Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Marcas chinesas ampliam disputa pelos SUVs no Brasil

Lepas prepara chegada ao mercado brasileiro em 2027 enquanto avaliação de 650 quilômetros na China revela proposta de seu SUV híbrido plug-in L6

Terça, 27 de Outubro de 2026 às 19:49, por: Sérgio Dias

Lepas prepara chegada ao mercado brasileiro em 2027 enquanto avaliação de 650 quilômetros na China revela proposta de seu SUV híbrido plug-in L6

Por Sérgio Dias – de São Paulo

O mercado brasileiro de SUVs eletrificados receberá em 2027 mais uma marca chinesa em um segmento que reúne fabricantes com diferentes propostas de motorização, tecnologia e posicionamento. A Lepas, integrante do Grupo Chery, prepara sua entrada no País com veículos desenvolvidos para disputar espaço no segmento premium. Antes dessa chegada, tive a oportunidade de avaliar o L6 PHEV durante aproximadamente 650 quilômetros entre Xangai e Wuhu, na China, em uma experiência que permitiu conhecer o produto em cidades e rodovias.

Marcas chinesas ampliam disputa pelos SUVs no Brasil

A expansão das fabricantes chinesas vem ampliando as alternativas disponíveis aos consumidores brasileiros. Modelos híbridos, híbridos plug-in e elétricos passaram a ocupar diferentes faixas do mercado, enquanto novas marcas procuram estabelecer sua identidade diante de concorrentes que já possuem operações no País. Nesse cenário, a Lepas encontrará consumidores que podem comparar tecnologias, equipamentos e características de condução antes de decidir pela compra.

A marca foi apresentada internacionalmente em abril de 2025 e integra a estratégia de expansão do Grupo Chery. Seu nome combina as palavras inglesas “leap”, associada a salto, e “passion”, paixão. Com identidade própria, a Lepas organiza seu portfólio em modelos como L4, L6 e L8. A chegada ao Brasil está prevista para 2027, quando precisará transformar sua proposta de posicionamento premium em argumentos capazes de conquistar consumidores.

 

China antes do Brasil

Minha avaliação começou a cerca de 18 mil quilômetros do Brasil. Durante dois dias, dirigi o Lepas L6 PHEV por aproximadamente 650 quilômetros, em um roteiro que começou em Xangai e terminou em Wuhu. A distância percorrida permitiu observar características que nem sempre aparecem em apresentações de veículos limitadas a poucos quilômetros.

Na cabine, o modelo reúne painel digital de 8,88 polegadas e central multimídia de 13,2 polegadas

Antes de assumir o volante, precisei obter uma habilitação chinesa, exigência para participar da programação. Com a documentação resolvida, iniciei o percurso pelas ruas de Xangai, onde o trânsito permitiu conhecer o funcionamento do sistema híbrido em baixas velocidades e as respostas dos comandos durante deslocamentos urbanos.

Dividi a direção com Fernando Naccari, do iG, e Jason Vogel, do Motor1. A presença dos dois jornalistas contribuiu diretamente para o trabalho. A cada troca de motorista, conversamos sobre direção, suspensão, desempenho, ergonomia e equipamentos. A comparação entre nossas impressões ampliou a análise e ajudou a compreender o comportamento do veículo durante os dois dias.

 

Estradas e tecnologia

O roteiro passou pela ponte Minpu, pelas áreas de serviço de Deqing e Tonglu e pela região do lago Qiandao. Atravessamos a ponte sobre o lago, fizemos uma parada no Qiandao Lake Hilton e seguimos pela região de She County, Ningguo e Xinzhou até Wuhu. A combinação entre cidades, rodovias e diferentes condições de circulação permitiu observar o L6 PHEV em situações de utilização distintas.

O Lepas L6 PHEV utiliza um sistema híbrido que combina motor a combustão e propulsão elétrica

As estradas chinesas também participaram dessa experiência. Encontrei pavimentação, sinalização e organização viária que contribuíram para manter o ritmo de viagem. A qualidade dos trechos percorridos permitiu avaliar o comportamento do veículo em curvas, mudanças de faixa e velocidades rodoviárias, mostrando como a infraestrutura influencia diretamente a utilização de um automóvel.

O Lepas L6 PHEV utiliza um sistema híbrido que combina motor a combustão e propulsão elétrica. O motor apresenta eficiência térmica de 44,5%, enquanto o consumo de referência é de 5,9 litros por 100 quilômetros no ciclo WLTC, equivalente a aproximadamente 16,9 km/l. Durante nossa avaliação, essa média foi confirmada, resultado que considero um dos pontos positivos do modelo.

 

Eletrificação na prática

A autonomia combinada chega a 1.058 quilômetros no ciclo WLTC. Para quem pretende utilizar um veículo eletrificado em viagens, a possibilidade de recorrer ao motor a combustão reduz a necessidade de organizar todo o deslocamento em função de pontos de recarga. Essa característica ganhou importância durante um percurso que reuniu aproximadamente 650 quilômetros entre diferentes cidades chinesas.

Outro aspecto que merece reconhecimento é o comportamento dinâmico. O L6 utiliza suspensão independente nas quatro rodas, com calibração desenvolvida com participação da engenharia europeia. Ao longo da viagem, encontrei respostas consistentes da direção e controle dos movimentos da carroceria. O conjunto conciliou conforto para os ocupantes e comportamento adequado às velocidades praticadas.

Na cabine, o modelo reúne painel digital de 8,88 polegadas e central multimídia de 13,2 polegadas, com resolução 2K e processador Snapdragon 8155. Controle de cruzeiro adaptativo, assistência em congestionamentos, manutenção de faixa, frenagem automática de emergência e monitoramento de ponto cego integram o conjunto de equipamentos destinados à condução.

 

Disputa ganha concorrente

O Lepas L6 PHEV também oferece teto panorâmico de 1,12 metro quadrado, recursos de climatização, filtragem do ar e sete airbags. O espaço interno e a organização dos comandos atenderam às necessidades da viagem, inclusive durante as alternâncias entre motorista e passageiros. A experiência mostrou um veículo que reúne qualidade de condução, conectividade e recursos de assistência.

A chegada da Lepas ao Brasil acontecerá em um mercado no qual fabricantes chinesas já disputam consumidores com diferentes tecnologias de eletrificação. A marca precisará apresentar uma proposta capaz de se diferenciar em um segmento no qual equipamentos, autonomia, consumo e comportamento dinâmico participam da decisão de compra. Depois de dois dias ao volante do L6 PHEV, considero que o modelo reúne condições para participar dessa disputa.

Ao concluir minha avaliação entre Xangai e Wuhu, destaco três pontos positivos: o funcionamento do sistema híbrido, que confirmou a média de consumo de 16,9 km/l; o comportamento da suspensão, que conciliou conforto e controle da carroceria; e o conjunto de conectividade e assistência à condução. Como ponto que pode ser melhorado, considero o acabamento interno. A cabine apresenta qualidade, mas uma marca que pretende atuar no segmento premium ainda pode evoluir na escolha e apresentação de alguns materiais.

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