Telescópio espacial da Agência Espacial Europeia identificou núcleos galácticos que existiam quando o universo tinha apenas cerca de 5% de sua idade atual, incluindo os mais antigos e mais distantes já registrados.
Por Redação, com DW – de Bruxelas
Um estudo publicado nesta segunda-feira revelou que o telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), alcançou um marco científico histórico ao identificar 31 núcleos galácticos primitivos (quasares) – que existiam quando o universo tinha apenas cerca de 5% de sua idade atual. Entre eles estão os dois quasares mais antigos e mais distantes já registrados, com aproximadamente 13 bilhões de anos.

Graças à sua avançada tecnologia de observação no infravermelho, o observatório espacial conseguiu realizar esse levantamento populacional de objetos e superar a limitação anterior, que permitia detectar apenas os exemplares mais brilhantes. Os resultados do estudo, que representam um avanço significativo na compreensão do universo primitivo, foram publicados na revista científica Astronomy & Astrophysics.
Trilhão de sóis
Dos 31 gigantescos e brilhantes quasares descobertos, alimentados por enormes buracos negros, dois são os mais antigos já observados. Eles brilhavam com a intensidade de um trilhão de sóis quando o universo tinha apenas 670 milhões de anos, cerca de 5% de sua idade atual.
Os quasares representam uma breve fase da vida de uma galáxia, durante a qual grandes quantidades de matéria espiralam em direção ao buraco negro supermassivo localizado em seu centro, liberando quantidades gigantescas de energia. Nessa etapa, o núcleo da galáxia torna-se mais brilhante do que qualquer outro objeto do universo, frequentemente superando o brilho do restante da galáxia hospedeira por centenas ou até milhares de vezes.
Muitos dos novos quasares descobertos pelo Euclid apresentam um desvio para o vermelho de 7 ou mais, indicando que estão mais distantes e, portanto, mais recuados no tempoFoto: ESA/Euclid/Euclid Consortium/NASA, image processing by the Euclid Science Ground Segment and Antoine Basset (CNES)
Objetos raros
Há décadas os cientistas buscam os primeiros quasares do universo, pois eles fornecem informações valiosas sobre o que acontecia nos primórdios do cosmos, incluindo a formação dos primeiros buracos negros supermassivos e das primeiras galáxias. No entanto, os núcleos galácticos dessa época são extremamente difíceis de encontrar.
Segundo a ESA, eles são raros porque poucas galáxias tiveram tempo suficiente para crescer e alcançar o tamanho necessário. Além disso, sua luz primordial é muito fraca e pode ser facilmente confundida com a de estrelas mais próximas.
Lançado em 2023, o telescópio Euclid vem explorando essa fase misteriosa da história do universo. Graças às suas observações, foi possível descobrir esses quasares primordiais, originados nos primeiros tempos cósmicos.
Daming Yang, pesquisador da Universidade de Leiden, na Holanda, e principal autor do estudo, afirma que encontrar e analisar esses objetos permite “compreender melhor como esses enormes sistemas se formaram e cresceram tão rapidamente, um dos maiores mistérios da astrofísica”.
Pista sobre formação de buracos supermassivos.
“Esses objetos [quasares] fornecem as melhores pistas para entender como os buracos negros supermassivos se formam”, afirmou Joseph Hennawi, professor de Física da Universidade de Leiden e da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Ele observou que esses “monstros”, cuja massa pode ser bilhões de vezes maior que a do Sol, já existiam quando o Universo ainda estava em seus primórdios. “Ainda não compreendemos totalmente como eles conseguiram crescer tanto e tão rapidamente”, destacou.
Os astrônomos procuram há décadas os primeiros núcleos galácticos do Universo. Entretanto, os quasares que surgiram antes de 770 milhões de anos após o Big Bang são extremamente raros e difíceis de detectar. Poucas galáxias haviam crescido o suficiente para gerar um desses objetos e, mesmo quando isso ocorria, sua luz era tão fraca que frequentemente se confundia com sinais emitidos por estrelas muito mais próximas da Terra.