Os turistas que faziam a trilha ficaram bloqueados após o fechamento de um trecho da GR20 entre duas etapas do percurso.
Por Redação com, RFI – de Paris
Ao menos 200 pessoas ficaram presas nesta quinta-feira na famosa trilha de caminhada GR20, na Córsega, ilha francesa localizada no Mar Mediterrâneo, após um incêndio florestal.

Os turistas que faziam a trilha ficaram bloqueados após o fechamento de um trecho da GR20 entre duas etapas do percurso, no norte da chamada Ilha da Beleza, mas conseguiram deixar o refúgio de Tighjettu, na Alta Córsega, onde estavam abrigados.
Na manhã desta quinta-feira, 49 pessoas permaneciam no local, segundo comunicado da prefeitura. Destas, 43 seguiram para Asco e Lozzi, ao norte do refúgio, enquanto outras seis, “consideradas aptas a prosseguir a caminhada e que solicitaram assistência”, retomaram o percurso acompanhadas pelo Pelotão de Gendarmaria de Alta Montanha (PGHM) até a cidade de Calacuccia.
O acesso e a circulação nas áreas afetadas, incluindo a trilha GR20 e a floresta municipal de Albertacce, estão proibidos, segundo o comunicado. De acordo com o último balanço dos bombeiros, 180 hectares de vegetação foram destruídos por vários focos de incêndio que continuam ativos nas proximidades da cidade de Corte. As equipes de emergência atuam para evitar que as chamas se espalhem para as florestas vizinhas.
Em outras regiões da França, as florestas também enfrentam incêndios, como ocorre na floresta de Fontainebleau, localizada a cerca de 60 km ao sudeste de Paris. No total, mais de 32.000 hectares já foram destruídos pelo fogo na França desde o início do ano.
Macron
O presidente francês, Emmanuel Macron, visitou os profissionais mobilizados no combate às chamas em Fontainebleau, onde 2 mil hectares foram destruídos. “Não há dúvida de que tudo o que vocês fizeram permitiu evitar o pior em uma situação extraordinária, algo que não víamos há mais de oito décadas”, declarou o presidente.
Segundo Macron, a atuação das equipes permitiu evitar vítimas fatais. A floresta de Fontainebleau é considerada uma área frágil e foi classificada pela Unesco como reserva da biosfera.
Ao lado do presidente, o diretor-geral da Segurança Civil, Julien Marion, informou que a França já registra quase 11 mil incêndios e 35 mil hectares queimados em meados de julho, número que já supera toda a temporada de 2025.
Macron garantiu que não haverá “nenhuma tolerância” para incendiários. “Nosso território nacional é atacado toda vez que um incêndio é provocado”, afirmou. Dois jovens de 18 anos, um deles bombeiro voluntário, confessaram ter participação no incêndio da floresta de Fontainebleau. Segundo os bombeiros, o incêndio segue controlado, mas ainda não foi totalmente extinto.
Incêndios
A reabertura da rodovia A6, bloqueada devido aos incêndios, poderá ocorrer nesta sexta-feira à noite, caso as condições permitam, informou o prefeito de Seine-et-Marne, Pierre Ory. A estrada sofreu danos em estruturas e barreiras de proteção.
Nos últimos dias, cerca de 950 bombeiros atuaram na região, com apoio de três aviões Canadair, um Dash, dois helicópteros de combate a incêndios e um helicóptero de comando. Nesta quinta-feira, apenas o Dash e os helicópteros continuavam operando devido à melhora da situação.
O diretor da Segurança Civil anunciou ainda que, nos próximos dias, poderá ser testado o uso do Airbus A400M para combater incêndios. A aeronave militar poderá ser equipada com um sistema capaz de lançar até 20 toneladas de água, o equivalente à capacidade de três aviões Canadair.
Macron também anunciou a criação de um fundo único para arrecadar recursos destinados à recuperação da floresta de Fontainebleau. “Conto com todos para contribuir desde já e permitir o replantio, a reconstrução e o fortalecimento da proteção desta floresta no futuro”, declarou.