O Kremlin condenou a decisão do Reino Unido de ajudar a Ucrânia a fabricar mísseis de longo alcance SCALP, afirmando que a ação amplia o conflito e bloqueia negociações de paz.
Por Redação, com Reuters e ANSA – de Moscou, Roma
O Kremlin disse nesta segunda-feira que a decisão do Reino Unido de fornecer à Ucrânia informações confidenciais sobre componentes de fabricação britânica utilizados na produção dos mísseis de cruzeiro de longo alcance SCALP “jogaria lenha na fogueira” e foi vista por Moscou de forma extremamente negativa.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, chegou a Kiev nesta segunda-feira em sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu o cargo e deve anunciar o apoio britânico para ajudar Kiev a melhorar sua produção nacional de mísseis de longo alcance.
Questionado sobre a visita e o apoio, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou o Reino Unido de fazer tudo o que pudesse para impedir qualquer avanço rumo a um eventual acordo de paz.
“O Reino Unido está envolvido nesta guerra ao lado do regime de Kiev. O Reino Unido, de forma metódica e regular, joga lenha na fogueira e, de forma metódica e regular, trama esquemas para impedir até mesmo o menor progresso no processo de solução pacífica”, disse Peskov aos repórteres.
Peskov afirmou que as Forças Armadas russas já estavam coletando dados sistematicamente para identificar a localização de quaisquer instalações de produção de mísseis e, em seguida, destruí-las.
Moscou alertou Londres na semana passada sobre “consequências” não especificadas pelo fornecimento de drones a Kiev, acusando o Reino Unido de aprofundar seu envolvimento na guerra após uma reportagem afirmar que drones de fabricação britânica haviam sido usados pela primeira vez em ataques de longo alcance contra a Rússia. Burnham afirmou na ocasião que Londres estava comprometida a apoiar a Ucrânia 100% contra “essa guerra ilegal”.
Itália
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, defendeu nesta segunda-feira um caminho de negociação que leve a uma paz “justa e duradoura” na Ucrânia.
A declaração foi dada durante a reunião virtual dos líderes da Coalizão dos Dispostos, realizada por ocasião do 35º aniversário da independência do país do leste europeu.
Segundo comunicado do governo italiano, Meloni reiterou que Roma apoia “a soberania, a integridade territorial e a independência da Ucrânia” e expressou “profunda solidariedade” ao presidente Volodymyr Zelensky e ao povo ucraniano diante dos ataques russos a infraestruturas civis.
“Meloni reafirmou a determinação da Itália em operar ao lado dos parceiros internacionais para favorecer um percurso de negociações rumo a uma paz justa e duradoura”, afirma a nota.
Durante a reunião, de acordo com o comunicado, os líderes da Coalizão dos Dispostos concordaram em “reforçar a eficácia do regime de sanções e combater qualquer tentativa de contorná-lo, para enfraquecer ainda mais a máquina de guerra de Moscou”.
Meloni também confirmou o compromisso da Itália na frente humanitária, com o envio de novos geradores de eletricidade para ajudar a garantir a estabilidade da rede energética ucraniana e apoiar a população durante o inverno.
A Coalizão dos Dispostos é um grupo de países europeus que se ofereceram para participar das garantias de segurança à Ucrânia no caso de um eventual acordo de paz com a Rússia. O grupo é liderado por França e Reino Unido, cujo premiê, Andy Burnham, visitou Kiev nesta segunda-feira.
– Estou determinado, com os Dispostos, a dar a ajuda de que se precisa, não apenas para a defesa aérea, mas também para destruir os mísseis russos antes que eles partam – disse o primeiro-ministro.