Ostentação de Bolsonaro diante tragédia na Bahia revolta brasileiros
Na véspera, ao longo de todo o dia, o termo #BolsonaroVagabundo figurou entre os mais comentados nos assuntos do momento, em aplicativos como o Twitter e o Instagram, ilustrados muitas vezes pela expressão de tédio da única filha do presidente, Laura.
Na véspera, ao longo de todo o dia, o termo #BolsonaroVagabundo figurou entre os mais comentados nos assuntos do momento, em aplicativos como o Twitter e o Instagram, ilustrados muitas vezes pela expressão de tédio da única filha do presidente, Laura.
Por Redação - de Brasília e Salvador
Os momentos idílicos do mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL), em um balneário catarinense, têm se transformado em um ponto de ruptura entre a imensa maioria de brasileiros mobilizados para a ajuda aos mais 450 mil atingidos pela tragédia das chuvas, no sul da Bahia, e aqueles que não demonstram a menor empatia, mesmo diante tamanho drama humano. A cenas refrescantes dos passeios nos jet skis da Marinha do Brasil, abastecidos com dinheiro público, no entanto, têm causado constrangimento mesmo entre os aliados e integrantes do governo federal.
A expressão de tédio da filha, Laura, transbordou para as redes sociais ao longo das últimas 48 horas
Na véspera, ao longo de todo o dia, o termo #BolsonaroVagabundo figurou entre os mais comentados nos assuntos do momento, em aplicativos como o Twitter e o Instagram, ilustrados muitas vezes pela expressão de tédio da única filha do presidente, Laura. No momento em ele e a menina faziam divertidas manobras aquáticas, a Bahia chorava a morte de 21 pessoas; além de contar 34.163 desabrigados e 42.929 desalojados, de acordo com dados da Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec).
Na tentativa de colar um esparadrapo na situação e amenizar as críticas que se levantam, por todo o país, o governo federal montou uma força-tarefa para divulgar as respostas de Bolsonaro à tragédia. O principal anúncio de liberação de verbas para o Estado baiano, no entanto, apenas deixou o quadro mais confuso.
Estrago
Ministros, assessores e demais ajudantes do presidente divulgaram a abertura de crédito de R$ 200 milhões para a Bahia. A Medida Provisória (MP) publicada na véspera, no entanto, distribui os recursos para a reconstrução de rodovias em outros cinco Estados. O governo ainda não explicou se editará nova medida para liberar a verba apenas à Bahia e, mesmo que o faça, o anúncio apenas frustrou os parlamentares baianos que integram a base aliada. Em entrevistas, nesta quarta-feira, o governador Rui Costa (PT) protesta por o Estado ter recebido uma quantia inferior ao previsto.
— Com R$ 80 milhões não dá para recuperar da Bahia, pelo estrago que tem. Tem vários rompimentos — registrou Costa, diante de representantes federais.
Nos bastidores, segundo confidenciam auxiliares diretos do presidente à mídia conservadora, é voz corrente que a situação tornou-se desconfortável e o melhor para os planos futuros de Bolsonaro, se alimentar ainda a esperança de uma reeleição, seria fazer as malas e viajar às áreas alagadas. Mostrar trabalho. Interesse. Se fazer presente e reconhecer o esforço do governo petista da Bahia em ajudar os conterrâneos.
Diante o clamor popular, Bolsonaro já avalia suspender o passeio e tomar alguma atitude, mas não disse quando. O assunto gera irritação no presidente que, na segunda-feira, disse que "espera não ter de retornar (a Brasília) antes” do feriado de Réveillon.
Problema
A insatisfação é gritante até mesmo na sigla que hoje abriga o provável candidato à reeleição, no ano que vem. Nesta manhã, o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) buscou amenizar o ambiente negativo e comentou, a jornalistas, que Bolsonaro deverá visitar o Estado “quando for mensurada a tragédia”.
— Agora é hora de resgatar as vítimas, para depois vir a reconstrução — desconversou.
Bacelar adiantou, ainda, que o governo promete entregar toda a ajuda necessária ao Estado.
— Se (Bolsonaro) chega lá hoje e amanhã chover mais, aí volta amanhã de novo? É preciso saber qual o tamanho do problema. Ele vai… — acredita Bacelar.
Desabrigados
Bolsonaro, no entanto, age com desdém diante da crise humanitária que se desenvolve na região, causada pelas chuvas; “além de terceirizar responsabilidades”, segundo o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).
— Bolsonaro já mostrou que é indiferente ao sofrimento dos brasileiros: ironizando pacientes com falta de ar devido à covid, omitindo-se diante da miséria que levou brasileiros a disputar ossos para comer e, agora, divertindo-se nas férias enquanto baianos morrem e ficam desabrigados graças às fortes chuvas — concluiu o líder da oposição na Câmara.
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