Lepas prepara chegada ao mercado brasileiro em 2027 enquanto avaliação de 650 quilômetros na China revela proposta de seu SUV híbrido plug-in L6
Por Sérgio Dias – de São Paulo
O mercado brasileiro de SUVs eletrificados receberá em 2027 mais uma marca chinesa em um segmento que reúne fabricantes com diferentes propostas de motorização, tecnologia e posicionamento. A Lepas, integrante do Grupo Chery, prepara sua entrada no País com veículos desenvolvidos para disputar espaço no segmento premium. Antes dessa chegada, tive a oportunidade de avaliar o L6 PHEV durante aproximadamente 650 quilômetros entre Xangai e Wuhu, na China, em uma experiência que permitiu conhecer o produto em cidades e rodovias.

A expansão das fabricantes chinesas vem ampliando as alternativas disponíveis aos consumidores brasileiros. Modelos híbridos, híbridos plug-in e elétricos passaram a ocupar diferentes faixas do mercado, enquanto novas marcas procuram estabelecer sua identidade diante de concorrentes que já possuem operações no País. Nesse cenário, a Lepas encontrará consumidores que podem comparar tecnologias, equipamentos e características de condução antes de decidir pela compra.
A marca foi apresentada internacionalmente em abril de 2025 e integra a estratégia de expansão do Grupo Chery. Seu nome combina as palavras inglesas “leap”, associada a salto, e “passion”, paixão. Com identidade própria, a Lepas organiza seu portfólio em modelos como L4, L6 e L8. A chegada ao Brasil está prevista para 2027, quando precisará transformar sua proposta de posicionamento premium em argumentos capazes de conquistar consumidores.
China antes do Brasil
Minha avaliação começou a cerca de 18 mil quilômetros do Brasil. Durante dois dias, dirigi o Lepas L6 PHEV por aproximadamente 650 quilômetros, em um roteiro que começou em Xangai e terminou em Wuhu. A distância percorrida permitiu observar características que nem sempre aparecem em apresentações de veículos limitadas a poucos quilômetros.

Antes de assumir o volante, precisei obter uma habilitação chinesa, exigência para participar da programação. Com a documentação resolvida, iniciei o percurso pelas ruas de Xangai, onde o trânsito permitiu conhecer o funcionamento do sistema híbrido em baixas velocidades e as respostas dos comandos durante deslocamentos urbanos.
Dividi a direção com Fernando Naccari, do iG, e Jason Vogel, do Motor1. A presença dos dois jornalistas contribuiu diretamente para o trabalho. A cada troca de motorista, conversamos sobre direção, suspensão, desempenho, ergonomia e equipamentos. A comparação entre nossas impressões ampliou a análise e ajudou a compreender o comportamento do veículo durante os dois dias.
Estradas e tecnologia
O roteiro passou pela ponte Minpu, pelas áreas de serviço de Deqing e Tonglu e pela região do lago Qiandao. Atravessamos a ponte sobre o lago, fizemos uma parada no Qiandao Lake Hilton e seguimos pela região de She County, Ningguo e Xinzhou até Wuhu. A combinação entre cidades, rodovias e diferentes condições de circulação permitiu observar o L6 PHEV em situações de utilização distintas.

As estradas chinesas também participaram dessa experiência. Encontrei pavimentação, sinalização e organização viária que contribuíram para manter o ritmo de viagem. A qualidade dos trechos percorridos permitiu avaliar o comportamento do veículo em curvas, mudanças de faixa e velocidades rodoviárias, mostrando como a infraestrutura influencia diretamente a utilização de um automóvel.
O Lepas L6 PHEV utiliza um sistema híbrido que combina motor a combustão e propulsão elétrica. O motor apresenta eficiência térmica de 44,5%, enquanto o consumo de referência é de 5,9 litros por 100 quilômetros no ciclo WLTC, equivalente a aproximadamente 16,9 km/l. Durante nossa avaliação, essa média foi confirmada, resultado que considero um dos pontos positivos do modelo.
Eletrificação na prática
A autonomia combinada chega a 1.058 quilômetros no ciclo WLTC. Para quem pretende utilizar um veículo eletrificado em viagens, a possibilidade de recorrer ao motor a combustão reduz a necessidade de organizar todo o deslocamento em função de pontos de recarga. Essa característica ganhou importância durante um percurso que reuniu aproximadamente 650 quilômetros entre diferentes cidades chinesas.
Outro aspecto que merece reconhecimento é o comportamento dinâmico. O L6 utiliza suspensão independente nas quatro rodas, com calibração desenvolvida com participação da engenharia europeia. Ao longo da viagem, encontrei respostas consistentes da direção e controle dos movimentos da carroceria. O conjunto conciliou conforto para os ocupantes e comportamento adequado às velocidades praticadas.
Na cabine, o modelo reúne painel digital de 8,88 polegadas e central multimídia de 13,2 polegadas, com resolução 2K e processador Snapdragon 8155. Controle de cruzeiro adaptativo, assistência em congestionamentos, manutenção de faixa, frenagem automática de emergência e monitoramento de ponto cego integram o conjunto de equipamentos destinados à condução.
Disputa ganha concorrente
O Lepas L6 PHEV também oferece teto panorâmico de 1,12 metro quadrado, recursos de climatização, filtragem do ar e sete airbags. O espaço interno e a organização dos comandos atenderam às necessidades da viagem, inclusive durante as alternâncias entre motorista e passageiros. A experiência mostrou um veículo que reúne qualidade de condução, conectividade e recursos de assistência.
A chegada da Lepas ao Brasil acontecerá em um mercado no qual fabricantes chinesas já disputam consumidores com diferentes tecnologias de eletrificação. A marca precisará apresentar uma proposta capaz de se diferenciar em um segmento no qual equipamentos, autonomia, consumo e comportamento dinâmico participam da decisão de compra. Depois de dois dias ao volante do L6 PHEV, considero que o modelo reúne condições para participar dessa disputa.
Ao concluir minha avaliação entre Xangai e Wuhu, destaco três pontos positivos: o funcionamento do sistema híbrido, que confirmou a média de consumo de 16,9 km/l; o comportamento da suspensão, que conciliou conforto e controle da carroceria; e o conjunto de conectividade e assistência à condução. Como ponto que pode ser melhorado, considero o acabamento interno. A cabine apresenta qualidade, mas uma marca que pretende atuar no segmento premium ainda pode evoluir na escolha e apresentação de alguns materiais.