Aos 62 anos, o nacionalista eurocético Orbán enfrenta a maior ameaça aos seus 16 anos de poder.
Por Redação, com Reuters – de Budapeste
À medida que a Hungria se aproxima de uma eleição crucial, os eleitores que atingiram a maioridade sob o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán emergiram como um grupo fundamental de apoio à oposição, com alguns afirmando que deixarão o país caso o veterano seja reeleito.

Aos 62 anos, o nacionalista eurocético Orbán enfrenta a maior ameaça aos seus 16 anos de poder, com a maioria das sondagens de opinião indicando que seu rival de centro-direita, Peter Magyar, e seu Partido Tisza estão a caminho da vitória nas eleições de domingo.
O político húngaro, de 45 anos, com boa presença na mídia, está se mostrando uma alternativa atraente para muitos eleitores mais jovens, desiludidos com o partido de direita Fidesz de Orbán, afirmam sociólogos e pesquisadores de opinião.
– O pensamento do Fidesz já não compreende os jovens – afirmou o sociólogo Daniel Oross.
Os estudantes universitários em tempo integral são um grupo demográfico especialmente importante, disse ele, observando que, se votassem em bloco, poderiam levar um partido para acima da cláusula de barreira parlamentar de 5%.
Imigrantes
O número de emigrantes húngaros aumentou acentuadamente desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, que teve um impacto particularmente negativo na economia da Hungria e desencadeou uma onda inflacionária na União Europeia.
Pesquisas da UE mostram que a maioria dos imigrantes em idade ativa tem entre 20 e 34 anos e, embora muitos retornem, o saldo é negativo, impulsionado em parte pelo que os sociólogos dizem ser a falta de perspectivas na Hungria, um dos membros mais pobres do bloco.
Embora problemas como a falta de moradia acessível afetem os jovens em toda a Europa, muitas outras dificuldades são de origem interna, como a corrupção ou a qualidade da educação na Hungria, que desencadeou vários protestos desde a reeleição de Orbán, em 2022.
Para alguns, como Tamara Pohly, de 18 anos, a eleição de domingo será um momento decisivo.
– Eu não gostaria de viver em um país onde as pessoas que votam no Fidesz ou defendem os valores do Fidesz sejam maioria – disse ela em um café ao ar livre em Budapeste.
Pohly, que participou de vários protestos estudantis contra Orbán, quer se tornar designer industrial e diz que se mudará para o exterior após se formar, caso ele permaneça no poder.
Voto jovem
O atual primeiro-ministro eliminou o imposto de renda para menores de 25 anos e lançou um programa de empréstimos hipotecários subsidiados em 3% para ajudar compradores de primeiro imóvel a entrarem no mercado imobiliário, em meio à maior alta dos preços de residências na União Europeia sob seu governo.
– Mesmo sob a sombra da guerra, a Hungria fez tudo pelos jovens húngaros para que eles possam… ter uma vida independente e bem-sucedida – disse Orbán durante um evento de campanha na cidade de Szentes, no sul da Hungria.
Mas sua frustração ocasionalmente transborda, rotulando a oposição dos jovens à sua liderança como uma “rebelião falsa” ou dizendo que eles deveriam ser gratos pelas medidas tomadas pelo seu governo para apoiá-los.
O Fidesz, originalmente lançado como um movimento juvenil de oposição durante a Guerra Fria, conta atualmente com o apoio de apenas 8% dos eleitores entre 18 e 29 anos, segundo uma pesquisa da Median, ou 22% na faixa etária mais ampla de 18 a 39 anos, de acordo com a Zavecz Research.
O líder da oposição, Magyar, prometeu desbloquear bilhões de euros destinados à Hungria, suspensos pela UE devido ao que considera uma erosão das liberdades democráticas promovida por Orbán. Magyar afirma que pretende usar parte dos fundos para impulsionar a educação e a habitação acessível, áreas de grande preocupação para os eleitores mais jovens.
“Velhos rabugentos”
Zsolt Istvan Zoldi, de 21 anos, apoiador do partido de extrema-direita Nossa Pátria, que pode se tornar decisivo caso entre para o parlamento, não tem planos de deixar a Hungria, mas também deseja mudanças.
– Entre os jovens, o Fidesz é visto como um grupo de velhos rabugentos, corruptos e conservadores – disse Zoldi após uma sessão de treino de kickboxing.
Zoldi afirmou estar extremamente preocupado com o estado “catastrófico” dos serviços públicos, a corrupção e o domínio de Orbán sobre a mídia tradicional.
O partido Nossa Pátria afirma que expandiria os dormitórios universitários, lançaria um programa de construção de moradias para aluguel e reduziria a burocracia para ajudar startups e desencorajar a emigração de jovens.
No entanto, nem todos os jovens se opõem a Orbán.
Gergo Farkas, de 18 anos, elogia a experiência do líder veterano, aprimorada por múltiplas crises, seus fortes laços com líderes mundiais e seu apoio aos valores cristãos tradicionais.
– Ele é um verdadeiro líder húngaro – disse Farkas em um comício de Orbán na cidade de Szombathely, no oeste do país, acrescentando que qualquer pessoa que planejasse deixar a Hungria por motivos políticos seria, na prática, culpada de “traição”.
– Um verdadeiro húngaro não deve ir embora por causa de nenhum governo em particular – disse. “Teremos outra eleição daqui a quatro anos e então você poderá tentar novamente.”