A matéria escura é notoriamente difícil de detectar, pois não emite nem reflete luz, tornando-se invisível para telescópios convencionais.
Por Redação, com ANSA – de Roma
Pesquisadores produziram o mapa mais detalhado já feito da matéria escura, o misterioso elemento invisível que compõe cerca de 85% da massa do Universo.

Publicado na revista Nature Astronomy, o estudo, fundamental para entender a distribuição e composição desse componente do cosmos, foi possível graças aos dados do telescópio espacial James Webb (JWST).
A pesquisa foi liderada pela cosmologista italiana Diana Scognamiglio, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), e contou com a participação da também italiana Greta Toni, da Universidade de Bolonha e do Instituto Nacional de Astrofísica (Inaf).
– Este é o maior mapa de matéria escura que já fizemos com o Webb, duas vezes mais nítido do que qualquer outro já produzido por qualquer observatório – afirmou Scognamiglio. “Até agora tínhamos apenas uma imagem desfocada. Agora vemos o andaime invisível do Universo com detalhes impressionantes”, completou.
A matéria escura é notoriamente difícil de detectar, pois não emite nem reflete luz, tornando-se invisível para telescópios convencionais. No entanto sua força gravitacional distorce a luz que viaja a partir de galáxias distantes até nós, permitindo que cientistas consigam inferir a localização e a densidade desse componente.
Para criar o novo mapa, os cientistas direcionaram o poderoso olhar do James Webb para uma área do céu pouco maior que o dobro da Lua cheia. Nessa região, identificaram cerca de 250 mil galáxias, observando o Universo como ele era há até 11 bilhões de anos.
Galáxia
O resultado revela vastos aglomerados de galáxias, redes de “pontes” filamentares de matéria escura – ao longo das quais gás e galáxias se distribuem – e grupos de galáxias menores. Os dados reforçam a teoria de que foi a gravidade da matéria escura que desempenhou um papel fundamental em atrair a matéria comum e facilitar o nascimento das primeiras galáxias após o Big Bang.
– Este mapa revela o papel invisível, mas essencial, da matéria escura, a verdadeira arquiteta do universo, que gradualmente organiza as estruturas que observamos com nossos telescópios – disse Gavin Leroy, da Universidade de Durham, no Reino Unido, e coautor da pesquisa.