Rio de Janeiro, 10 de Agosto de 2026

Organizações marxistas não se orientam pelo idealismo

Por Alexandre Lucas – Formação política, teoria e prática devem caminhar juntas para interpretar a realidade concreta, orientar a ação revolucionária e evitar o isolamento político.

Segunda, 10 de Agosto de 2026 às 09:07, por: CdB

 Formação política, teoria e prática devem caminhar juntas para interpretar a realidade concreta, orientar a ação revolucionária e evitar o isolamento político.

Por Alexandre Lucas – de São Paulo

A formação política é parte estruturante de uma organização política. Numa organização de caráter marxista, essa dimensão requer uma forma específica de alfabetização política: o materialismo histórico e dialético, o que a diferencia drasticamente de outras formas de análise da realidade.

Lênin em conversa com a juventude

A prática política sem uma teoria marxista orientadora pode cair no achismo e no idealismo. Por outro lado, a teoria que não se alimenta da prática se distancia da realidade concreta. Os movimentos sociais sem uma base teórica podem perder o rumo político e cair na degeneração, criando as condições para o seu esfacelamento.

Entretanto, não se trata de qualquer teoria,  elas existem aos montes. Para uma organização marxista, Lênin já alertava: “Sem uma teoria revolucionária, não há prática revolucionária”. O contrário também é verdadeiro. A teoria não se aplica como um adesivo na realidade, mas a sua apropriação é condição fundamental para os dirigentes dos movimentos sociais e, por conseguinte, para o Estado. A dialética revolucionária consiste na relação/conflito e na retroalimentação entre teoria e prática. Esse caráter é o que não torna a concepção marxista num dogma e que reconhece o popular e o senso comum como ponto de partida para ser conflitado com o conhecimento filosófico e científico, para reelaboração de um novo conhecimento. Nessa dimensão, o conhecimento humano é consequência da relação/conflito entre o eu e o mundo consequência da dimensão histórica e social. 

A luta política de uma organização marxista exige a construção permanente do conhecimento como fator fundamental de aproximação com a realidade concreta. As organizações marxistas, diante da sociedade da lacração, do idealismo, do fundamentalismo identitário e transcendental, do cancelamento acadêmico e do discurso da separação do joio do trigo (do bem e do mal, do certo e do errado),  o que, para a teoria marxista, não se aplica como algo possível pelo seu caráter receituário e dogmático, mas essa compreensão só é possível a partir da decodificação da linguagem marxista.

Política

Por outro lado, a formação marxista não pode abrir mão do viés da necessidade da insurgência política, o que requer o entendimento tático do não isolamento e da guetização. Isso exige uma visão de amplitude, agregando amplas forças que não comungam necessariamente com a nossa compreensão teórica, mas que se apresentam no mesmo lado do campo político ou na mesma luta política momentânea. Além disso, é impossível pensar numa organização marxista “pura”; é comum que organizações marxistas sejam integradas também por não marxistas (por desconhecerem a teoria), afinal as pessoas têm inúmeros motivos para se aproximarem das organizações políticas: desejo de justiça social, desconforto com as desigualdades sociais, relações de amizade e espaços de afeto.

É a partir desta constatação que se exige que as organizações marxistas tenham a teoria como elemento estruturante da linha política de compreensão da realidade e da atuação política. Descuidar da teoria é descuidar do alicerce da organização, pondo em risco o norte, a unidade e o sentido da ação revolucionária.

 

Alexandre Lucas, é pedagogo e integrante do Coletivo Camaradas.

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