O El Niño, que geralmente se forma entre os meses de junho e agosto, tem grandes chances de se intensificar e se prolongar até o fim do ano e o início de 2027.
Por Redação, com ABr – de Brasília
O governo prevê um cenário extremo de seca e o aumento no número de queimadas para o segundo semestre, em regiões no Norte e Centro-Oeste do país. Com a chegada do fenômeno El Niño, foi estabelecida uma sala de situação junto ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), diante de indícios de que há 70% de probabilidade de um El Niño forte ou muito forte ainda neste ano. Ocorrências extremas podem ser registradas em diferentes regiões do país, como chuvas intensas, tempestades, secas, ondas de calor e incêndios florestais de grande extensão.

Período crítico
O El Niño, que geralmente se forma entre os meses de junho e agosto, tem grandes chances de se intensificar e se prolongar até o fim do ano e o início de 2027. A maior preocupação está no último trimestre do ano, quando os efeitos do fenômeno climático podem prolongar a estiagem e intensificar os incêndios florestais.
— Se vier mais forte, o impacto do El Niño vai ser uma estiagem mais prolongada, o que agrava a situação lá pra outubro e novembro.Temos seis meses de preparação para esse período mais crítico — calcula André Lima, secretário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial no Ministério do Meio Ambiente (MMA).
O Cemaden, no entanto, ressalta que a intensidade do evento não está diretamente relacionada à gravidade dos impactos. Já foram registradas ocorrências severas durante El Niño moderados, como foi em 2024, com a incidência de fortes chuvas no Rio Grande do Sul. No mesmo ano, o Brasil enfrentou a maior seca em 70 anos, com mais de 80% dos municípios do país em condições de estiagem.
Estiagem
Nas regiões Norte e Nordeste, os impactos esperados são a redução das chuvas e aumento das temperaturas. Períodos de estiagem mais severos e longos, aumentando o risco de insegurança hídrica. Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste há um possível comprometimento da estação chuvosa, o que pode afetar a recuperação dos reservatórios e elevar o risco hidrológico.
Ondas de calor também costumam ser registradas como efeitos do fenômeno El Niño. Os anos de 2023, 2024 e 2025 foram os mais quentes globalmente e registraram o maior número de ondas de calor no Brasil.
Trata-se de um fator de atenção, uma vez que o El Niño aumenta as chances para o aumento nas temperaturas — o que também pode contribuir diretamente com os índices de queimadas.