Rio de Janeiro, 16 de Junho de 2026

Iranianos lamentam estreia na Copa: 'Injustiça' e 'desastre'

Após empate com a Nova Zelândia, jogadores do Irã expressam frustração sobre as dificuldades enfrentadas na Copa do Mundo. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, visita a equipe e ouve críticas.

Terça, 16 de Junho de 2026 às 13:20, por: CdB

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, visitou o vestiário da equipe após o jogo com a Nova Zelândia e ouviu críticas do treinador Amir Ghalanoei.

Por Redação, com CartaCapital – de Los Angeles

Após meses de incerteza sobre a participação na Copa do Mundo, em meio às dificuldades impostas pelo governo de Donald Trump, o Irã estreou no Mundial empatando com a Nova Zelândia por 2 a 2, na segunda-feira, em Los Angeles. Depois do jogo, atletas e comissão técnica protestaram pela situação vivida pela equipe, que está concentrada no México e disputará suas partidas na primeira fase nos EUA.

O meia iraniano Mohammad Mohebbi lamenta o empate com a Nova Zelândia na estreia do Mundial; os iranianos enfrentam dificuldades impostas pelos EUA

– Deveríamos chegar pelo menos dois dias antes do jogo, mas chegamos só segunda [véspera da partida]. Começamos a viagem de manhã, chegamos à tarde. Fomos direto para treinar, ficamos cansados. Essas coisas não são justas. Precisamos de uma competição justa – desabafou o meia Mohammad Mohebi, que marcou o segundo gol do time na partida.

Parte da delegação iraniana teve os vistos negados, e não poderá entrar nos EUA nem mesmo no dia dos jogos. Além disso, a cota de ingressos destinados a torcedores que vivem no Irã foi revogada.

– Tudo é um desastre para nós. Não estamos dando desculpas, estamos olhando para a frente. Temos esperança para os dois próximos jogos. Vamos fazer o melhor para as pessoas do nosso país, tentar trazer alegria para nossos torcedores – afirmou o atacante Mehdi Taremi, principal jogador do atual elenco iraniano, logo após deixar o gramado.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, que tenta colocar panos quentes na situação vivida pelos iranianos enquanto ostenta a amizade e o alinhamento político com Donald Trump, visitou o vestiário da seleção do Irã após o jogo e tentou transmitir uma mensagem de otimismo.

– Eu sei o que vocês estão passando, eu compreendo, mas vocês são mais fortes que tudo – disse. “Foi um jogo difícil, vocês poderiam ter vencido se tivessem mais sorte. Mas vocês mostraram às suas famílias, seus amigos, seu povo, ao mundo, que vocês estão na Copa do Mundo. E ainda há mais dois jogos. Nesses dois jogos, vocês vão deixar todos orgulhosos.”

O treinador da seleção do Irã, Amir Ghalenoei, agradeceu a Infantino pela visita e pela mensagem, mas deixou claro que as condições impostas aos iranianos dificultaram a preparação da equipe.

– Fomos o time mais agredido da Copa do Mundo. Isso foi uma injustiça contra nosso time. Tínhamos que ter chegado aqui [aos EUA] com duas semanas de antecedência, por causa do voo longo, de mais de 10 horas, mas tiraram isso de nós – afirmou.

– Eles não queriam que viéssemos para cá [a cidade do jogo] dois dias antes, e essa é outra injustiça. Eles nos forçaram a entrar no avião e voltar [para o México, logo após o jogo], e isso nos prejudica para o próximo jogo. Talvez sejamos o time mais agredido da história da Copa do Mundo – prosseguiu Ghalanoei.

As dificuldades burocráticas continuam. Segundo a agência de notícias estatal iraniana Irna, o visto do atacante Mehdi Torabi expirou após sua entrada nos EUA para a partida da última segunda. Os demais jogadores receberam vistos que permitem múltiplas entradas e saídas.

A Federação “iniciou os trâmites para obter um novo visto para que ele possa acompanhar a seleção nacional em suas próximas partidas”, acrescentou a agência estatal, citada pela agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP).

O jogo

Apesar das dificuldades fora de campo, com a bola rolando, o Irã protagonizou, junto da Nova Zelândia, uma das melhores partidas da Copa do Mundo até aqui.

Os neozelandeses saíram na frente aos seis minutos do primeiro tempo, com Elijah Just. O empate do Irã veio ainda na etapa inicial, gol de Ramin Rezaeian.

No segundo tempo, Just fez o segundo dele e voltou a colocar a Nova Zelândia em vantagem. Mas um gol de cabeça de Mohebi deu números finais ao placar: 2 a 2.

No outro jogo do grupo G, também na segunda-feira 15, mais um empate: 1 a 1 entre Bélgica e Egito. Emam Ashour abriu o placar para os egípcios no primeiro tempo, e Mohamed Hany fez gol contra na etapa final.

A segunda rodada do grupo acontece no domingo 21. O Irã joga com a Bélgica, enquanto a Nova Zelândia encara o Egito.

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