O teatro, um dos mais famosos do mundo, inspirou o romance O Fantasma da Ópera, posteriormente adaptado para um musical de sucesso.
Por Redação, com RFI – de Paris
A Ópera Garnier de Paris ficará fechada por cinco anos, de 2027 a 2032, para reforma. Inicialmente, os trabalhos estavam previstos para durar apenas dois anos, mas a presença de chumbo no edifício exigirá a ampliação do cronograma.

O teatro, um dos mais famosos do mundo, inspirou o romance O Fantasma da Ópera, posteriormente adaptado para um musical de sucesso.
– É uma escolha que assumimos, uma decisão responsável tomada para garantir a viabilidade a longo prazo de nossas instalações – afirmou nesta quinta-feira Alexander Neef, diretor-geral da Ópera de Paris.
– Estamos tomando essa medida agora para evitar ter de iniciar outro grande projeto de reforma daqui a alguns anos – acrescentou.
Em 31 de outubro de 2024, a Ópera de Paris anunciou um plano de fechamento escalonado de seus dois teatros: o Palais Garnier entre 2027 e 2029 e a Ópera Bastilha entre 2030 e 2032.
O objetivo é modernizar as torres cênicas, que compreendem as estruturas localizadas acima e abaixo do palco, com a atualização dos equipamentos de cena e da infraestrutura dos edifícios, incluindo redes técnicas, sistemas elétricos e de climatização.
– Como acontece com muitos monumentos históricos, a presença de chumbo no Palais Garnier é conhecida e monitorada regularmente. A questão já estava contemplada no plano inicial da obra – explicou Neef. Segundo o diretor-geral, a mudança decorre do endurecimento das normas de segurança. Ele informou que os órgãos responsáveis exigem agora a remoção completa do chumbo presente na torre cênica durante a reforma.
Com isso, as obras no Palais Garnier, edifício inaugurado há 151 anos e classificado como monumento histórico desde 1923, serão prolongadas. Já a reforma da Ópera da Bastilha não poderá começar antes da temporada 2033-2034.
Enquanto um dos teatros estiver fechado, o outro continuará funcionando para receber as produções de ópera e dança da instituição. A Ópera de Paris também prevê apresentações em espaços externos, entre eles o Théâtre des Champs-Élysées, o Théâtre du Châtelet, o Théâtre de Chaillot e o Théâtre de la Ville, informou Neef.
Visitas suspensas
Outra novidade anunciada na quinta-feira diz respeito às áreas abertas à visitação turística da Ópera Garnier, uma importante fonte de receita que gera cerca de 13 milhões de euros (cerca de R$ 77,2 milhões) por ano. Embora estivesse previsto que permanecessem acessíveis ao público, esses espaços “poderão ficar temporariamente indisponíveis por dois anos” devido a possíveis transtornos causados pelas obras, como ruídos e vibrações, informou a direção.
Um eventual fechamento integral do edifício dependerá do método escolhido para a descontaminação do chumbo após os testes que serão realizados nos próximos meses, explicou o diretor-geral.
O custo adicional dessas adaptações “ainda não é conhecido”, disse Neef. Segundo ele, a estimativa dependerá dos resultados dos testes, da decisão sobre um possível fechamento total do Palais Garnier e da capacidade de autofinanciamento da instituição. Em setembro, o Ministério da Cultura estimou o custo das obras em 450,8 milhões de euros (cerca de R$ 2,68 bilhões) ao longo de seis anos, dos quais 25% serão financiados pelo Estado.
O projeto também prevê intervenções de menor porte em outras instalações da instituição, como a Escola de Dança de Nanterre, na região oeste de Paris, e os Ateliers Berthier, onde são armazenados figurinos e cenários.
Em 2025, o orçamento da Ópera de Paris registrou um pequeno superávit. O financiamento da instituição veio 42% de subsídios públicos e 58% de receitas próprias, como venda de ingressos, patrocínio e visitas turísticas.
Em relação aos funcionários, a direção pretende adaptar o plano de acompanhamento dos profissionais afetados pelo fechamento do palco do Garnier. “Examinaremos atentamente os impactos precisos à luz dos testes realizados neste verão. Depois disso, as medidas de apoio precisarão ser discutidas e negociadas”, afirmou Neef, destacando o objetivo de “preservar competências e empregos para a reabertura do teatro”.
A lenda
A Ópera Garnier, ou Palais Garnier, é um dos mais célebres teatros líricos do mundo e um dos principais monumentos de Paris. Inaugurada em 1875, foi projetada pelo arquiteto francês Charles Garnier, de quem herdou o nome.
Localizado no 9º distrito da capital francesa, o edifício foi a sede principal da Ópera de Paris até a inauguração da Ópera da Bastilha, em 1989. A construção é considerada uma obra-prima do estilo Beaux-Arts, com fachada ricamente ornamentada, escadarias monumentais e salões luxuosos. Em 1964, o teto da sala principal recebeu uma pintura do artista Marc Chagall.
O edifício inspirou o romance O Fantasma da Ópera, escrito por Gaston Leroux e publicado em 1910. A obra deu origem ao famoso musical de mesmo nome.
O livro mistura ficção com elementos reais do teatro, como corredores e passagens secretas, o grande reservatório de água localizado sob o prédio e acidentes ocorridos no local ao longo do século XIX. Esses elementos contribuíram para a criação da lenda de que a ópera seria assombrada por um misterioso fantasma.
Hoje, a Ópera Garnier recebe principalmente apresentações de balé, concertos e algumas produções líricas, além de permanecer como uma das atrações turísticas mais visitadas de Paris.