Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Lula cogita levar Alckmin para disputa eleitoral em São Paulo

Lula admite não repetir chapa com Alckmin em 2026, explorando novas alianças políticas e a possibilidade de candidaturas em São Paulo.

Sexta, 06 de Fevereiro de 2026 às 19:39, por: CdB

A declaração ocorre em meio às movimentações do PT para atrair o MDB e formar uma aliança nacional mais ampla na corrida ao Palácio do Planalto.

Por Redação – de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou pela primeira vez, nesta sexta-feira, que admite a possibilidade de não repetir a atual chapa com Geraldo Alckmin (PSB) na candidatura à reeleição em 2026. O presidente abre, assim, um espaço para novas composições políticas.

Lula cogita levar Alckmin para disputa eleitoral em São Paulo | Geraldo Alckmin e Lula formaram a chapa vitoriosa que destituiu o governo neofascista de Bolsonaro
Geraldo Alckmin e Lula formaram a chapa vitoriosa que destituiu o governo neofascista de Bolsonaro

A declaração ocorre em meio às movimentações do PT para atrair o MDB e formar uma aliança nacional mais ampla na corrida ao Palácio do Planalto e Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), entram para a lista de nomes considerados para disputar o governo de São Paulo, destacando o peso do eleitorado paulistano; além da necessidade de um palanque forte em meio à disputa com a ultradireita, que predomina no Estado.

 

Bastidores

O presidente, nesta manhã, elevou o tom ao afirmar que os aliados já compreendem o papel estratégico que podem desempenhar no maior colégio eleitoral do país.

— Nós temos muitos votos em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem. A Simone (Tebet) também tem um papel para cumprir, também não conversei com ela — adiantou.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que o presidente busca antecipar cenários e ampliar as alternativas eleitorais, evitando deixar pistas previsíveis para adversários. De acordo com auxiliares do Planalto, Lula estaria disposto a “colocar todas as cartas na mesa”, sem descartar nenhuma hipótese, inclusive a saída de Alckmin da chapa presidencial caso isso facilite a entrada formal do MDB em uma aliança nacional.

 

Cargos

Uma ala do governo afirma que Lula vê com bons olhos uma candidatura de Alckmin em São Paulo, seja ao governo estadual ou ao Senado. A expectativa, no entanto, é que qualquer decisão só ocorra no meio do ano. O vice-presidente, por sua vez, precisa deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio até o início de abril caso decida disputar algum cargo nas eleições.

Líderes petistas avaliam que Lula aceitaria a retirada de Alckmin da vice-presidência apenas se o movimento representasse um ganho político expressivo — como garantir o apoio do MDB. Ainda assim, o partido é visto como difícil de unificar nacionalmente, dado seu histórico de divisões regionais, mesmo em períodos em que esteve formalmente aliado ao PT, como nas eleições de 2010 e 2014, quando Michel Temer foi indicado vice de Dilma Rousseff.

Aliados de Alckmin, porém, minimizaram o peso das declarações do presidente e sustentam que Lula apenas buscou convocá-lo para ajudar na articulação política paulista. O próprio vice-presidente, segundo relatos de bastidores, não acredita que haja um movimento real para afastá-lo do projeto nacional.

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