Rio de Janeiro, 13 de Março de 2026

Tambor sagrado retorna à Costa do Marfim após décadas na França

O tambor Djidji Ayokwe, saqueado em 1916, retorna à Costa do Marfim após décadas na França, marcando um momento histórico para a cultura Atchan.

Sexta, 13 de Março de 2026 às 14:40, por: CdB

O tambor Djidji Ayokwe foi tomado por tropas coloniais francesas em 1916. Artefato é o primeiro a retornar ao país após aprovação de legislação pelo Parlamento francês.

Por Redação, com DW – de Paris

O “tambor falante” Djidji Ayokwe, que foi saqueado por tropas coloniais francesas em 1916 e levado para a França, retornou à Costa do Marfim nesta sexta-feira, na mais recente repatriação de artefatos roubados. O tambor de madeira tem mais de três metros de comprimento e pesando 430 quilos.

Tambor sagrado retorna à Costa do Marfim após décadas na França | Tambor falante do povo Atchan passará por um período de aclimatação antes de ser exibido no Museu das Civilizações, em Abidjan
Tambor falante do povo Atchan passará por um período de aclimatação antes de ser exibido no Museu das Civilizações, em Abidjan

Ele era utilizado pelo povo Atchan, nativo do sul da Costa do Marfim, para alertar a população local sobre as operações de trabalho forçado realizadas pelos colonizadores e para mobilizar combatentes.

A entrega oficial ocorreu em 20 de fevereiro, após o parlamento francês ter aprovado a retirada da peça das coleções do museu nacional para possibilitar sua devolução. A Costa do Marfim havia solicitado, no final de 2018, a devolução do Djidji Ayokwe, entre 148 obras de arte levadas durante o período colonial.

Chefes tradicionais, usando coroas e correntes de ouro, reuniram-se na sexta-feira no principal aeroporto da Costa do Marfim para dar as boas-vindas ao primeiro artefato devolvido ao país da África Ocidental pela França.

– É um dia histórico, e estou profundamente emocionada – afirmou Françoise Remarck, ministra da Cultura e da Francofonia da Costa do Marfim, durante a cerimônia, que foi acompanhada por canções tradicionais e danças de guerra.

– Depois de uma longa ausência longe de sua terra, nosso tambor sagrado está finalmente voltando para o seu povo – disse Aboussou Guy Mobio, chefe da aldeia de Adjamé-Bingerville. “É como se uma peça que faltava na nossa história estivesse voltando”, acrescentou Mobio.

Os tambores falantes são instrumentos de pressão em forma de ampulheta, concebidos para imitar o tom, o timbre e o ritmo da fala humana. O Djidji Ayôkwé tem 4 metros de comprimento e 430 kg.

Lei aprovada

Saqueado em 1916, o Djidji Ayokwe (“pantera-leão” na língua atchan) foi inicialmente mantido no palácio de um governador colonial em Abidjan antes de ser enviado para a França em 1930.

Nos últimos anos, tem aumentado a pressão para que antigas potências coloniais, como a França e o Reino Unido devolvam os artefatos retirados da África e da Ásia.

O presidente francês Emmanuel Macron anunciou pela primeira vez, em 2018, planos para repatriar artefatos culturais para nações africanas, após um relatório encomendado por ele a pesquisadores acadêmicos que recomendava essa medida.

No ano passado, o Parlamento francês aprovou uma lei especial que permite a retirada do artefato da Costa do Marfim das coleções francesas, como parte de esforços mais amplos.

O processo de repatriação exigiu consultas aos líderes tradicionais Atchan, que viajaram a Paris para realizar rituais destinados a retirar o caráter sagrado do tambor, de modo que ele pudesse ser restaurado e transportado.

O artefato passará por um período de aclimatação de um mês em um local seguro, para permitir que a madeira se adapte gradualmente do clima seco de Paris às condições tropicais úmidas de Abidjan, evitando rachaduras na madeira centenária.

Espera-se que ele seja exibido ao público em abril no recém-renovado Museu das Civilizações, em Abidjan.

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