Rio de Janeiro, 26 de Agosto de 2026

Irã diz que Arábia Saudita se beneficia de tensão após corte nas relações

A Arábia Saudita usou um ataque contra sua embaixada em Teerã como pretexto para alimentar as tensões entre os dois países

Segunda, 04 de Janeiro de 2016 às 07:46, por: CdB

 

Manifestantes iranianos invadiram a embaixada saudita, após a Arábia Saudita ter executado o clérigo xiita Nimr al-Nimr

Por Redação, com Reuters - de Dubai/Moscou: A Arábia Saudita usou um ataque contra sua embaixada em Teerã como pretexto para alimentar as tensões entre os dois países, disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã nesta segunda-feira, depois de Riad ter rompido relações diplomáticas com os iranianos. O Irã está comprometido com a proteção das missões diplomáticas no país, acrescentou o ministério. Os manifestantes atearam fogo e danificaram móveis na embaixada antes de serem retirados pela polícia, que prendeu 40 pessoa no domingo. Nenhum diplomata saudita se encontrava na embaixada. Autoridades iranianas condenaram o ataque, assim como a execução de Nimr. – O Irã tem agido de acordo com suas obrigações (diplomáticas) de controlar a ampla onda de comoção popular que se ergueu – disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Hossein Jaberi Ansari, em declarações transmitidas pela TV. – A Arábia Saudita se beneficia e prospera com o prolongamento das tensões... (Os sauditas) têm usado esse incidente como desculpa para alimentar as tensões – acrescentou. Ansari disse que os diplomatas iranianos ainda não tinham deixado a Arábia Saudita. No domingo à noite, foram dadas 48 horas para que eles deixassem o país.

Intermediária em disputa

A Rússia está disposta a agir como intermediária para ajudar a resolver a disputa entre Irã e Arábia Saudita, disse uma fonte do Ministério de Relações Exteriores de Moscou, de acordo com agências de notícias russas. – Como amigos nós estaríamos prontos a realizar, se for solicitado, um papel de intermediários... para resolver as contradições existentes e qualquer uma outra que venha a surgir entre esses dois países – disse a fonte, segundo a agência RIA.
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Manifestantes iranianos invadiram a embaixada da Arábia Saudita em Teerã no início de domingo

Irã prevê ‘vingança divina’

Manifestantes iranianos invadiram a embaixada da Arábia Saudita em Teerã no início de domingo, e um dos principais líderes muçulmanos xiitas do Irã previu uma “vingança divina” por conta da execução de um proeminente clérigo xiita pela Arábia Saudita. O discurso duro vindo de Teerã também foi adotado por aliados xiitas do Irã na região, com Sayyed Hassan Nasrallah, líder da milícia libanesa Hezbollah, descrevendo a execução como “uma mensagem de sangue”. Moqtada al-Sadr, um clérigo xiita iraquiano, fez um chamado por protestos indignados. As diferenças entre o revolucionário, majoritariamente xiita, Irã e o conservador reino sunita da Arábia Saudita são há anos intensas, uma vez que eles apoiam forças divergentes em guerras e conflitos políticos no Oriente Médio, e costumam ter tendências sectárias. No entanto, a execução no último sábado do clérigo cuja morte o Irã havia advertido iria “custar caro à Arábia Saudita” e a invasão da embaixada do reino em Teerã aumentaram as tensões. O presidente do Irã, Hassan Rouhani, condenou a execução como “desumana”, mas também cobrou processo judicial contra “indivíduos extremistas” pelo ataque à embaixada e ao consulado saudita em Mashhad, cidade no nordeste do país, segundo a imprensa oficial. O chefe da polícia de Teerã afirmou que um número não especificado de “elementos desordeiros” foi preso pelo ataque à embaixada com coquetéis Molotov e pedras. Um promotor afirmou que 40 pessoas foram detidas. A Guarda Revolucionária do Irã havia prometido uma “vingança dura” contra a dinastia sunita saudita pela execução de Nimr, considerado um terrorista em Riad, mas tido no Irã como um herói dos direitos da minoria xiita marginalizada na Arábia Saudita. No entanto, os ministros do Exterior saudita e iraniano disseram à Áustria que eles não têm interesse em aumentar ainda mais as tensões entre eles, disse um porta-voz de Sebastian Kurz, ministro do Exterior austríaco.      
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