Rio de Janeiro, 14 de Março de 2026

Jürgen Habermas, referência na Filosofia alemã, morre aos 96 anos

Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, faleceu aos 96 anos. Reconhecido por suas contribuições ao pensamento democrático e crítico, sua obra influenciou gerações.

Sábado, 14 de Março de 2026 às 15:41, por: CdB

Em 2001, quando recebeu o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, em Frankfurt, a então prefeita, Petra Roth, o elogiou por sua “incansabilidade de reflexão” e pela “incorruptibilidade de seu julgamento”.

Por Redação, com DW – Berlim

Morreu neste sábado, aos 96 anos, o filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, conforme anunciou a editora alemã Suhrkamp, citando a família do intelectual. Para muitos, o pensador marxista encarnava o conhecimento, e sua opinião era ouvida onde quer que ele a manifestasse. Como renomado filósofo, acabou se tornando uma espécie de marca intelectual alemã.

Jürgen Habermas, referência na Filosofia alemã, morre aos 96 anos | O filósofo Jürgen Habermas tornou-se uma referência do pensamento alemão
O filósofo Jürgen Habermas tornou-se uma referência do pensamento alemão

Em 2001, quando recebeu o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, em Frankfurt, a então prefeita, Petra Roth, o elogiou por sua “incansabilidade de reflexão” e pela “incorruptibilidade de seu julgamento”, com os quais, segundo ela, Habermas contribuiu para a reputação cultural da Alemanha no mundo.

 

Democracia

Quando Habermas falava sobre algum assunto, geralmente se tratava de grandes questões sociais.

— O que atravessa a teoria de Habermas como um fio condutor é o tema ‘democracia’. Ele próprio a definiu, certa vez, como a ‘palavra mágica’ de seu pensamento — disse Stefan Müller-Doohm, sociólogo e biógrafo do pensador, em entrevista à agência alemã de notícias DW.

Um dos componentes do pensamento do filósofo é a noção de que um sistema econômico capitalista precisa ser “domado” com meios democráticos. Para o biógrafo, a democracia tornou-se tema existencial de Habermas devido em parte a suas experiências pessoais.

 

Regime

Nascido em 1929, em Düsseldorf, no oeste alemão, Habermas cresceu durante a era nazista. Ele ainda era um um adolescente quando ela chegou ao fim, mas, assim como outros intelectuais de sua geração, usou o “regime criminoso” do nazismo como ponto de partida para suas considerações e sua teoria acadêmica. 

Na década de 1980, ele travou uma célebre disputa histórica com o historiador e filósofo Ernst Nolte. Enquanto Nolte tentava traçar paralelos entre os crimes do nazismo e os do stalinismo, para Habermas, isso significava relativizar a crueldade inigualável do Holocausto.

Já durante a juventude, Habermas interessou-se por questões sociais. Após estudar filosofia, economia e literatura alemã de 1949 a 1954, entre outras disciplinas, ele atuou inicialmente como jornalista freelancer. Um dos jornais para que escreveu foi o Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ).

 

Adorno

Suas publicações atraíram a atenção do filósofo Theodor W. Adorno (1903-1969), cofundador da Escola de Frankfurt de Teoria Crítica, juntamente com Max Horkheimer, diretor do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt. Adorno levou Habermas para o instituto e o influenciou com sua análise crítica da sociedade.

Juntamente com Adorno e Horkheimer, Habermas acabou sendo um dos principais representantes da Escola de Frankfurt, que reuniu filósofos e cientistas sociais a partir da década de 1920 e teve decisiva influência após a Segunda Guerra Mundial, no clima político e filosófico da então jovem República Federal da Alemanha.

Devido à aversão de Horkheimer, na época diretor do instituto, ao então jovem de orientação marxista e politicamente engajado, Habermas foi forçado a fazer seu doutorado na cidade de Marburg. Em 1964, porém, retornou a Frankfurt, como catedrático de Filosofia e Sociologia, e sucessor justamente de Horkheimer.

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