faixa. Na Ranch, sensor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado traseiro complementam o pacote.
A versão avaliada oferece ainda central multimídia de 10,1 polegadas, carregador de celular sem fio, entrada e partida sem chave, sensor de chuva, espelho interno eletrocrômico, freio de estacionamento eletrônico e Fiat Connect////Me. A capacidade de carga chega a 1.010 kg e a caçamba comporta 937 litros, números que mantêm a função de transporte mesmo com a incorporação de equipamentos associados ao uso pessoal.
A Toro chega, portanto, a uma década de mercado enquanto a própria definição de picape intermediária continua mudando. A nova possibilidade híbrida-leve atende à busca por redução de consumo e emissões nas versões flex, enquanto o diesel permanece direcionado a consumidores que valorizam torque, autonomia e tração integral. A existência das duas soluções dentro da mesma gama mostra que a transição tecnológica do setor automobilístico brasileiro não ocorre por um único caminho.
Escolha pelo uso
Ao concluir minha avaliação da Fiat Toro Ranch 2027, três pontos ficaram em evidência. O primeiro é o conjunto formado pelo motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e 450 Nm e pela transmissão automática de nove marchas. O segundo é a possibilidade de conciliar capacidade de carga de 1.010 kg com uma cabine adequada também à utilização familiar, algo que pude perceber no Dia dos Pais ao viajar com meu pai. O terceiro está na combinação entre tração 4×4 e sistemas de assistência e segurança. Como ponto que pode melhorar, considero que os 4,954 metros de comprimento e o diâmetro de giro de 12,3 metros exigem mais atenção em garagens e espaços urbanos reduzidos. Depois de utilizá-la na capital, no interior e no litoral, percebi que a Ranch ajuda a explicar a liderança da Toro: sua proposta permite que trabalho, rotina e viagem façam parte da utilização de um mesmo veículo.