Expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, os mandados atingem seis funcionários da Eletronuclear, que integravam o “núcleo operacional das fraudes”
Por Redação, com agências de notícias - do Rio de Janeiro:
A Polícia Federal prendeu o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, num condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, onde já cumpria prisão domiciliar. Ele foi levado para a sede da PF, na Praça Mauá, no Centro da cidade, de onde seguiu para o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste da cidade.
A Polícia Federal prendeu o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva
A prisão do ex-presidente da Eletronuclear ocorre no âmbito da Operação Pripyat, deflagrada no início da manhã desta quarta-feira. O nome da operação é uma referência à cidade ucraniana onde ocorreu o acidente nuclear de Chernobyl. A ação é executada em conjunto com o Ministério Público Federal e tem como objetivo desarticular organização criminosa que atuava na Eletronuclear.
A operação envolve 130 policiais federais que cumprem, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, seis mandados de prisão preventiva, outros três de prisão temporária, nove de condução coercitiva e 26 mandados de busca e apreensão de pessoas envolvidas em irregularidades no processo de licitação de obras da Usina Nuclear de Angra 3, em Angra dos Reis, no litoral sul Fluminense.
Expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, os mandados atingem seis funcionários da Eletronuclear, que integravam o “núcleo operacional das fraudes”, e tiveram a prisão preventiva decretada, além do ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva. As investigações da PF constataram a existência de um clube de empreiteiras atuava para desviar recursos da Eletronuclear, principalmente os destinados às obras da Usina Nuclear de Angra 3.
A Operação Pripyat apura os crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sendo um desdobramento da 16ª fase da Operação Lava Jato, denominada Radioatividade.
A Polícia Federal informará mais detalhes da operação em entrevista coletiva, na sede da Polícia Federal, no Rio.
A operação foi deflagrada tendo como base informações passadas às autoridades por executivos da empreiteira Andrade Gutierrez em delação premiada sobre desvios de recursos no setor elétrico.
– Tendo em conta a informação de que a Eletronuclear pagou para a Andrade Gutierrez em relação ao contrato de construção civil de Angra 3 o valor de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, e estabelecendo-se a possível premissa de que todo o acerto realizado foi pago, é possível apresentar a estimativa de que Othon Luiz recebeu até R$ 12 milhões – disse o MPF em comunicado.
Pinheiro, foi alvo da 16ª etapa da operação Lava Jato, chamada Radioatividade, realizada em julho de 2015. Em dezembro do ano passado, a Justiça Federal do Rio acatou denúncia contra ele e mais 13 pessoas por acusações de corrupção e outros crimes relacionados a contratos da usina de Angra 3 investigados pela Radioatividade.
De acordo com as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, foi formado um cartel nas licitações de serviços de montagem da usina com envolvimento das empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, que teriam feito pagamento de propinas ao ex-presidente da Eletronuclear.
– As investigações constataram a incrível audácia da organização criminosa que vitimou a Eletronuclear, sendo que, mesmo após ter sido alvo da operação Radioatividade, continuou a ter influência na estatal, atrapalhando a completa elucidação do amplo esquema de corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro – disseram os procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro em nota.
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