Sob o título ‘República dos Laranjas’, o episódio expõe uma rede de relações financeiras, empresariais e políticas envolvendo Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz, o ex-controlador do Banco Master e o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por Redação – do Rio de Janeiro
A conta bancária na qual o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ou filho ’01’ como também é conhecido, aparece como usuário privilegiado; R$ 5 bilhões em apostas; empresas administradas por uma suposta laranja e um jatinho que conecta ’01′ ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Esses são os principais fatos reunidos no episódio da série ‘Revelando’, lançado nesta terça-feira, com apresentação do ator Fábio Porchat.

Sob o título ‘República dos Laranjas’, o episódio expõe uma rede de relações financeiras, empresariais e políticas envolvendo Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz, o ex-controlador do Banco Master e o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
— Todo mundo aqui é sócio de todo mundo. E, ao mesmo tempo, no papel, ninguém é necessariamente sócio de nada — denuncia Porchat, ao apresentar os indícios reunidos em investigações da Polícia Federal (PF) e reportagens destacadas na mídia brasileira.
Bilhões das bets
Um dos principais elos entre as figuras carimbadas da política nacional é a Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz, advogado investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao escândalo do INSS. Documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) mostram que ’01′ constava como “usuário master” em uma conta bancária da empresa.
De acordo com os investigadores, o cadastro sustenta a hipótese de uma participação societária de fato do senador, embora seu nome não aparecesse formalmente entre os proprietários. O candidato de ultradireita alega que a inclusão no cadastro foi indevida e nega ser sócio no empreendimento.
A proximidade entre os dois já havia provocado controvérsia na ‘CPI da Pandemia’. Na época, ’01′ reagiu à tentativa de quebra do sigilo fiscal de Willer Tomaz, defendendo publicamente o advogado.
Defesa
Willer também é investigado por movimentações financeiras em plataformas de apostas. Somente em 2025, realizou operações que somaram aproximadamente R$ 5 bilhões apostados, montante que não corresponde ao dinheiro efetivamente depositado. A defesa atribui as movimentações à dependência em jogos e nega lavagem de dinheiro.
Durante buscas no escritório do advogado, a PF encontrou maços de dinheiro escondidos em livros-cofre e uma máquina de contar cédulas. Outro nome apresentado é Lídia Mazelli, que aparece na administração de 14 empresas ligadas a Willer. Ao ser inicialmente procurada por jornalistas, apresentou-se como doméstica. Posteriormente, negou exercer a profissão e afirmou possuir formação em administração.
A PF investiga se ela atuou como laranja. A defesa da suspeita e a de Willer negam irregularidades.
Jatinho
Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou dos Estados Unidos para Brasília em um jatinho que tinha entre seus cotistas empresas ligadas a Willer Tomaz e a Daniel Vorcaro. O senador afirma ter pegado carona no avião de um amigo. A questão é que a Alcazar, ligada à aeronave, é justamente a empresa em cuja conta Flávio aparecia como “usuário master”.
A rede também envolve imóveis de luxo. Uma mansão em Angra dos Reis, utilizada pelo senador para comemorar o aniversário de uma filha, estava ligada a empresas de Willer e à administração de uma companhia relacionada a Vorcaro.
O episódio recupera ainda as negociações de quase US$ 24 milhões para financiar o filme ‘Dark Horse’, sobre Jair Bolsonaro. Mensagens mostram Flávio cobrando parcelas de Vorcaro. O valor negociado não significa que tenha sido integralmente pago.