Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2026

Ministro do STF aconselha Dilma vetar doação empresarial

Em entrevista a jornalistas, nesta sexta-feira, o ministro afirma que a decisão da Corte tende a influenciar no veto da presidenta Dilma Rousseff

Sexta, 18 de Setembro de 2015 às 13:10, por: CdB
Por Redação - de Brasília: O ministro Marco Aurélio Mello, um dos oito votos que definiram como inconstitucionais as doações de empresas para campanhas eleitorais, disse que “a decisão é irreversível”. Em entrevista a jornalistas, nesta sexta-feira, o ministro afirma que a decisão da Corte tende a influenciar no veto da presidenta Dilma Rousseff: — É claro que a decisão do Supremo sinaliza para a presidente da República. Vivemos tempos muito estranhos. Porém, se for observada a ordem natural das coisas, ela deverá vetar (a lei aprovada pelo Congresso na semana passada).
marco-aurelio-mello.jpgMarco Aurelio Mello foi um dos oito votos favoráveis ao fim da contribuição privada às campanhas
Segundo Marco Aurélio, nem mesmo uma emenda constitucional que tramita no Legislativo poderá desfazer a decisão da Suprema Corte. — Nós concluímos pela inconstitucionalidade das contribuições de empresas a partir do texto original da Carta de 1988. Vale dizer: se vier algo dispondo em sentido diverso da proclamação feita pelo Supremo hoje, será conflitante — afirmou. Para o ministro, “os congressistas teriam que alterar também a essência da Constituição, principalmente o versado no artigo 14, parágrafo 9º, que inibe a influência do poder econômico nas eleições. Essa foi a base maior da decisão do Supremo. Levou-se em conta também um princípio básico: é o povo que deve estar representado, não este ou aquele setor econômico”. Truques publicitários O ministro Marco Aurélio acrescentou que, sem contar as doações de pessoas físicas, limitadas a 10% dos rendimentos, os partidos terão de fazer suas campanhas com o dinheiro público do Fundo Partidário e com o horário gratuito no radio e na tevê, que também é custeado pelo contribuinte, uma vez que a cessão do espaço é compensada por meio de isenção tributária às emissoras. “Acho que é tempo de parar com essa coisa de se eleger a partir do marketing e dos truques do publicitário que esteja à frente da campanha”, disse Marco Aurélio, referindo-se ao item mais caro das campanhas eleitorais. “O melhor é que os candidatos se elejam pelas ideias que forem capazes de formular.” Ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio diz que há, hoje, “um círculo vicioso, porque as empresas não tiram as doações do próprio lucro. O que elas fazem é retirar esse dinheiro do superfaturamento de obras. Não há altruísmo nessa matéria”.  
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