Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Nobel da Paz critica Trump por impor sanções contra o TPI

As sanções dos EUA foram divulgadas poucas horas depois do anúncio da jurista como vencedora do Nobel da Paz, escolha que frustrou mais uma vez o desejo do presidente Donald Trump.

Sábado, 10 de Outubro de 2026 às 15:51, por: CdB

As sanções dos EUA foram divulgadas poucas horas depois do anúncio da jurista como vencedora do Nobel da Paz, escolha que frustrou mais uma vez o desejo do presidente Donald Trump.

Por Redação, com Ansa – de Oslo

A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2026, Navi Pillay, criticou as sanções dos Estados Unidos contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) e definiu a medida como “inaceitável e sem precedentes”.

Pillay, de ascendência tâmil indiana, cresceu na cidade costeira de Durban

— Há tanta tensão e ansiedade em torno da continuidade dos tribunais internacionais, principalmente o Tribunal Penal Internacional em Haia. Sanções foram anunciadas por um país contra os juízes, simplesmente por causa das ordens judiciais que eles emitem. Isso é algo sem precedentes e inaceitável — disse a magistrada sul-africana, ex-juíza do TPI, durante uma participação em vídeo em um evento do Centro Nobel da Paz, em Oslo, na Noruega.

As sanções dos EUA foram divulgadas poucas horas depois do anúncio da jurista como vencedora do Nobel da Paz, escolha que frustrou mais uma vez o desejo do presidente Donald Trump de ser laureado com o prêmio mais prestigioso do cenário internacional.

 

Mancha

“Encerrei oito guerras, estou perto de encerrar ou resolver mais duas, garanti a libertação de todos os reféns israelenses e a libertação e repatriação de centenas de reféns ao redor do mundo. No entanto, apesar de tudo isso, nem eu nem os Estados Unidos da América recebemos o Nobel da Paz”, reclamou Trump, na plataforma Truth Social, de sua propriedade.

O presidente norte-americano ainda atacou a Noruega e afirmou que não entregar o prêmio a ele é uma “mancha indelével” para a história do país nórdico. Além disso, destacou que a honraria foi “desacreditada para sempre” ao ser concedida “a uma pessoa de quem nunca se ouviu falar”.

“Não esqueceremos, Noruega”, ameaçou.

 

Juíza

O país nórdico sedia o Comitê do Nobel da Paz, mas não é responsável por designar os vencedores. Navi Pillay, 85 anos, que se encontra em Nuremberg, na Alemanha, foi juíza da câmara de apelação da corte de Haia entre 2003 e 2008 e, mais recentemente, presidiu uma comissão independente da ONU que acusou Israel de cometer genocídio em Gaza. Atualmente, integra o colegiado da Corte Internacional de Justiça (CIJ), principal órgão judicial das Nações Unidas, no caso em que Mianmar responde por genocídio.

Piillay foi laureada por conta de seu “papel fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam processados”, segundo o Comitê Norueguês do Nobel.

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