Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Padroeira do Brasil é também questão de soberania?

Por Rui Martins - E daí podemos chegar à pergunta: a eleição de Flávio visa também fazer o Brasil aderir à importação do conceito evangélico de uma democracia capitalista norteamericana?

Domingo, 27 de Setembro de 2026 às 18:31, por: Rui Martins

Vocês se lembram de que na campanha eleitoral de Jair Bolsonaro contra Lula, nas eleições de 2022, as redes sociais bolsonaristas falavam para não votar em Lula, porque ele iria fechar as igrejas? Lembram-se?
Lula ganhou e não fechou nenhuma igreja, mas correm agora nas redes sociais ser projeto de Flávio Bolsonaro, coisa já desmentida pelo candidato, de se eleito, baixar um projeto dizendo que o Brasil pertence a Jesus Cristo.

Por Rui Martins – editor do Direto da Redação
A Padroeira do Brasil não é só religião, virou também símbolo de nossa soberania contra religião importada dos EUA

Para muitos católicos isso significa que a Nossa Senhora Aparecida no caso de vitória de Flávio que é evangélico, deixaria de ser a Padroeira do Brasil. Isso, mais pastores que chamam católicos de idólatras, está criando um inesperado e inédito choque religioso entre católicos, que se sentem ameaçados na sua fé, trazida pelos colonizadores portugueses, e os evangélicos com sua fé made in USA.

Vista de outro ângulo, essa briga, que pode degenerar, envolve tb a defesa de nossa soberania. Os neo-pentecostais representam uma ruptura com as tradições e formação da nacionalidade brasileira. O neopentecostalismo é um produto recente de exportação fundamentalista norteamericana, trazido por missionários gringos, verdadeiros neocolonizadores, que estão pouco a pouco mudando nossas tradições.

E quando vemos o evangélico Flávio Bolsonaro se dispor a criar uma comissão de transição, caso eleito, com o ministro Marco Rúbio do governo Trump, isso poderia também ser interpretado como parte de um plano maior de atentado à nossa soberania. E daí podemos chegar à pergunta: a eleição de Flávio visa também fazer o Brasil aderir à importação do conceito evangélico de uma democracia capitalista norteamericana?

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.
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