O setor de alimentação e bebidas subiu 0,88% com impacto de 0,19 ponto percentual (p.p) no resultado da inflação.
Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro
A prévia da inflação oficial de outubro ficou em 0,32%, menos da metade do mês anterior (0,7%), conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira. O resultado faz com que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumule 4,62% em 12 meses. O patamar fica acima da meta do governo, que tolera até 4,5% ao ano.

Em setembro, o acumulado de 12 meses era 4,47%. Em outubro de 2025, o índice marcou 0,18%. O setor de alimentação e bebidas subiu 0,88% com impacto de 0,19 ponto percentual (p.p) no resultado da inflação. Nesse segmento, o IBGE destaca que a alimentação no domicílio subiu 1,01%. Em setembro, variou 0,38%.
As maiores altas do grupo foram o tomate: 24,54%; a cebola: 13,63%; a batata-inglesa: 10,96% e o arroz: 5,80%. O tomate, aliás, foi o preço individual que mais pressionou o IPCA-15. Pelo lado dos recuos, os principais subitens foram cenoura (-10,67%); frutas (-1,37%) e café moído (-1,16%).
Passagens
No grupo transporte, a alta foi pressionada pelos combustíveis, que subiram 1,2% em outubro. Subiram os preços do óleo diesel (3,70%), etanol (2,73%) e da gasolina (0,92%). O gás veicular recuou 0,18%. As passagens aéreas ficaram, em média, 9,24% mais em conta, sendo o subitem que mais puxou a prévia da inflação para baixo (impacto de -0,08 p.p).
Único grupo a apresentar retração, a habitação (-0,10%) teve como principal contribuição negativa o custo da energia elétrica residencial, que variou -0,89%. A explicação está na bandeira tarifária, que passou de amarela (com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 Kwh consumidos) para verde, sem cobrança adicional para os consumidores. Em setembro, a conta de luz (+7,42%) tinha sido o principal motor de alta do IPCA-15.
A explicação foi a devolução do bônus de Itaipu, desconto que os consumidores tiveram na conta de luz do mês de agosto. Sem o desconto, o preço voltou ao patamar normal em setembro.
Guerra
Na avaliação do economista Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), não houve alívio disseminado dos preços, e a maior pressão veio dos alimentos.
— A desaceleração mensal é bem-vinda, mas ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação. Em resumo: ganhou-se uma batalha contra a inflação, mas a guerra ainda não acabou — afirmou
O IPCA-15 tem basicamente a mesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo: 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 p.p para mais ou para menos.