O fogo obrigou mais de 2 mil turistas e moradores a deixar a região, segundo as autoridades. Outros países europeus também seguem em alerta.
Por Redação, com RFI – de Zagreb
Ao menos 40 pessoas ficaram feridas, incluindo dez em estado grave, em um violento incêndio florestal que atingiu várias áreas residenciais de Split, cidade turística do litoral da Croácia, entre a noite de quinta e a madrugada desta sexta-feira.

O fogo obrigou mais de 2 mil turistas e moradores a deixar a região, segundo as autoridades. Outros países europeus também seguem em alerta.
O comandante nacional dos bombeiros croatas, Slavko Tucakovic, classificou o episódio como “um dos piores incêndios da história da Croácia”. Segundo ele, entre 900 e mil hectares foram devastados na região de Omis, na costa central do país.
– Por volta das duas da manhã, o incêndio começou a se espalhar muito rapidamente por causa dos ventos fortes e das mudanças constantes de direção. Foi uma cena assustadora. Muitas casas, cafés, restaurantes, carros e embarcações em terra foram danificados – relatou Tucakovic.
O incêndio começou na localidade turística de Lokva Rogoznica e, impulsionado por fortes ventos, devastou áreas de vegetação e pinhais antes de alcançar zonas residenciais. As chamas avançaram por vários quilômetros em direção a Omis.
Entre os 40 feridos estão um turista alemão e outro polonês. Os demais são cidadãos croatas. Dez pessoas foram internadas em unidades de terapia intensiva, dentre elas, sete estão em estado crítico, incluindo um adolescente de 17 anos, segundo o corpo médico.
Quase 300 bombeiros, apoiados por 93 veículos, foram mobilizados durante toda a noite, mas não conseguiram conter o avanço das chamas. A situação foi controlada pela manhã, permitindo que quatro aviões-tanque Canadair enviados para a região fossem deslocados para a península de Peljesac, cerca de 140 quilômetros ao sul, onde outro grande incêndio começou nas primeiras horas do dia.
O primeiro-ministro croata, Andrej Plenkovic, visitou a área afetada e destacou a velocidade excepcional do avanço das chamas: “Esse incêndio se espalhou em uma velocidade fulminante. O que os bombeiros conseguiram salvar é praticamente um milagre”, afirmou.
Segundo moradores, o fogo percorreu entre 12 e 15 quilômetros em apenas uma hora e meia.
Moradores e turistas
Mais de 2 mil pessoas foram levadas para um centro de acolhimento instalado pela Cruz Vermelha em um ginásio esportivo de Omis. Entre elas, estava Anamarija, turista de Zagreb, que escapou com um bebê nos braços.
– Tudo parecia normal. De repente ouvimos as sirenes e os avisos para evacuar. Talvez devessem ter nos alertado mais cedo. Quando começamos a sair, o fogo já estava por toda parte – contou à televisão pública croata.
Outras 300 pessoas, a maioria turistas poloneses, tchecos e eslovacos, foram alojadas em um ginásio na cidade de Split. Alguns perderam documentos de identidade ou deixaram medicamentos para trás durante a fuga.
A Croácia enfrenta, assim como o restante dos Bálcãs, uma intensa onda de calor. Nos últimos dias, várias cidades da costa do Adriático registraram recordes de temperatura, entre elas Split.
Desde o início do ano, o país contabilizou cerca de 3,9 mil incêndios, que devastaram quase 10 mil hectares, um aumento de 75% na área atingida em relação ao mesmo período de 2025.
Calor
A Europa continua enfrentando uma temporada crítica de incêndios florestais, favorecida pela combinação de vegetação ressecada, solos secos e sucessivas ondas de calor desde o fim da primavera.
Na França, um novo incêndio em Landes, no sudoeste do país, já havia consumido 1,1 mil hectares na manhã desta sexta-feira e provocado a remoção de mais de 500 pessoas. No mesmo maciço florestal de Landes de Gascogne, um megaincêndio havia devastado mais de 40 mil hectares na região de Bordeaux no fim de julho.
A França já registra em 2026 o maior número de hectares queimados dos últimos 20 anos, desde o início do monitoramento por satélite do sistema europeu Effis. Cerca de 100 mil hectares já foram destruídos pelo fogo.
No oeste da Alemanha, cerca de 1,8 mil pessoas foram retiradas de suas casas devido a um incêndio que já destruiu 300 hectares. As chamas se aproximaram a apenas 200 metros de áreas habitadas na cidade de Hürtgenwald, próxima à fronteira com a Bélgica. Cerca de 300 profissionais foram mobilizados para combater o fogo.
A Grécia permanece em alerta máximo devido ao risco extremo de incêndios. Fortes ventos, que em algumas regiões podem atingir 100 km/h, dificultam o trabalho dos bombeiros e afetam a navegação marítima. Um grande incêndio registrado na região da Calcídica, no norte do país, foi controlado na quinta-feira, mas segue sob vigilância devido ao risco de retomada das chamas.
Há dez dias, outro incêndio destruiu mais de 11 mil hectares de pinhais, vegetação mediterrânea e áreas agrícolas ao noroeste de Atenas. Especialistas alertam que as mudanças climáticas estão aumentando a frequência, a duração e a intensidade dos incêndios florestais em toda a Europa.