O esquema montado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso atualmente enquanto articula uma delação premiada, mobilizou uma ofensiva internacional para tentar salvar o banco.
Por Redação – de Brasília
O escândalo do Banco Master, ao longo dos últimos meses, tem exposto uma complexa rede de conexões com empresários, intermediários internacionais, operadores financeiros e figuras políticas de alto escalão. Agora, no entanto, o principal destaque ficou mesmo para o ex-presidente de facto Michel Temer.

O esquema montado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso atualmente enquanto articula uma delação premiada, mobilizou uma ofensiva internacional para tentar salvar o banco, já pressionado pelo Banco Central (BC) e sob suspeita de irregularidades. O esforço incluiu contatos com investidores árabes e russos; negociações em Dubai e Abu Dhabi e a participação direta de Temer.
Documentos obtidos por repórteres do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo e divulgados nesta terça-feira mostram que, mesmo após a liquidação do banco, houve a assinatura de contratos envolvendo a gestora árabe Royal Capital e a empresa brasileira Fictor.
Investidores
A operação, no entanto, nunca se concretizou. O contrato não produziu efeitos, e dias depois a Fictor entrou em recuperação judicial, alegando uma crise provocada por saques em massa de investidores após o escândalo do Master. O nome de Michel Temer surge, então, como peça-chave, após ser acionado por Vorcaro para facilitar contatos com investidores do Oriente Médio.
Temer chegou a viajar a Abu Dhabi, onde participou de reuniões com o sheik Abdullah Bin Rashid Al Mualla, membro da família real dos Emirados Árabes Unidos. Segundo os documentos e apurações, Temer recebeu R$ 10 milhões do Banco Master, conforme dados de quebra de sigilo fiscal.