A variação mais aplaudida ocorreu no índice de rejeição ao candidato, que recuou de 53% para 47% em apenas sete dias.
Por Redação, com Reuters – de São Paulo
A coordenação de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aprovou o resultado da pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Quaest. Os dados mostram que a estratégia de impulsionar a militância no trecho final da disputa presidencial está funcionando, avaliou o jornalista Igor Gadelha, em sua coluna no site brasiliense de notícias ‘Metrópoles’.

Três indicadores específicos animaram o comitê petista. A variação mais aplaudida ocorreu no índice de rejeição ao candidato, que recuou de 53% para 47% em apenas sete dias. No mesmo período, a desaprovação ao senador Flávio Bolsonaro (PL), ou filho ’01’ como também é conhecido, oscilou dois pontos para baixo, ficando em 52% — patamar que o mantém com uma resistência eleitoral maior do que a de Lula.
As simulações espontâneas trouxeram outro dado encarado como estratégico pela equipe do Palácio do Planalto: o contingente de eleitores indecisos dobrou no intervalo de uma semana, saltando de 7% para 14%. A leitura interna é de que o cenário da eleição permanece indefinido, avaliação reforçada pelo comportamento do eleitorado feminino — no qual a taxa de dúvida subiu de 8% para 17 por cento.
Reavaliação
Entre os eleitores independentes, grupo no qual o percentual de indecisão disparou de 13% para 31%, a indefinição é vista com otimismo pela coordenação petista. Segundo declarou um ministro, a campanha do governo tem alcançado o objetivo de fazer a sociedade reavaliar o voto.
Em um cenário de risco às conquistas sociais, o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, destacou a reação do eleitorado diante das conquistas obtidas ao longo dos anos.
— A pesquisa capta um movimento em que o eleitorado percebe o risco de perder as conquistas que o país levou anos para consolidar. É o receio de retrocesso, de perder todas as conquistas, não apenas o Bolsa Família, mas o MEI, o PIX, Farmácia Popular, aumento real do salário e da aposentadoria, o ‘Pé de Meia’, os investimentos no SUS — afirmou ao colunista.
Movimento
O segundo turno, segundo o coordenador, “contrapõe dois caminhos para o país e vai ficando para o eleitor que Flávio Bolsonaro é um caminho de insegurança ou de uma mudança para pior, do país andar para trás”.
— Por isso cai a rejeição do presidente Lula. Isso está mobilizando a sociedade e a gente sente esse movimento nas redes e nas ruas — pontuou..
O retrato geral do levantamento indica estabilidade na liderança numérica, configurando empate técnico na margem de erro. O candidato do PL aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula — ante os 46% a 44% registrados na semana anterior.
Reação
Faltando apenas quatro dias para a votação do próximo domingo, a avaliação dominante entre integrantes do primeiro escalão e assessores presidenciais é de que os números traduzem uma reação consistente das urnas: “a virada está acontecendo”.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, o atual mandatário e o filho de Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado e preso por tramar um golpe de Estado, estão empatados com 40%. No entanto, o número de indecisos nesta categoria dobrou, passando de 7% para 14%.
Foram entrevistadas 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, de sábado a terça-feira. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).