Ao abrir uma cúpula que reúne bispos de diferentes partes do mundo no Vaticano, o pontífice afirmou que a realidade familiar apresenta questões que precisam ser enfrentadas “com coragem”.
Por Redação, com ANSA – da Cidade do Vaticano
O papa Leão XIV defendeu, nesta quarta-feira, que a Igreja Católica ofereça respostas às famílias sobre questões relacionadas à sexualidade e às situações de vulnerabilidade, com atenção especial àquelas que enfrentam dificuldades, solidão e fragilidade.

Ao abrir uma cúpula que reúne bispos de diferentes partes do mundo no Vaticano, o pontífice afirmou que a realidade familiar apresenta questões que precisam ser enfrentadas “com coragem”.
Entre os desafios citados pelo papa estão a crescente distância entre a forma como sexo e intimidade são vividos na sociedade e a visão cristã do casamento.
– A fragilidade merece atenção especial, pois pode moldar profundamente a maneira como as pessoas veem a si mesmas, o seu futuro e até mesmo a sua relação com Deus e com a Igreja – afirmou.
Leão XIV também mencionou as dificuldades enfrentadas por muitos jovens para assumir “um compromisso para toda a vida” e alertou que a Igreja deve estar atenta a situações de insegurança econômica, migração, violência e solidão, que afetam diretamente a vida das famílias.
Para ele, ouvir as experiências concretas das famílias pode ajudar a compreender melhor as transformações sociais e culturais do presente.
– A vida familiar oferece um ponto de observação privilegiado para abordar as grandes questões culturais, econômicas, sociais e políticas do nosso tempo – afirmou Leão XIV, destacando também a relação entre esses temas e a promoção da paz entre os povos.
Em seu discurso, Robert Prevost recorreu ao Evangelho de Marcos para reafirmar a importância da família na visão cristã. Ao citar a passagem “Ele os fez homem e mulher”, destacou a necessidade de abordar os desafios contemporâneos à luz da Palavra de Deus.
– A família permanece fundamental para uma abordagem que combina o local e o global, guiada pela busca de uma fraternidade universal em Cristo que o Evangelho nos chama a construir com todos – enfatizou.
Segundo o papa, a Igreja só pode cumprir sua missão na sociedade por meio da participação dos fiéis, especialmente das famílias, que testemunham a fé por meio do cuidado, da fidelidade, do perdão, da educação dos filhos e da atenção aos idosos e às pessoas vulneráveis.
– A experiência das famílias tem algo a ensinar a todos, uma vez que a fragilidade faz parte da nossa condição humana comum – e, portanto, também da vida da Igreja – acrescentou.
De acordo com Leão XIV, “todos nós conhecemos a distância entre o bem que desejamos e aquilo que realmente conseguimos viver”.
– Precisamos da graça, do perdão e de novos começos para cumprir a vontade de Deus, e aprendemos que a fidelidade é, em si mesma, uma graça a ser recebida e uma caminhada a ser renovada gradualmente, muitas vezes por meio das provações – observou.
Igreja
Em seguida, o pontífice dirigiu algumas perguntas aos bispos: “Que tipo de Igreja as pessoas encontram justamente quando estão mais frágeis? Nossas comunidades as ajudam a descobrir que ainda têm um lugar, uma responsabilidade e dons a oferecer? A verdade que proclamamos pode ser encontrada por meio da paciência, da proximidade e da misericórdia de nossa presença pastoral? Como podemos anunciar a elas a plenitude do ensinamento do Evangelho sobre a família?”.
A cúpula ocorre 10 anos após a publicação da “Amoris Laetitia”, exortação apostólica assinada pelo falecido papa Francisco, que se consolidou como um documento abrangente sobre o casamento, a educação dos filhos e os desafios sociais e econômicos enfrentados pelas famílias.
O encontro reúne presidentes de conferências episcopais de todo o mundo, além de especialistas e representantes de famílias, e terá duração de uma semana.