Os Emirados Árabes Unidos anunciaram uma redução nos laços com o Irã, à medida que a disputa entre as duas principais potências sunita e xiita se espalhou pela região
Por Redação, com Reuters - de Dubai:
O Irã acusou a Arábia Saudita nesta segunda-feira de usar um ataque à embaixada saudita em Teerã como pretexto para cortar as relações com o país, em uma crise diplomática que aprofunda a disputa, às vezes violenta, entre os dois países por maior influência no Oriente Médio.
O governo saudita cortou as relações com o Irã no domingo, e o também sunita Barein adotou a mesma medida nesta segunda, dois dias após manifestantes iranianos invadirem a embaixada da Arábia Saudita na capital iraniana em protesto contra a execução por Riad de um proeminente clérigo muçulmano xiita.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram uma redução nos laços com o Irã, à medida que a disputa entre as duas principais potências sunita e xiita se espalhou pela região, provocando uma alta no preço do petróleo e ameaçando aumentar as disputas sectárias no Oriente Médio.
Um homem foi morto a tiros no leste da Arábia Saudita no domingo à noite quando as forças de segurança foram alvo de disparos, e duas mesquitas sunitas na província iraquiana de Hilla, de maioria xiita, foram alvo de bombas.
O Irã acusou a Arábia Saudita nesta segunda-feira de usar um ataque à embaixada saudita em Teerã
O Sudão também anunciou o rompimento das relações com o Irã.
Após uma resposta furiosa de comunidades xiitas espalhadas pelo mundo à execução pelo reino sunita do clérigo xiita Nimr al-Nimr, o chanceler saudita, Adel al-Jubeir, acusou o Irã de criar "células terroristas" entre as minorias xiitas na Arábia Saudita.
O Irã rebateu afirmando que Riad usou o incidente na embaixada e um ataque similar a seu consulado na cidade iraniana de Mashhad como "desculpa" para elevar as tensões.
O preço do petróleo chegou a subir quase 2 % nesta segunda-feira, ignorando dados econômicos fracos na Ásia, à medida que as duas potências exportadoras de petróleo trocaram insultos e as tensões chegaram a outros produtores da commodity, como o Iraque.
Os mercados acionários da região do Golfo Pérsico caíram fortemente, liderados pelo Catar, com queda de mais de 2,5 %, uma vez que as preocupações geopolíticas ofuscaram qualquer benefício do petróleo mais forte.
A China, grande importadora de petróleo, declarou estar "bastante preocupada" com os acontecimentos, em uma rara intervenção na diplomacia do Oriente Médio. Os Estados Unidos, a França e a Alemanha pediram por calma, enquanto a Rússia se ofereceu para mediar a disputa.
A Arábia Saudita executou Nimr e outros três xiitas acusados de terrorismo no sábado, ao lado de dezenas de jihadistas sunitas. O xiita Irã exaltou o clérigo como um "mártir" e advertiu a família Al Saud, que governa a Arábia Saudita, sobre uma "vingança divina".
Grupos xiitas se uniram na condenação à Arábia Saudita, enquanto potências sunitas apoiaram o reino, ampliando uma divisão sectária que tem destruído comunidades em todo o Oriente Médio e alimentado a ideologia jihadista do Estado Islâmico.
Bahrein
O Bahrein anunciou nesta segunda-feira o rompimento das suas relações diplomáticas com o Irã, apenas horas depois de a Arábia Saudita ter feito o mesmo. O governo em Manama ordenou que os diplomatas iranianos deixem o pequeno país do Golfo Pérsico em até 48 horas, informou a agência de notícias oficial BNA.
Segundo um comunicado do governo bareinita, a decisão foi motivada pelos ataques "covardes" a representações diplomáticas da Arábia Saudita no Irã e pela "flagrante e perigosa intromissão" do governo em Teerã nos assuntos internos de países árabes. O Bahrein também vai fechar sua representação diplomática em Teerã.
Arábia Saudita
No domingo, a Arábia Saudita anunciou o rompimento das relações diplomáticas com o Irã, na sequência das tensões geradas pela execução do clérigo xiita Nimr Baqir al-Nimr pelo regime saudita. O comunicado foi feito pelo ministro saudita do Exterior, Adel al-Jubeir, que justificou a medida como reação à invasão da embaixada saudita em Teerã por manifestantes iranianos.
Jubeir anunciou também que todos os diplomatas iranianos na Arábia Saudita têm de abandonar o reino sunita no prazo de 48 horas. O ministro afirmou ainda que Riad não permitirá que o Irã mine a segurança da Arábia Saudita. "A Arábia Saudita está rompendo laços diplomáticos com o Irã e solicita que todos os membros da missão iraniana saiam [do país] dentro de 48 horas", disse o ministro.
No sábado, o reino sunita executou 47 pessoas acusadas de ligação com o terrorismo, entre elas o proeminente clérigo xiita. A maioria era de nacionalidade saudita, com exceção de um egípcio e um chadiano. As acusações incluem a adoção e promoção da ideologia takfiri (extremismo sunita), assassinato, sequestro, fabricação de explosivos e posse de armas.
Dos 47 executados, a maior parte foi condenada por ataques da Al Qaeda na Arábia Saudita há uma década. Quatro, incluindo Al-Nimr, foram acusados de atirar em policiais durante protestos contra o governo. Segundo o governo, as penas visam principalmente desencorajar os sauditas de aderir ao jihadismo.
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