Liderança do Compass convive com avanço dos híbridos enquanto segmento se prepara para novas gerações e diferentes formas de propulsão
Por Sérgio Dias – de São Paulo
O mercado brasileiro de SUVs médios chega aos últimos meses de 2026 mostrando como a transição tecnológica do setor automobilístico não segue um único caminho. Motores flex, sistemas híbridos e diferentes níveis de eletrificação disputam o mesmo consumidor enquanto fabricantes preparam novas gerações de seus produtos. Nesse cenário, o Jeep Compass permanece na primeira posição dos emplacamentos, mesmo com sua atual geração próxima do encerramento do ciclo.

De janeiro a agosto, o Compass registrou 36.437 unidades. O GWM Haval H6 aparece em seguida, com 31.966, enquanto o BYD Song Pro soma 26.250 e o Toyota Corolla Cross, 25.566. A composição das primeiras posições coloca frente a frente diferentes estratégias de propulsão e mostra uma característica do mercado brasileiro neste momento: a eletrificação avança, mas ainda divide espaço com motores flex.
A própria linha Compass ajuda a compreender essa convivência. Sport T270, Longitude T270 e Série S T270 utilizam o motor Turbo Flex de 176 cv, enquanto a Blackhawk, versão que avaliei, segue outra proposta com o Hurricane 2.0 Turbo Flex de 272 cv e 400 Nm, transmissão automática de nove marchas e tração 4×4 Jeep Active Drive Low. Ao mesmo tempo, uma nova geração do SUV já foi apresentada na Europa e prepara outra etapa para o modelo.
Liderança em transição
Minha avaliação começou nas atividades cotidianas em São Paulo. Antes de buscar estradas e percursos mais longos, utilizei o Blackhawk em congestionamentos, avenidas, estacionamentos e deslocamentos curtos. Foi nesse ambiente que observei como um conjunto de 272 cv se adapta a situações nas quais a potência disponível raramente precisa ser utilizada integralmente.

Os 400 Nm aparecem na cidade principalmente pela disponibilidade nas acelerações. A direção elétrica participa das manobras, enquanto sensores dianteiros e traseiros, câmera de estacionamento e Park Assist auxiliam em espaços reduzidos. Piloto automático adaptativo, monitoramento de pontos cegos, frenagem de emergência e assistente ativo de direção também integram o conjunto.
Na cabine, central multimídia de 10,1 polegadas e painel digital de 10,25 polegadas trabalham ao lado de Apple CarPlay e Android Auto sem fio, carregador por indução e ar-condicionado automático de duas zonas. A Blackhawk acrescenta bancos com regulagem elétrica, teto solar panorâmico, sistema de som Beats, serviços conectados, Alexa e abertura eletrônica do porta-malas por sensor.
Estrada muda cenário
Quando deixei São Paulo em direção a Holambra, os 272 cv e 400 Nm passaram a participar de maneira mais frequente da experiência. Nas retomadas e ultrapassagens, a diferença em relação às versões T270 fica concentrada na resposta do conjunto Hurricane e na atuação da transmissão automática de nove marchas.

Segundo a Jeep, o Blackhawk acelera de zero a 100 km/h em 6,3 segundos e alcança 228 km/h. Durante minha avaliação, esses números serviram como referência da capacidade mecânica. Na utilização rodoviária, concentrei a atenção nas retomadas, ultrapassagens e na maneira como o câmbio administrava as mudanças de ritmo.
A tração 4×4 Jeep Active Drive Low acrescenta outra característica que separa a Blackhawk das configurações T270. O sistema trabalha com seletor de terrenos e controle de descida. Mesmo com a maior parte da avaliação realizada sobre asfalto, esses componentes ampliam as possibilidades de utilização quando as condições de piso mudam.
Cidade, serra, litoral
A viagem para Caraguatatuba acrescentou serra, curvas, descidas e alterações de velocidade ao percurso. Nesse ambiente, motor, transmissão, freios e sistemas eletrônicos passaram a trabalhar sob demandas diferentes daquelas encontradas na cidade. Os 400 Nm participaram das retomadas após as curvas, enquanto o câmbio acompanhou as mudanças de ritmo.
O pacote de assistência também passou a atuar com maior frequência. A Blackhawk reúne piloto automático adaptativo, alerta de colisão frontal com frenagem de emergência, detecção de veículos, pedestres e ciclistas, monitoramento de pontos cegos, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente ativo de direção, reconhecimento de placas e detector de fadiga.
Depois de São Paulo, Holambra e Caraguatatuba, percebi que a diferença da Blackhawk dentro da linha não está apenas nos 272 cv. Hurricane, câmbio de nove marchas e tração integral modificam a maneira como o Compass responde às solicitações do motorista, enquanto equipamentos de segurança e conectividade mantêm sua utilização nas atividades cotidianas.
Mercado muda caminho
Essa experiência acontece enquanto o segmento passa por uma mudança que vai além do próprio Compass. Haval H6, Song Pro e Corolla Cross mostram como diferentes formas de eletrificação passaram a disputar diretamente os emplacamentos com modelos flex. O consumidor encontra, portanto, propostas mecânicas distintas dentro de uma mesma faixa de mercado.
A próxima geração do Compass acrescenta outro elemento a essa transformação. Já apresentada na Europa, ela coloca a atual carroceria perto do encerramento de um ciclo no Brasil justamente quando o modelo permanece na liderança entre os SUVs médios. O resultado reúne duas situações que nem sempre coincidem: um produto próximo da substituição e, ao mesmo tempo, na primeira posição de seu segmento.
Ao concluir minha avaliação do Compass Blackhawk Flex 2026, três pontos ficaram em evidência: o conjunto Hurricane de 272 cv e 400 Nm com transmissão de nove marchas; a tração 4×4 associada ao gerenciamento de terrenos; e os recursos de segurança, assistência e conectividade.
Como ponto a avançar, desta vez não indicaria um componente específico. A própria mudança de geração será a resposta da Jeep para a próxima etapa. Depois de dirigir o atual Compass entre capital, interior e litoral, esta pode ter sido minha última avaliação prolongada dessa carroceria, que encerra seu ciclo enquanto ainda ocupa a primeira posição nos emplacamentos do segmento.